Um ensaio sobre as emoções

Uma orquestra eternamente jovem, abundantemente apta e cumplicemente colaborativa: eis um esboço do presente da Orquestra de Jovens dos Conservatórios Oficiais de Música de Portugal, que, na semana passada, foi reunida no seu 16.º estágio, pela terceira vez, na Madeira. A personalidade musical do maestro convidado, Pedro Neves, foi um catalisador potente para a culminação efervescente deste estágio, o seu concerto final, no dia 8 de Abril, no Centro de Congressos da Madeira.

Os setenta e seis jovens artistas, seleccionados de entre muitos colegas seus pelo maestro convidado, num périplo pelo País, reuniram-se à volta de um programa bastante exigente mas muito recompensador, tanto para eles próprios como para o público, que encheu a sala e, dada a ocasião, já antes do início vibrou com sentimentos de gáudio e felicidade pelo momento de partilha de um evento único.

O concerto abriu com a Fantasia Sinfónica A Contemplação da Matéria, em três secções contínuas, do compositor madeirense Francisco Loreto, professor do Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira (CEPAM), Primeiro Clarinete da Orquestra Clássica da Madeira e maestro da Orquestra Académica do Conservatório, uma obra estruturalmente coesa e desenvolvida a partir de um número restrito de motivos nucleares. Nesta obra, estreada no âmbito do Festival da Música da Madeira em 2008, o compositor, explorando efeitos espaciais com a colocação de um trompete, percussão (incluindo tímpanos e sinos tubulares) atrás do público e até contando com as vozes dos instrumentistas num coro uníssono “à maneira gregoriana”, utiliza sonoridades evocativas e eclécticas para colocar o ouvinte num ambiente transcendente, onde o passado e o futuro se misturam de uma maneira líquida e o som passa a ser a tradução de ideias metafísicas.

No dia 11 de Fevereiro, realizou-se, no CEPAM, no âmbito do OJ.COM Madeira 2017, a fase final do Concurso Jovem Escalão D. Perante um júri composto por representantes de sete conservatórios e presidido pelo maestro Pedro Neves, apresentaram-se doze solistas, tendo obtido o 1.º Prémio a violinista Lia Yeranosyan, do Conservatório de Música do Porto. Este prémio valeu-lhe a participação neste concerto final, em que foi solista no 1.º andamento do Concerto para violino e orquestra de Jean Sibelius. A sua interpretação, grosso modo soberana e profissional, pautou-se, nesta sala bastante grande e composta, por alguma insistência na sonoridade, que, ainda que talvez tenha tido por objectivo vencer o espaço, nem sempre se combinava organicamente com os timbres orquestrais, o que é um sine qua non para uma impressão íntegra desta jóia musical.

Um perito no que diz respeito às sinfonias de Joly Braga Santos, Pedro Neves escolheu a Quarta Sinfonia para a segunda parte do programa. Uma escolha deveras acertada, pois, além de ter sido dedicada “à Juventude Musical Portuguesa”, da qual o compositor foi um dos fundadores, e estreada em 1951 na sua forma original e em 1968 na versão com o coro no Epílogo (a parte que foi proposta para o Hino Mundial da Juventude e que vai constar desta forma do concerto da OJ.COM, a 28 de Abril, no Centro Cultural de Belém), essa obra situa-se nos finais da sua fase juvenil e oscila entre alusões ao passado musical e à modalidade e ritmos folclóricos, chegando muitas vezes a um congestionamento tonal que permite vislumbrar o futuro da sua linguagem. Dirigindo de memória e dotado de confiança absoluta, o maestro não teve problema em focar e manter a atenção plena dos jovens, cuja capacidade profissional foi posta à prova muitas vezes ao longo desta obra de quase 50 minutos, mas que sempre se mostraram à altura do desafio. Os jovens músicos conseguiram identificar-se com os momentos musicalmente mais exigentes (2.º andamento) e imbuíram tanto os momentos lírico-nostálgicos como as páginas caracterizadas por uma largura de espírito memorável de espontaneidade e prontidão de entrega que não podem ser emulados e pertencem propriamente a jovens. Conforme se aproximavam o final do quarto andamento e o epílogo, foi palpável o adensar do ambiente na sala e a expectativa crescente de um momento apoteótico – uma prova não só da construção formal exemplar, cíclica na sua interligação temática, mas também da inteligência musical dos intérpretes. Esta música absoluta que não é absoluta e programática que não é programática comunica de uma forma extraordinária porque possui um equilíbrio fascinante entre a forma e o conteúdo. Ouvi-la interpretada por jovens que ainda são musicalmente honestos e sinceros (e oxalá continuem assim para sempre) passa a ser uma experiência inesquecível.

