Este agrupamento formado por instrumentos de metal e percussão nasceu em Maio de 2012. De acordo com o seu Presidente, Bruno Pascoal, tudo partiu da boa-vontade e iniciativa de um conjunto de músicos da zona centro. Uma vez que não existia nenhuma formação musical do género colmatou-se uma lacuna e prestou-se um serviço cultural à comunidade. Bruno Pascoal acrescenta que é também uma forma de haver um ponto de encontro entre professores e alunos das escolas de música e bandas filarmónicas do centro do país. O Director Artístico do projecto, Simão Francisco, acrescenta que muitos terminaram as suas licenciaturas e mestrados em instrumento e constataram que a sua vida musical estava a ficar reduzida ao ensino. Perceberam que não havia um local ou um grupo onde pudessem fazer música e trabalhar a um nível mais elevado. Constituir o The Bells Brass Ensemble foi a solução.

Numa fase mais avançada começaram a juntar-se ao grupo músicos mais jovens e ganhou-se também uma dinâmica formativa e educativa. Neste momento The Bells Brass Ensemble conta com 45 elementos com idades compreendidas entre os 16 e os 40 anos. Os elementos do sexo masculino estão em maioria, nas palavras de Simão Francisco, “quanto mais não seja por uma questão histórica do nosso país, em que os instrumentos de metal sempre foram mais associados ao sexo masculino do que ao feminino… isso ainda hoje continua, e este grupo não é excepção”.

Bruno Pascoal indica que um passo decisivo no percurso do grupo foi constituírem-se como associação, à qual preside, criada em Outubro de 2013. A partir daqui foi-se desenvolvendo uma série de actividades regulares, como é o caso de concertos e estágios de orquestra. Anualmente, em Ourém, ocorre um estágio de brass band e Orquestra.

No que diz respeito ao repertório executado, procuram tocar preferencialmente obras originais para este tipo de formação e não apenas arranjos e (ou) transcrições. Já existem obras escritas propositadamente para o grupo, como é o caso da Suite Templária (op. 23) do compositor espanhol José Blesa-Lull.

De todos os concertos realizados Bruno Pascoal destaca, precisamente, um concerto onde foi estreada a supra-mencionada Suite Templária, no Cine-Teatro de Ourém, em Janeiro de 2013. Por sua vez, Simão Francisco destaca a originalidade do projecto feito em parceira com  uma empresa de tratamento de águas residuais, a SIMLIS de Leiria. O grupo associou-se a uma campanha chamada “Esgotofonia”, com o objectivo de usar a música para alertar para os problemas da poluição da água. Nesse concerto foi estreado um instrumento novo, o “sanitofone” (bastante falado na comunicação social) sendo interessante saber que é possível associar a música em si a questões ambientais e importantes para o quotidiano das populações.

Inserido neste projecto surgiram também, recentemente, os The Bells Wood Ensemble, um grupo  de 35 elementos, só de madeiras, dirigido pelo maestro e director artístico Tiago Alves. Como não existia repertório para este tipo de formação, com excepção de uma obra de Phillip Spark, tudo se tem baseado no trabalho de arranjos feitos por Tiago Alves. Também aconteceu o caso de compositores portugueses com obras compostas que as re-orquestraram para a formação dos The Bells Wood Ensemble, como é o caso de Lino Guerreiro e da sua obra Maud’Adib.

Os The Bells Brass Ensemble tocam já no próximo sábado à noite, 28 de fevereiro, no auditório do Choral Phydellius, em Torres Novas.

Sobre o autor

Luzia Rocha

Luzia Rocha possui os graus de Licenciatura, Mestrado e Doutoramento em Ciências Musicais pela Universidade Nova de Lisboa. É investigadora no Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM) da Universidade Nova de Lisboa. É membro do ‘Study Group on Musical Iconography’ e do ‘Study Group for Latin America and the Caribbean’ (ARLAC-IMS), ambos da International Musicological Society. É colaboradora na Rede Temática em Estudos de Azulejaria e Cerâmica João Miguel dos Santos Simões do Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e no Grupo de Iconografia Musical da Universidad Complutense de Madrid/AEDOM. Trabalhou como docente na Academia de Amadores de Música, Escola Técnica de Imagem e Comunicação (ETIC), Instituto Piaget (ISEIT de Almada, também como Coordenadora da Licenciatura em Música) e na Academia Nacional Superior de Orquestra e colabora actualmente como docente na Licenciatura em Jazz e Música Moderna da Universidade Lusíada. Tem participado como oradora, por convite, em conferências nacionais e internacionais e publicado artigos em periódicos com arbitragem científica. É autora do livro "Ópera e Caricatura: O Teatro de S. Carlos na obra de Rafael Bordalo Pinheiro".

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