No próximo Sábado, dia 20 de Fevereiro, pelas 18h00, no Teatro Municipal Baltazar Dias, cidade do Funchal, teremos oportunidade de apreciar um concerto dirigido pelo maestro Rui Pinheiro com a soprano Elisabete Matos. O programa será integralmente preenchido com aberturas e árias de ópera, de compositores como Verdi, Mascagni, Boito, Ponchielli e Puccini. Será, sem dúvida, uma oportunidade única para ouvirmos esta excelente soprano portuguesa com um vastíssimo currículo e vários prémios, um prazer enorme para a Madeira e para a sua orquestra receber esta insigne artista com uma brilhante carreira internacional.


Programa

Giuseppe Verdi (1813-1901)
Abertura de Nabucco
“La luce langue”, ária de Lady Macbeth
Dança n.º 3 do 3.º acto, Macbeth
“Ecco l’orrido campo”, ária de Amélia, Un ballo in maschera

Pietro Mascagni (1863-1945)
“Intermezzo” de Cavalleria rusticana

Arrigo Boito (1842-1918)
“L’altra notte in fondo al mare”, ária de Marguerita, Mefistotele

Amilcare Ponchielli (1834-1886)
Dança das horas, La Gioconda
“Suicidio”, ária de La Gioconda

Giacomo Puccini (1858-1924)
Prelúdio do 3.º acto, Edgar
“Addio, mio dolce amor”, Edgar
“Tu, Tu, Tu, piccolo iddio”, Madama Butterfly
“Intermezzo”, de Manon Lescaut
“Vissi d’arte”, Tosca

 


 