A magia, então, aconteceu depois da primeira ovação de pé: Pedro Neves deu à orquestra a entrada para o Epílogo e saiu do palco, deixando toda a atenção nos jovens e na música. Os jovens, esses, efectivamente estavam numa tal ligação simpática que lhes permitiu ouvirem-se uns aos outros e sintonizarem com perfeição absoluta. A música sintonizou todos os corações na sala e acredito que não foram poucos que os chegaram ao fim com olhos molhados. A mais importante mensagem, no entanto, foi para todos os jovens presentes no público: eis o poder da música, eis o que ela pode fazer por vocês e eis o que vocês podem fazer com ela.

A segunda ovação de pé já foi um gesto de rendição ao poder da música e uma vénia à geração vindoura de músicos portugueses.

Ópera “O Espelho”, de Jorge Coli e Jorge Antunes

Entre os dias 15 e 19 de Março, pôde-se assistir, no Theatro São Pedro, em São Paulo, à estreia da ópera “O Espelho” – adaptação do conto homônimo de Machado de Assis, com libreto de Jorge Coli e música de Jorge Antunes. Ambos tomaram para si uma difícil tarefa, dado o tom de diálogo interno e a reflexão sobre a psicologia humana e as relações sociais, que fazem do texto, à partida, material mais propício a uma adaptação teatral.

João Jacobina, o narrador-personagem, expõe ao espectador a sua teoria: o homem tem duas almas – “uma que olha de dentro para fora” (visão que temos de nós próprios) e “outra que olha de fora para dentro” (aquilo sobre o qual construímos e apoiamos a imagem que os outros têm de nós). Coli actualiza os irónicos exemplos machadianos dessa alma exterior, substituindo o voltarete, a polca, um par de botas, pelo “carro do ano” [poderia até ter arriscado o “like no Facebook”]. A partir desse argumento, Jacobina conta um episódio dos seus 25 anos, quando, recém nomeado alferes da Guarda Nacional, passava uns dias na fazenda da sua tia, onde era exaltado e tratado com todos os mimos. Conhecemos então a escrava Eufrásia, com quem Jacobina logo se envolve. A personagem não existe no conto, mas esse acréscimo do libretista revelou-se a peça fundamental para dar um carácter mais operístico à narrativa. A cena de sexo, ousada em relação à maioria das recentes montagens do género, foi o ponto alto do espectáculo, nada vulgar e tampouco artificial, com uma música que, muito apropriadamente, não tentou tomar para si o primeiro plano. Na sequência, quebrando a expectativa de um diálogo entre os personagens, apenas um vocalize, numa possível referência ao canto das sereias, encanto e perdição dos homens em tantas mitologias. Os escravos fogem para um quilombo, a tia vai visitar um filho e, de repente, Jacobina vê-se só. Nessa situação permanece por algumas semanas, durante as quais encontra num espelho e na farda de Alferes a sua tábua de salvação. Confere interesse a este monólogo final o misto de drama e ridículo.

O tenor Daniel Umbelino e a soprano Marly Montoni convenceram e comoveram, tanto cénica quanto vocalmente. Desataca-se também a dança de Marly no lundu incluído na cena de apresentação de “Frasa”. É de se notar a perfeita adequação de ambos ao physique du rôle. A mezzo-soprano Andreia Souza também estava óptima como Tia Marcolina. Ficou evidente, entretanto, a sua semelhança de idade com os colegas, mesmo considerando que a personagem não liga ao que os seus quarenta anos representavam no século XIX e não esconde o seu interesse pelo sobrinho.

Jorge Antunes fundiu de maneira bastante natural várias linguagens, do tonal ao atonal, dando também ao lundu colhido por Manuel de Araújo Porto Alegre uma criativa roupagem. Apesar de (felizmente) não se poder esperar desse compositor nada tradicional, causa certo incómodo, na alternância de fala e canto, que por vezes chega a ser frase-a-frase, a ausência de uma sincronia clara com a intenção e o significado da situação.

O Espelho faz parte de uma projectada trilogia de Coli, que se iniciou com o grande sucesso “O menino e a liberdade” (2013), com música de Ronaldo Miranda. À igualdade entre os homens, tratada a partir de Machado de Assis, não teria como faltar uma bela pitada de pessimismo. Perguntado sobre a próxima ópera, que terá como tema a fraternidade, o consagrado académico e crítico e surpreendente libretista nada quis adiantar. Ficamos, pois, à espera…

XVI Edição do estágio OJ.Com

De 2 a 9 de Abril, o Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira acolheu a XVI edição do OJ.Com, Estágio da Orquestra de Jovens dos Conservatórios Oficiais de Música. Para a direcção da orquestra foi convidado o maestro Pedro Neves. O efectivo foi composto por setenta e cinco alunos oriundos dos conservatórios de Aveiro, Braga, Coimbra, Funchal, Lisboa, Ponta Delgada e Porto, do Instituto Gregoriano de Lisboa e do ensino artístico integrado da Escola Básica e Secundária Tomás Borba de Angra do Heroísmo. O concerto de encerramento teve lugar no Centro de Congressos da Madeira, no dia 8 de Abril, pelas 15h00.

