O MPMP tem o prazer de anunciar, neste dia 7 de Setembro, feriado da Independência no Brasil, o lançamento do disco digital Domitila. Este novo título do catálogo discográfico do MPMP contém a gravação da ópera de câmara composta por João Guilherme Ripper há dez anos atrás, sob encomenda do Centro Cultural Banco do Brasil. O libreto, de autoria do compositor, é baseado na correspondência amorosa entre D. Pedro I (D. Pedro IV de Portugal) e Domitila de Castro, Marquesa de Santos.

A interpretação ora gravada coube à soprano Carla Caramujo e ao Toy Ensemble, agrupamento formado pelos clarinetista Ricardo Alves, violoncelista Jed Barahal e pianista Christina Margotto.  Desde sua estreia, Domitila foi apresentada em diversos teatros e foi premiada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte como “melhor obra de música de câmara” no ano da sua estreia. Em 2018, a montagem dirigida pelo encenador Carlos Antunes foi estreada no Theatro da Paz, em Belém, com os músicos citados, e a produção circulou por festivais e salas de concertos em Portugal. Em Fevereiro de 2019, deu-se o registo pela rádio Antena 2, em concerto ao vivo, no Auditório do Instituto Superior de Economia e Gestão.

Segundo depoimento do programador cultural André Cunha Leal,

Para além dos vários concertos e masterclasses em que todos estiveram envolvidos, os músicos portugueses foram convidados para fazer parte da Orquestra do Festival num concerto no belíssimo Theatro da Paz, cuja solista era precisamente a Carla Caramujo. A obra central desse concerto, dirigido pelo maestro Tobias Volkman, eram os Cinco poemas de Vinicius de Moraes do compositor João Guilherme Ripper. Uma obra desafiante a todos os níveis, tanto para a soprano solista como para a orquestra. Cada um dos poemas tem um ambiente muito próprio, uns mais intimistas, outros mais líricos, outros explosivos e muito rítmicos. A orquestração é luxuriante e a soprano tem que ter uma capacidade enorme para se adaptar à ambiência especial de cada um deles, desenvolver a sua linha de canto sobre essa riquíssima textura orquestral, mantendo uma prosódia impecável para que não se perca nada de cada poema. O que se passou em palco foi absoluta magia. Assim que a Carla Caramujo começou a cantar, parecia que a obra tinha sido composta de propósito para ela. Deu-se um daqueles raros momentos que conhecemos apenas da história da música, onde o compositor encontra a sua cantora e a cantora o seu compositor. Como não podia deixar de ser, o último jantar desse festival ficou marcado pelo entusiasmo. Entre os vários projetos falados, surgiu um que parecia perfeito para voltar a juntar aquele grupo de músicos e, sobretudo, esta soprano e este compositor. Carla Caramujo seria a Domitila perfeita para a música de João Guilherme Ripper. […] O compositor põe mais uma vez à prova todas as capacidades de interpretação da cantora, numa ópera intimista e emocional e sobretudo muitíssimo bem escrita para a voz, confirmando mais uma vez João Guilherme Ripper como um dos melhores compositores de ópera da sua geração e, certamente um dos maiores representantes da música erudita brasileira.

 

João Guilherme Ripper formou-se pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde estudou com Henrique Morelenbaum, Ronaldo Miranda e Roberto Duarte. Doutorou-se na The Catholic University of America em Washington D.C., sob orientação do compositor Helmut Braunlich e da musicóloga Emma Garmendia. Especializou-se em “Économie et Finacement de la Culture” na Université Paris-Dauphine, em França, e em regência orquestral com o Maestro Guilleremo Scarabino na Universidad de Cuyo (Mendoza) e Teatro Colón na Argentina. É professor da Escola de Música da UFRJ, instituição que dirigiu entre 1999 e 2003. Recebeu o prémio Associação Paulista dos Críticos de Arte em 2000, pela sua ópera Domitila, e em 2017 pelo conjunto de sua obra. Dirigiu a Sala Cecília Meireles no Rio de Janeiro entre 2004 e 2015, e foi Presidente da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro entre 2015 e 2017. Em 2019 voltou a assumir o cargo de Director da Sala Cecília Meireles, e é o actual Presidente da Academia Brasileira de Música.

A ópera tem importância central no seu catálogo. Recentes produções incluem Piedade nas temporadas 2017 e 2018 do Teatro Colón, Theatro Municipal de São Paulo e Sala Cecília Meireles. Onheama subiu ao palco do mítico Teatro Amazonas em Manaus, em 2014 e 2015, e foi produzida em 2016 na cidade alentejana de Serpa, no Festival Terras Sem Sombra. Em 2018, Kawah Ijen estreou no Teatro Amazonas, tornando-se a primeira ópera a utilizar o gamelão javanês em conjunto com a orquestra. Desde sua criação, em 2014, a ópera cómica O diletante tem sido produzida em diferentes teatros. O monodrama Cartas portuguesas estreia em 2020 na Sala São Paulo e na Fundação Gulbenkian de Lisboa.

Haverá uma cerimónia de lançamento de Domitila na Embaixada do Brasil em Lisboa, no próximo dia 11 de Setembro, e a gravação ficará depois disponível para escuta nas plataformas habituais, tais como o  iTunes, o Deezer ou o o Spotify.

Sobre o autor

Edward Ayres d'Abreu

Concluiu o Curso Complementar de Piano no Conservatório Nacional. É licenciado em Composição pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou sob orientação de Sérgio Azevedo e de António Pinho Vargas. Durante um ano, em programa Erasmus, frequentou o Conservatório Nacional Superior de Paris (CNSMDP), estudando com Gérard Pesson. É Mestre em Ciências Musicais pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e doutorando em Musicologia Histórica enquanto bolseiro da FCT, Fundação para a Ciência e a Tecnologia. É membro fundador e Presidente da Direcção do MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, tendo sido Director da revista 'Glosas' nos seus primeiros quinze números.

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