Elisabete Matos nasceu em Caldas das Taipas, Portugal. Estudou canto e violino no Conservatório de Música de Braga. Como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, mudou-se para Espanha a fim de completar a sua formação com Ángeles Chamorro, Marimí del Pozo, Félix Lavilla e Miguel Zanetti. Estreou-se como Frasquita (Carmen) no Coliseu do Porto. Depois da sua estreia na Ópera de Hamburgo como Alice Ford (Falstaff) e Donna Elvira (Don Giovanni), papel que voltou a cantar em Lisboa, Las Palmas e Santander, participou, em 1997, na inauguração do Teatro Real de Madrid, interpretando Marigaila na estreia mundial da ópera Divinas Palabras, de Antón García Abril, ao lado de Plácido Domingo. Imediatamente é convidada por Plácido Domingo para se estrear no papel de Dolly na Washington Opera, numa nova produção de Sly, de Wolf-Ferrari, com José Carreras como protagonista. De seguida, interpretou o mesmo papel no Teatro Régio de Turim, no Japão (com a Washington Opera) e na Ópera de Roma, desta vez com Plácido Domingo no elenco. Interpretou, entre outros papéis, Chimène em Le Cid, de Jules Massenet, no Teatro de la Maestranza de Sevilha e na Washington Opera, com Plácido Domingo como Rodrigue; a protagonista de Margarita la Tornera, também com Plácido Domingo, no Teatro Real de Madrid; Elsa em Lohengrin, na sua estreia no Gran Teatre del Liceu de Barcelona; Mimí em La Bohème, no Teatro de São Carlos de Lisboa; La Voix Humaine, no Teatro da Maestranza de Sevilha, no Teatro Arriaga de Bilbao, em Jerez de la Frontera e no Teatro de Córdoba; Zazà, no Teatro Régio de Turim e na Opéra de Nice; Elisabetta di Vallois, numa nova produção de Don Carlo no Teatro Real de Madrid, no Teatro Nacional de São Carlos de Lisboa e em Palermo; La Battaglia di Legnano, no Teatro Massimo Bellini de Catania; Freia em Das Rheingold, em Turim, Ópera de Roma e Liceu de Barcelona; o papel titular de Suor Angelica, no Palau de la Música de Valência; Tosca, no Teatro La Fenice de Veneza, Teatro Massimo Bellini de Catania, em Chipre (com a Arena de Verona), no Coliseu do Porto, no Teatro de Messina, no Festival de Macerata, em Tóquio, Lisboa e Cardiff (com a Welsh National Opera); La Vida Breve, em Lisboa; Amelia Grimaldi de Simon Boccanegra, no Teatro Real e em Catania; Sieglinde em Die Walküre, na Maestranza, Centro Cultural de Belém e Liceu de Barcelona; Senta em O navio fantasma, em Nápoles, Sevilha, Madrid e Los Angeles; Katia Kabanova e Els Pirineus, no Liceu de Barcelona; Madame Lidoine de Os diálogos das carmelitas, no Teatro alla Scala de Milão, dirigida por Riccardo Muti; o papel titular de La Dolores, no Teatro Real de Madrid; Gutrune (Götterdämmerung) e Rosa (Gaudí) no Liceu de Barcelona; Amelia de O baile de máscaras em Nápoles e em Bari; Condessa de Capriccio, no Centro Cultural de Belém; Santuzza de Cavalleria rusticana, no São Carlos de Lisboa e no San Carlo de Nápoles; Abigaille (Nabucco), em Toulon, no Metropolitan de Nova Iorque e na Staatsoper de Viena; a protagonista de Norma, no Festival de Mérida e no Teatro Villamarta de Jerez; Elisabeth de Tannhäuser, no Liceu de Barcelona; Iphigénie en Tauride, no Teatro Campoamor de Oviedo e no Liceu de Barcelona; Turandot, em Antuérpia, Gante, Jerez de la Frontera, Valência, no Palau de les Arts, sob a batuta de Lorin Maazel, Oviedo e Pequim (dirigida pelo Maestro Daniel Oren); La Gioconda, em Tóquio e Roma; Minnie de La fanciulla del West, em Lucca (com o Maggio Musicale Fiorentino) e no Metropolitan de Nova Iorque; Gutrune (Götterdämmerung), com Zubin Metha, e Cassandre (Les Troyens), com Valery Gergiev, ambos no Palau de les Arts de Valência; Lady Macbeth, na Ópera Nacional do Reno (Estrasburgo). Estreou-se com grande êxito como Isolda (Tristan und Isolde) no Teatro Campoamor em Oviedo; a sua estreia em Viena (no papel de Abigaille) e na Ópera de Los Angeles (Senta), sob a batuta de James Conlon; Irene (Rienzi) no Liceu de Barcelona (papel que já estreara no Avery Fisher Hall em Nova Iorque) e com a Odissey Ópera de Boston. Após o seu grande sucesso como Minnie (La fanciulla del West) no Metropolitan Opera de Nova Iorque, voltou em 2012 no papel de Abigaille e em 2013 como Tosca, papel que interpretou recentemente no Festival Internacional de Daegu (Coreia do Sul) com a Ópera de Salerno, dirigida pelo Maestro Daniel Oren. Também com Daniel Oren interpretou Turandot no NCPA de Pequim. Interpretou Le Roi Arthus em Estrasburgo; La Gioconda no Teatro Nacional de São Carlos; Turandot no Chile, Ópera de Berlim e Capitole de Toulouse; Tosca em Palermo; Tristan und Isolde em Toulouse. Recentemente  agregou ao seu repertório o papel de Brunhilde no Teatro Campoamor de Oviedo, com grande êxito de público e critica. Para além dos teatros líricos, Elisabete Matos apresenta-se com frequência nas salas de concerto, interpretando habitualmente Lied e concerto sinfónico, num vasto repertório que vai desde Bach até à música contemporânea. Em Março de 2001, participou com Plácido Domingo, José Carreras e Mariella Devia, entre outros cantores de renome, no concerto que Zubin Mehta dirigiu em Parma em memória de Verdi, e que foi transmitido para todo o mundo. Gravou o Requiem de Suppé com o Coro e Orquestra da Fundação Gulbenkian de Lisboa, sob a direcção de Michel Corboz, para a Virgin Classics; e Margarita la Tornera, de R. Chapí, para a RTVE, com Plácido Domingo. Também com Domingo gravou em DVD a ópera Le Cid, de Massenet, com a Washington Opera. Recentemente, foi lançado em DVD O chapéu de três bicos, de Manuel de Falla, com a Chicago Symphony Orchestra, dirigida por Daniel Barenboim. Gravou também Les Troyens (Cassandre), numa produção de La Fura dels Baus do Palau de Les Arts de Valência, dirigida por Valery Gergiev. Com o Liceu de Barcelona gravou a tetralogia O Anel do Nibelungo de Wagner, interpretando os papéis de Gutrune, Freia e Dritte Norne. Foi galardoada com um Grammy em 2000 pela gravação do papel titular de La Dolores, de Bretón, com Plácido Domingo, para a Decca.