O programa teve início com a Fantasia Sinfónica A contemplação da Matéria do compositor madeirense Francisco Loreto, seguindo-se-lhe o primeiro andamento (Allegro Moderato) do Concerto para Violino e Orquestra, Op. 47, de Jean Sibelius, no qual foi solista Lia Yeranosyan, aluna do Conservatório de Música do Porto. O concerto terminou com a Sinfonia n.º 4 de Joly Braga Santos. Os jovens músicos desta orquestra reencontrar-se-ão no dia 28 de Abril, no Centro Cultural de Belém, no âmbito da programação do festival “Dias da Música”.

Paixão Segundo São João no Theatro Municipal de São Paulo

Composta por Johann Sebastian Bach por ocasião da Semana Santa de 1724, a Paixão Segundo São João (BWV 245) foi executada pela primeira vez em Leipzig, onde o compositor era Kantor da Igreja Luterana de São Tomás e director musical da cidade.

Este oratório apresenta características marcantes da música Barroca e, mais especificamente, do estilo pujante de Bach. Trata-se de uma obra grandiosa que narra a crucificação e morte de Cristo e aponta para sua ressurreição a partir do Evangelho de São João. Nos coros é possível identificar refinados contrapontos e fugas, enquanto nos corais predomina a austera homofonia, ambos tão característicos do estilo bachiano.

Obra fundamental na literatura musical ocidental, a Paixão Segundo São João foi levada ao palco do Theatro Municipal de São Paulo nos últimos dias 14 e 15 de Abril, celebrando a Semana Santa. Sob a genial condução do maestro Roberto Minczuk, estiveram a Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, o Coral Paulistano Mário de Andrade e o Coro Contemporâneo de Campinas, além dos solistas Gustavo Quaresma (Evangelista – Tenor), Daniel Lee (Jesus – Barítono), Leonardo Pace (Pilatos – Barítono), Manuela Freua (Soprano), Carolina Faria (Mezzo-soprano), Gilberto Chaves (Tenor) e Pepes do Valle (Baixo).

Roberto Minczuk, premiado maestro de carreira internacional, demonstrou um entendimento profundo e segurança em sua concepção da obra. Fugindo do purismo de interpretações que se dizem fiéis ao estilo (mas que muitas vezes apenas reproduzem gravações famosas), Minczuk explorou a fundo as potencialidades musicais que uma obra da magnitude da Paixão Segundo São João possui. E isso pode ser observado logo no primeiro coro, “Herr, unser Herrscher, dessem Ruhm in allen Landen herrlich ist!”. Se, na primeira vez, as vozes anunciam o Senhor com uma sonoridade incisiva e penetrante, na repetição o maestro Minczuk extrai um som mais pesado e sostenuto do coro, como que clamando aos céus em tom piedoso, prenunciando o momento que se seguirá: coisas que somente com uma sólida compreensão da obra se é capaz de realizar.

Sobre o Coral Paulistano Mário de Andrade, pudemos apenas constatar o já sabido: este é, de facto, um dos melhores coros de São Paulo. A maestrina Naomi Munakata tem feito um trabalho de alto nível com o grupo, e isso pode ser visto na qualidade e precisão com que executou os coros da Paixão Segundo São João – com destaque para a articulação e clareza dos contrapontos do coro Lasset uns den nicht zerteilen.

Já o Coro Contemporâneo de Campinas, regido pelo maestro Angelo Fernandes, mostrou que, embora seja um grupo de estudantes (alunos de graduação e pós-graduação em música pela Unicamp), tem plenas condições de realizar um programa dessa magnitude. Ao longo das últimas semanas, o grupo realizou uma série de concertos da Paixão pelo interior do estado de São Paulo, juntamente com a Orquestra Barroca do Departamento de Música da Unicamp, sob regência do maestro Carlos Fiorini. A partir destes concertos, surgiu o convite para que o Coro Contemporâneo de Campinas integrasse o programa da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, marcando assim sua estreia no Theatro Municipal de São Paulo.

Há que destacar também alguns solistas. Posicionado no alto de uma frisa ao lado direito do palco, o tenor Gustavo Quaresma deu vida a João Evangelista através de sua voz clara e precisa. Já o barítono Daniel Lee interpretou magnificamente o papel de Jesus, completamente memorizado e com uma profunda emoção, valorizando cada passagem nos seus mínimos detalhes. Por fim, a mezzo-soprano Carolina Faria trouxe uma interpretação tocante da ária Es ist vollbracht, potencializada pela iluminação intimista que criou um momento único de introspecção e emotividade.

Casa cheia e longos e calorosos aplausos nas duas récitas. São Paulo é, de facto, uma cidade que transborda cultura e que cada vez mais se firma como um centro de excelência musical no cenário internacional.


