No dia 1 de Abril publicámos, nas redes sociais, a bela notícia de que havia sido encontrado o manuscrito de mais uma sinfonia de Bomtempo. “Dia das mentiras”, claro, para nossa grande infelicidade… mas a presença deste compositor marcará, sem dúvida, a programação do MPMP em 2022. Como? De que forma? A seu tempo divugá-lo-emos. Entretanto, o Ensemble MPMP regressa já este mês, sob a direcção de Jan Wierzba, para um desafio mais nosso contemporâneo: quatro estreias absolutas de novas obras de Daniel Bernardes, Lino Guerreiro e Jorge Salgueiro. O projecto é de João Pedro Silva, saxofone solista, que tem vindo a encomendar e a gravar obras concertantes de compositores portugueses — por isso, sim, depois deste concerto, a realizar no dia 15 de Abril, no Cine-Teatro São João, Palmela, haverá mais um disco entusiasmante no nosso catálogo discográfico!

 

Dá-se, depois, uma seguramente feliz reposição da nova ópera de António Chagas Rosa que há pouco estreámos no São Luiz, Lisboa, logo reapresentada no Teatro Viriato, em Viseu, numa produção da Ópera no Castelo. Novamente o Ensemble MPMP, regido por Jan Wierzba, colorirá orquestralmente os passos febris, em palco, da meio-soprano Catarina Molder e do tenor Christian Luján.  “Eu dominei os sonhos. Sonho o que quero. Vivo o que quero”, diria Mário de Sá-Carneiro, a partir de quem se concebeu o libreto, trepidante reflexão sobre a condição humana, sobre o ténue fio entre a loucura e a sanidade, entre o sonho e realidade, sobre o fascínio premonitório e estruturante do próprio sonho, já que é ele afinal que modela e guia o ser humano na sua marcha existencial. Para ver e escutar no Teatro Municipal da Guarda, no dia 21, às 21h!

 

O ciclo “Escutar Lopes-Graça” está também de volta. Eis-nos de regresso ao Museu da Música Portuguesa, no Estoril, casa por excelência do legado do intelectual tomarense, para mais uma série reveladora da sua obra de câmara. Neste recital, os solistas convidados — Rodrigo Carreto, tenor, e Pedro Lopes, pianista — mergulharão numa pequeníssima parte da obra pessoana que o compositor adaptou, explorando também a contrastante música de Joly Braga Santos e o mais recente, e não menos sedutor, lirismo de Rui Soares da Costa. Será no dia 23, às 18h!

 

Prosseguem, na Biblioteca Municipal de Marvila, as sessões do Clube de Escuta. A de Catarina Távora, para público júnior, teve lugar no passado dia 4. Martim Sousa Tavares mediará a de dia 20, às 18h30, sob o mote “Eça de Queiroz e a ópera: elitismos e periferias na música”. Os interessados em participar nestas reuniões informais sobre música — a do nosso tempo, a mais antiga, a que temos à nossa volta e a de que raras vezes ouvimos falar — podem inscrever-se através de bib.marvila@cm-lisboa.pt .

 

Por fim, na sessão de Abril da Lusophonica recebemos Luzia Rocha, uma das mais dedicadas musicólogas portuguesas no âmbito da iconografia musical, para mais uma viagem radiofónica inesperada e inspiradora. Formada em Lisboa e em Innsbruck,  é autora de Cantate Dominum: Música e espiritualidade no azulejo barroco (2015) e de Ópera & caricatura: O Teatro de S. Carlos na obra de Rafael Bordalo Pinheiro (2010), tendo publicado artigos de investigação em Acta Musicologica, Studia Musicologica, Journal of Music Research e Musica Hodie.

 

Para mais informações, visite www.mpmp.pt/agenda .

Sobre o autor

Edward Ayres de Abreu

Curso Complementar de Piano no Conservatório Nacional. Licenciatura em Composição pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou sob orientação de Sérgio Azevedo e de António Pinho Vargas. Durante um ano, em programa Erasmus, frequentou o Conservatório Nacional Superior de Paris (CNSMDP). Mestre e doutorando em Ciências Musicais pela Universidade NOVA. Membro fundador e Presidente da Direcção do MPMP. Director da revista GLOSAS (números 1-15 e 20-). Distinguido com o 2.º Prémio do Concurso Otto Mayer-Serra (2017) da Universidade da Califórnia, Riverside, e o Prémio Joaquim de Vasconcelos (2019) da Sociedade Portuguesa de Investigação em Música.

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