Elisabete Matos foi condecorada como Oficial e Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, e galardoada com a Medalha de Ouro de Mérito Artístico da Cidade de Guimarães. É detentora de vários prémios em concursos nacionais e internacionais, tais como o Concurso de Canto Luísa Todi e o Belvedere de Viena, entre outros. Recebeu também o prémio de final de curso Lola Rodriguez Aragón, o prémio Lyons da Lírica Italiana, o prémio Femina 2012 e o prémio Voz do Ano 2012.


 

Rui Pinheiro é Maestro Titular da Orquestra Clássica do Sul desde Janeiro de 2015. Entre 2010 e 2012 foi Maestro Associado da Orquestra Sinfónica de Bournemouth (Reino Unido), onde dirigiu mais de uma vintena de programas, destacando os Hall of Fame e as celebrações do Jubileu da Rainha Isabel II. Foi Maestro Titular da Orquestra do Conservatório Nacional (2005­‑2008) e em Londres foi Director Musical do Ensemble Serse, companhia de ópera barroca em instrumentos de época. Aí fundou o Ensemble Disquiet, dedicado à divulgação da música contemporânea portuguesa (2008­‑2010). Dirigiu as principais orquestras portuguesas. Após a sua estreia operática no Teatro Nacional de São Carlos, dirigiu este ano uma produção do Teatro de Zarzuela de Madrid. Trabalhou ainda com a Orquestra da Ópera Nacional de Gales, nos festivais Vienna ­‑ City of Dreams da Orquestra Philharmonia e nos BBC Proms­‑Plus em directo para a BBC / Radio 3. Entusiasta de música contemporânea, trabalhou com compositores como Kenneth Hesketh, Alison Kay, Augusta Read Thomas, Stephen MacNeff, Pedro Faria Gomes, Luís Soldado, Luís Tinoco, Nuno Côrte­‑Real, Isabel Soveral e Clotilde Rosa, entre outros, de quem dirigiu diversas estreias mundiais. Dirige regularmente o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa. É licenciado em Piano pela ESMAE e Mestre em Artes Musicais pela Universidade Nova de Lisboa, com uma pós­‑graduação em Piano e Música de Câmara na Academia Ferenc Liszt de Budapeste e um Mestrado em Direcção de Orquestra no Royal College of Music de Londres, onde estudou com Peter Stark e Robin O’Neill. Trabalhou ainda com Jorma Panula e Colin Metters.

Sobre o autor

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Carlos Alberto Meneses Gonçalves é Doutor em Ciências do Trabalho pela Universidade de Cádiz (Espanha), onde recebeu o Diploma de Estudos Avançados na área científica de Psicologia Social. É licenciado em Administração e Gestão Escolar e diplomado com o Curso Superior de Música (Piano e Canto). Foi professor em diversas instituições, incluindo o Conservatório de Música da Madeira, a Universidade da Madeira, o Instituto Superior de Ciências Educativas e o Instituto Politécnico de Setúbal. É investigador integrado do CIPEM (Centro de Investigação em Psicologia da Música e Educação Musical), no Instituto Politécnico do Porto, e do INET-md (Instituto de Etnomusicologia - Estudos de Música e Dança (FSCH/Universidade Nova de Lisboa). É Director de Serviços de Educação Artística e Multimédia da Secretaria Regional da Educação e Recursos Humanos do Governo Regional da Madeira.