A programação completa da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e do Coral Paulistano Mário de Andrade pode ser encontrada no sítio http://theatromunicipal.org.br/. Já para acompanhar as actividades do Coro Contemporâneo de Campinas, deve-se acessar o sítio https://www.corocontemporaneo.com.br/.

Castelo Branco: contextualização cultural

O presente artigo inaugura uma série de textos de divulgação da actividade cultural na região de Castelo Branco, com especial atenção, como é natural, à prática musical. Porém, antes de iniciar a abordagem a concertos ou espectáculos específicos, nesta primeira nota importa descrever brevemente o panorama actual – bem como o contexto histórico recente – da vida cultural e musical da cidade e da região.

O espaço central de actividade artística em Castelo Branco é o Cine-Teatro Avenida, edifício dos anos 50 com traça arquitectónica de época bem marcada, e que nas últimas décadas do século XX – período em que sofreu devastador incêndio, nos anos oitenta – ficou votado ao abandono. No final da década de 90, a cidade assistiu a um vigoroso processo de requalificação urbanística e de profundas transformações no parque edificado público, com especial menção à recuperação integral do Cine-Teatro Avenida, que, desde então, apresenta nos seus diversos espaços as melhores condições para a apresentação de espectáculos nas diferentes áreas artísticas.

Tratou-se, na altura, todavia, de um investimento quase exclusivamente voltado para a construção ou recuperação de infraestruturas, tendo o renovado Cine-Teatro ficado sem programação, ou, pelo menos com uma programação irregular e algo descontinuada, de alguma forma refém da política então vigente, aguardando o investimento em actividades viradas para as populações – nomeadamente através de uma dinâmica cultural pública que tardava em chegar – que pudessem concretizar o potencial aberto com os novos equipamentos. No âmbito da programação cultural, havia, no entanto, uma assinalável excepção: o notável Primavera Musical – Festival Internacional de Castelo Branco que, nas suas diversas edições anuais, permitiu aos públicos da região o acesso à grande arte musical nacional e internacional, como atesta o preenchido historial de inesquecíveis concertos, com artistas como Jordi Savall, Quarteto Borodin, Orlando Consort, Natalia Gutman, Quarteto Takács, Trio Hantai, Egberto Gistmonti, Anner Bylsma, Tallis Scholars, entre muitos outros artistas do mesmo nível artístico.

Cine-Teatro Avenida

Paralelamente, surgiu na região, com diversos apoios autárquicos, nacionais e internacionais a Associação Belgais – Centro para o Estudo das Artes, cuja reconhecida acção artística, cultural e pedagógica teve um forte impacto na região e no país. Sobre este projecto não há necessidade de nos alongarmos, de tal forma ele foi reconhecido nacional e internacionalmente. Ou, antes, a sua dimensão e o seu impacto merecem talvez um estudo mais aprofundado, que não cabe num artigo deste cariz.

Em 2009 tudo mudou, com a decisão autárquica de investir fortemente na fruição cultural das populações, através de uma programação regular, diversificada e de grande qualidade, assumindo a vivência artística como uma vertente fundamental da qualidade de vida da cidade. Esta programação é divulgada através da agenda Cultura Vibra, que centraliza a comunicação relativa à programação de todos os espaços culturais públicos da cidade. Desde então, tem-se mantido uma forte dinâmica cultural, com grande adesão dos públicos, que hoje atinge patamares a que nunca se assistiu noutras cidades da mesma dimensão no interior do país. Para que se fique com uma imagem exemplificativa do tipo de regularidade e diversidade, consulte-se a actividade cultural da última semana do passado Março na agenda trimestral da Cultura Vibra: no Domingo, um colóquio sobre a poesia de António Salvado; na Terça-feira uma sessão de cinema de autor no Cine-Teatro Avenida; na Quinta-feira, um espectáculo da Companhia Nacional de Bailado; na Sexta-feira, um concerto de Ana Quintans com o Concerto di Cavaliere no Centro de Cultura Contemporânea; e, no Sábado, um concerto do Síntese – Grupo de Música Contemporânea, com três estreias de Sara Carvalho, Paulo Jorge Ferreira e Vasco Mendonça, que teve lugar no Museu Francisco Tavares Proença Júnior. Pela programação regular, e apenas para citar alguns exemplos mais recentes, têm passado artistas como Riccardo Minasi, Brad Mehldau, Ana Bela Chaves, António Rosado, Mário Laginha, diversas orquestras sinfónicas nacionais, entre muitos outros artistas, de forma regular e constante.

A Companhia Nacional de Bailado em actuação no Cine-Teatro Avenida

Para além da programação nas artes performativas, existe uma rede museológica de grande valor, constituída por museus de acervo e museus de circulação. Para além do acervo do Museu Francisco Tavares Proença Júnior, o recente Centro de Cultura Contemporânea relaciona-se em protocolo com a Culturgest, Fundação Serralves, Fundação Berardo, entre outras instituições, por forma a permitir que as populações de Castelo Branco acedam a um grande conjunto de colecções e obras em circulação, integrando desta forma a rede de arte contemporânea europeia. É ainda de assinalar o Museu Cargaleiro, cujo acervo contém todo o espólio do Mestre Cargaleiro, doado por este ao município de Castelo Branco, incluindo quer o segmento principal da sua obra, quer a sua colecção privada.

A actividade cultural, no entanto, não se esgota na programação e musealização, apostando também na valorização das estruturas artísticas locais. É neste âmbito que surge o João Roiz Ensemble, o Concerto Ibérico, as Séries Ibéricas de Música Antiga, ou, na área do teatro, a Terceira Pessoa, ou a Pé de Pano, projectos de criação local com qualidade e reconhecimento que vão muito além das fronteiras regionais. Estas estruturas têm como preocupação a promoção do contacto das populações com as manifestações artísticas de grande qualidade e actualidade, fomentando em simultâneo a prática artística local em diálogo com aquelas, e a valorização dos bens patrimoniais edificados, humanos e imateriais locais, sempre em vista de uma estrutura de conceitos artísticos actualizada, cosmopolita e universal.

A presente dinâmica cultural, constituída num mosaico de fruição artística, tem transformado a maneira como a população vê a cidade e como se olha a si própria, contribuindo para reduzir o impacto que a interioridade inexoravelmente produz na vida quotidiana dos habitantes da região, numa abordagem à cultura e à arte enquanto transformadoras da sociedade e dos indivíduos.

No que diz respeito ao ensino artístico, a rede existente contribui para este estado de coisas: o Conservatório Regional de Castelo Branco é uma das maiores e mais antigas escolas de música do interior do país, e a Escola Superior de Artes (ESART – IPCB) é uma das três escolas superiores de música públicas do país.

Por fim, será relevante deixar algumas breves palavras sobre outras cidades do distrito de Castelo Branco. Deste ponto de vista, a Covilhã tem vivido algo estagnada; com efeito, não dispõe de uma infraestrutura de dimensão adequada para a actividade cultural – o estado de decadência do seu antigo Teatro-Cine, actual Teatro Municipal, não aconselha a realização de eventos culturais – e não existe uma programação regular consistente e pública nos restantes espaços públicos da cidade, com excepção do Teatro das Beiras. O Fundão foi capaz de responder desde já às necessidades de infraestrutura, com a sua excelente Moagem – Cidade do Engenho e das Artes, mas não passou ainda à fase de aproveitamento dos equipamentos para serviço cultural regular e de qualidade para as populações. Idanha-a-Nova apresenta uma programação dinâmica, adequada à sua dimensão, com um especial enfoque na valorização do património local, mas sem perder de vista uma perspectiva artística mais global.

É inquestionável que a cidade de Castelo Branco se tem afirmado como o centro cultural de uma vasta região, num concelho onde a cultura e a prática artística têm a atenção prioritária das instituições locais, e nas quais a música tem um foco especialmente relevante.

Orquestra Clássica da Madeira, Tortelier e Petryakov

No âmbito da vertente sinfónica da sua temporada, a Orquestra Clássica da Madeira – gerida pela Associação Notas e Sinfonias Atlânticas – apresentou no passado dia 1 de Abril um concerto no Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal, que foi dirigido pelo maestro francês Maxime Tortelier e em que foi o solista o jovem violinista de origem ucraniana Oleksandr Petryakov. Num universo de trinta concertos sinfónicos, o Director Artístico, Prof. Norberto Gomes, concebeu três ciclos: Grandes Solistas, Grandes Orquestras e Jovens Solistas. Neste último, em seis concertos, apresentam-se seis ex-alunos do Conservatório-Escola Profissional das Artes da Madeira, presentemente quase todos a prosseguir os seus estudos no estrangeiro. O facto de estes jovens, poucos anos depois de terem concluído os estudos de nível secundário no Curso Profissional de Instrumentista, já demonstrarem a soberania e estatura artística para poderem integrar como solistas uma temporada profissional comprova o nível de ensino da instituição, como serve de testemunha de um clima musical diversificado e muito frutífero, em que três dos solistas são filhos de músicos de origem estrangeira que há muito ensinam na Madeira e outros três são talentos propriamente da Região.

Perante uma plateia muito bem composta (e nos últimos tempos frequentemente esgotada para os concertos sinfónicos), Petryakov (estudante na Codarts Universidade das Artes em Roterdão, onde trabalha com Igor Gruppman e Vesna Stefanovic-Gruppman) interpretou o concerto para violino de Aram Khachaturian. A sua actuação pautou-se pela nitidez e clareza de articulação e teve os seus momentos altos em páginas líricas, sobretudo no segundo andamento. Mesmo que, às vezes, o ímpeto e vigor rítmico desta música, fortemente imbuída de elementos folclóricos nos andamentos exteriores, pudessem ter recebido um maior relevo, foi a qualidade do seu som em momentos mais íntimos que cativou o público. Nisso, o solista teve uma excelente colaboração do também relativamente jovem maestro Tortelier (36 anos), representante da terceira geração da ilustre família de músicos franceses. Exercendo controlo absoluto sobre o diapasão dinâmico da orquestra, o maestro contribuiu para o êxito inequívoco desta colaboração com uma leitura transparente, bem diferenciada, empática e dotada de momentos de exaltação típicos para o mestre arménio.  

Na segunda parte, a Segunda Sinfonia de Johannes Brahms recebeu uma leitura formalmente muito coerente e equilibrada nos seus aspectos clássicos. Passados cento e quarenta anos desde a sua estreia, esta Sinfonia continua a fascinar com o contraste entre a sua face bucólica e pastoral e a escuridão e solenidade que emanam do naipe dos metais, em que a tuba se junta a três trombones. Empregando a batuta de uma maneira muito eficaz e clara, o maestro Tortelier, dirigindo de cor, valorizou toda a riqueza da escrita polifónica inata a Brahms, conseguindo contrapor naipes timbricamente muito bem definidos e salientando a graciosidade do 3.º andamento tal como a leveza e elasticidade de ritmos sincopados no 4.º. Contagiando a orquestra com a vivacidade do seu espírito, bastante evidente no palco, o maestro pôde, assim, contar com uma entrega sem reservas, cujo fruto foi uma interpretação que levou o público a aplaudir até lhe terem sido concedidos dois extras que arredondaram a impressão de um serão musical assinalável.

Concerto de estreia do Manuel Faria Ensemble

No próximo dia 7 de Abril, pelas 21h00, na Igreja de Santa Cruz de Coimbra, apresentar-se-á pela primeira vez ao público o Manuel Faria Ensemble, que tem como objectivo principal a interpretação de música sacra dos séculos XX e XXI.

Este projecto acontece no seguimento dos SACRA XX-XXI (linha editorial criada no seio do MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa), inaugurada no passado dia 14 de Fevereiro na Biblioteca Municipal de Coimbra, destinando-se essencialmente a dar a merecida visibilidade aos compositores portugueses contemporâneos formados em música sacra.

O Ensemble reúne cantores e instrumentistas, respectivamente para a música coral/vocal e instrumental, aliando diversas componentes às suas interpretações, como a investigação, o estudo, a edição e a publicação de partituras.

Este novo projecto parte de uma conjugação idealizada de vontades de maestros, directores de coro e doutorandos em direcção (coral), activos no panorama nacional e internacional musical, com particular destaque para a cidade de Coimbra, sob a orientação artística de Paulo Bernardino.

Neste concerto será dado particular relevo aos compositores Pe. Manuel Faria (1916 – 1983) e Pe. Maurice Pirenne (1928 – 2008) – compositor holandês com um percurso muito similar ao de Manuel Faria – com estreia de diversas das suas obras, com especial destaque para o Stabat Mater (para coro misto e orquestra de cordas em diálogo com o canto gregoriano) do compositor português, enobrecendo e desenvolvendo também as celebrações do centenário do seu nascimento que decorrem no País e, de modo especial, na cidade de Coimbra.

[alert type=white ]MANUEL FARIA

no Contexto Nacional e Europeu da Música Sacra dos sécs. XX – XXI

***

Programa

James MacMillan (n. 1959)
In Splendoribus Sanctorum (Coro e trompete)

Maurice Pirenne (1928 – 2008)
O Magnum Mysterium
Copiosa Redemptio
Ave Verum

Mário de Sousa Santos (1914 – 1983)
O Memoriale Mortis Domini

Paulo Bernardino (n. 1973)
Missa Felix Caeli Porta: Gloria

Manuel Faria (1916 – 1983)
Sangue de Cristo
Parábolas da Montanha. IV: “Lançai a rede ao mar”
Stabat Mater (para coro misto e orquestra de cordas em diálogo com o Canto Gregoriano)[/alert]

Coro Sine Nomine no Museu Nacional da Música

Na próxima sexta-feira, 7 de Abril, pelas 19h00, realiza-se, no Museu Nacional da Música, o concerto do coro Sine Nomine, integrado no ciclo Músicas do Acervo: compositores portugueses e seus contemporâneos, organizado por Adriano Nogueira.

O coro, existente há mais de três anos, foi formado no final de 2013 por um grupo de jovens universitários, anteriormente colegas no Conservatório Regional do Baixo Alentejo, finalmente reunido de novo na cidade de Lisboa. Pretendendo inicialmente retomar o propósito de um projecto anterior, dirigido por António João César, no Conservatório Regional do Baixo Alentejo, o Sine Nomine é hoje um grupo amador com sólida formação musical, que, pretendendo essencialmente reunir amigos nos ensaios semanais e concertos, acaba por funcionar como primeira experiência para compositores e maestros. Assim, o projecto, que não pretende ter um maestro fixo, é dirigido e ensaiado por vários membros do coro, enquanto é estimulada a composição, propositada para o grupo, por alguns dos seus elementos. Nesse contexto, o Sine Nomine já foi responsável por estreias absolutas de obras de jovens compositores portugueses, como João Barros, Rui Magno Pinto, Francisco Chaves e Luís Espírito Santo.

O Sine Nomine já participou em encontros de coros no Alentejo, na Basílica Real de Castro Verde ou no Cine-Teatro Pax Julia, em Beja, em concertos no Alentejo e na zona de Lisboa, nomeadamente na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul, com repertórios vários, como música sacra, música de Natal, gospel e espirituais negros, sendo que os próximos concertos, incluindo o de dia 7 de Abril, serão exclusivamente dedicados à música portuguesa e brasileira dos séculos XX e XXI. O programa é variado e foi, desta vez, preparado por dois dos membros fundadores do coro, Luís Espírito Santo e Pedro Beirão, responsáveis pelos ensaios desta temporada. O concerto inclui arranjos de música tradicional, de música popular portuguesa ou de música de intervenção, de música popular brasileira (como de Chico Buarque ou Tom Jobim), e obras de compositores portugueses como Fernando Lopes-Graça.

 

Ainda nesta temporada, o Sine Nomine, que ensaia regularmente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, apresentar-se-á na mesma instituição nas celebrações do 25 de Abril, estando também agendados encontros de coros e outras actuações. O concerto no Museu Nacional da Música terá entrada livre.


Pode seguir aqui as actividades do Museu Nacional da Música.

A Quaresma na Escola de Música da Sé de Évora 2017

Irá realizar-se no próximo dia 8 de Abril, pelas 21h30, o XV Concerto A Quaresma na Escola de Música da Sé de Évora – Concerto de Páscoa, que decorrerá na Igreja do Convento dos Remédios. O concerto, organizado pela Associação Eborae Musica e Coro da Universidade de Lisboa, conta com o apoio da Câmara Municipal de Évora, da imprensa local e da Antena 2. Participarão neste concerto o Coro Polifónico Eborae Musica, o Coro da Universidade de Lisboa, a Orquestra Académica da Universidade de Lisboa e André Ferreira (órgão), dirigidos por Eduardo Martins.

O programa encontra-se dividido em duas partes, com a primeira dedicada à polifonia vocal sacra da Sé de Évora, intitulada “nos 470 anos do nascimento de Manuel Mendes”, e a segunda dedicada ao barroco alemão. O Coro Polifónico Eborae Musica irá interpretar o Introitus da Missa pro Defunctis a 4 Manuel Mendes, assim como a antífona Asperges me a 4 e o Alleluia do mesmo compositor. Aparecem ainda incluídos nesta parte os Pater peccavi de Duarte Lobo e In jejunio et fletu de Diogo Dias Melgaz e o Stabat Mater atribuído a Estêvão de Brito. A segunda parte, interpretada com o Coro da Universidade de Lisboa, orquestra e órgão, compreende as obras Ach, weh des Leiden de Hans Leo Hassler, Selig sind die toten de Heinrich Schütz, as secções I, II e XI do motete Jesu, meine Freude BWV 227 e Der gerechte kommt um de Johann Sebastian Bach, e Gott, sei mir gnädig de Johann Kuhnau.

O mesmo programa será repetido pelos mesmos grupos envolvidos no dia 10 e Abril, pelas 21h30, na Igreja de Nossa Senhora das Mercês em Lisboa.

Os concertos A Quaresma na Escola de Música da Sé de Évora, promovidos pela Associação Cultural Eborae Musica, constituem um dos três ciclos de concertos regulares que esta associação promove anualmente. Este ciclo surgiu com a intenção de divulgar as obras dos polifonistas de Évora, em cuja produção musical se destaca um conjunto de peças especificamente compostas para o período da Quaresma que têm merecido grande atenção de estudiosos e intérpretes. Para além da polifonia, têm sido também apresentadas outras obras do vasto repertório sacro, como foi o caso da última edição, onde o Coro Polifónico Eborae Musica apresentou a Missa em Sol maior de Carlos Seixas.

Festival de Música Religiosa de Guimarães

Tem início esta semana a segunda edição do Festival de Música Religiosa de Guimarães, que decorrerá em vários locais desta cidade até ao dia 16 de Abril. Este festival, que decorre durante a Semana Santa, propõe concertos diários, assim como vários cursos, exposições entre outras actividades que, de acordo com o director artístico, José Maria Pedrosa Cardoso, oferece “de uma forma intensa o desfrute da grande música que foi composta ao longo dos séculos sob o signo da religião”.

O festival inicia-se no dia 2 de Abril com a celebração de uma missa campal no exterior da Igreja dos Santos Passos, pelas 16h00, com a participação da Orquestra de Sopros da Academia Bernardo Valentim Moreira de Sá, do Grupo Coral de Azurém, Orfeão de Guimarães, Grupo Coral de Ponte e Capella Jubilemus.

A abertura oficial está agendada para a manhã de 8 de Abril, pelas 11h00, com a inauguração da exposição A Paixão de Guimarães, que consiste num percurso pelas igrejas, passos da Paixão e museus da cidade onde o visitante poderá encontrar peças artísticas relacionadas com a Paixão. No mesmo dia, pelas 19h00, ocorrerá o primeiro concerto do festival com um recital de órgão por Daniel Ribeiro na Igreja dos Capuchos, com obras de Bach, Frescobaldi, Kuhnau, Seixas e Pachelbel.

No Domingo, dia 9, pelas 17h00, o agrupamento espanhol Vox Stellae irá apresentar o programa Quaresma e Semana Santa nas Catedrais de Santiago e Tui, na Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, com obras de García Benayas, Diego Muelas, Diego Verdugo, e outro repertório relacionado com estas duas catedrais espanholas. Às 21h30, o Coro e Orquestra da Universidade do Minho irão apresentar The Armed Man – A Mass for Peace, de Karl Jenkins, na Igreja de São Francisco.

Para o dia 10 está agendada uma conferência proferida por Nuno Saldanha sobre “Tradição e Modernidade – O Concílio de Trento e a Iconografia Pós-tridentina”, na Sociedade Martins Sarmento, pelas 18h30. A Igreja de Nossa Senhora da Oliveira volta a receber novo concerto, pelas 21h00, com a actuação do Coral Ensaio e o barítono Carlos Meireles acompanhados pelo organista António Mário Costa, sob direcção de José Abel Carriço, apresentando Via Crucis S 53 de Franz Liszt.

A Associação Comercial e Industrial de Guimarães receberá no dia 11 de Abril, com início pelas 10h00, um curso breve de introdução ao Canto Gregoriano orientado pelo Coro Solemnis. No mesmo dia, pelas 18h30, o musicólogo Manuel Pedro Ferreira irá proferir uma conferência na Sociedade Martins Sarmento sobre “O som que preenche a igreja: facetas do antigo canto litúrgico”. Pelas 21h30, na Igreja de S. Francisco, a Orquestra Barroca da Casa da Música, dirigida ao cravo por Laurence Cummings, com os solistas Mónica Monteiro (soprano) e Pedro Castro (oboé), apresentam o programa O Pranto de Maria, com obras de Antonio Vivaldi, Tomaso Albinoni e Pieter Hellendaal.

O Ensemble Vilancico apresentará no dia 12, pelas 21h30, na Igreja da Misericórdia o programa A Paixão Polifónica de Guimarães, com uma Paixão segundo São Mateus, de autor desconhecido do final do século XVI, e os Bradados da Paixão segundo São Mateus do compositor crúzio D. Pedro de Cristo. No dia seguinte, com início pelas 18h30, a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira receberá um momento musical gregoriano pelo Coro Solemnis com rubricas provenientes da Liturgia para a Semana Santa, seguindo-se a participação na Missa In Coena Domini.

No dia 14, pelas 17h00, a orquestra barroca Divino Sospiro apresenta-se na Igreja de São Francisco com o programa Harmonia Ibérica da Paixão, compreendendo as obras Siete Palabras de Cristo en la Cruz de Francisco Javier García Fajer e o Stabat Mater de José Joaquim dos Santos. Serão solistas Bárbara Barradas (soprano), Lucia Napoli (mezzo-soprano) e André Baleiro (baixo). No mesmo dia, pelas 22h00, será apresentada a Sinfonia n.º 2 em Si bemol maior, “Lobgesang” de Felix Mendessohn-Bartholdy, no Centro Cultural Vila Flor, com os solistas Ana Maria Pinto (soprano), Margarida Reis (mezzo-soprano) e André Lacerda (tenor), a Orquestra de Guimarães e os coros Ensemble Vocal Pró-Música e Coro Valentim Moreira de Sá, dirigidos por Vítor Matos.

No Sábado, dia 15, a Sociedade Martins Sarmento acolhe, pelas 17h00, um recital do pianista José Eduardo Martins, que interpretará obras de Johann Kuhnau, Eurico Carrapatoso, Almeida Prado e Franz Liszt. O festival encerrará no dia 16 com um concerto na Igreja de S. Francisco pelas 17h00, onde o Orfeão de Guimarães, dirigido ao órgão por José Carlos Azevedo, irá interpretar a Missa Alemã de Franz Schubert, entre outras obras da música sacra ocidental.

Esta será, pois, mais uma edição do festival com uma notória aposta na música sacra, nas suas mais diversas expressões, através de um programa diversificado que vai desde o canto gregoriano até à utilização da temática sacra em obras instrumentais, englobando um vasto período histórico desde a Idade Média ao século XXI.


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