O Grupo Vocal Olisipo irá realizar uma actuação no próximo dia 23 de Dezembro, pelas 16h00, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha, um belíssimo templo situado no coração de Lisboa. O evento, de entrada livre sujeita à lotação do espaço, inclui um programa centrado em polifonia vocal sacra para o Advento e Natal, assim como música paralitúrgica para as mesmas épocas.

O programa que o Grupo Vocal Olisipo irá apresentar na Igreja da Conceição Velha poderia muito bem integrar-se naquilo que pelo mundo hispânico se designava como ensalada, tanto no plano da diversidade de géneros como nos períodos históricos ali representados. Desta forma, o alinhamento deste concerto compõe-se de duas partes, a primeira de polifonia sacra e a segunda de polifonia e outras obras paralitúrgicas. O Alleluia, uma das obras mais conhecidas no mundo luso-hispânico de Manuel Mendes, compositor activo em Évora no final do século XVI, irá abrir o programa sacro. Segue-se um grupo de três motetes para o Advento (Amen dico vobis, Cum audisset Joannes e Omnis vallis implebitur) de Francisco José Perdigão, mestre de capela na Sé de Évora nas últimas décadas do século XVIII, constituindo muito provavelmente a estreia, ou rara interpretação moderna destas obras do compositor eborense e que estarão disponíveis em partitura brevemente através das Edições MPMP. O grupo de polifonia sacra fecha com um conjunto de obras de Estêvão Lopes Morago, compositor de origem espanhola que estudou na Sé de Évora e, mais tarde, foi mestre de capela na Sé de Viseu. Assim, de Morago surgem os responsórios para o ofício de Matinas de Natal Hodie nobis caelorum, Hodie nobis de caelo e O magnum mysterium. Deste compositor irão ser ainda interpretados os motetes para o Advento Erumpant montes, Montes Israel e Laetentur caeli.

A segunda parte do programa, mais diversificada em termos de períodos históricos, inicia com o vilancico Es nascido do compositor crúzio quinhentista D. Pedro de Cristo, de cuja morte, ocorrida em 12 de Dezembro de 1618, se comemoram este ano os 400 anos. Os cancioneiros quinhentistas estão também presentes, com Pues a Dios humano vemos, do Cancioneiro de Belém, e Riu, riu chiu do Cancioneiro de Upsala. Após estas obras encontra-se um grupo de vilancicos de autores do século XX: En Belen tocan a fuego de Ernest Cervera, Villancico Yaucano de Amaury Veray e Acalanto para o menino Jesus de Ernani Aguiar, intercaladas com uma vilanesca de Francisco Guerrero, A un niño llorando. Esta parte é rematada com algumas obras do cancioneiro popular português arranjadas por Christopher Bochmann (Boas festas e Menino Jesus à Lapa) e Mário de Sampayo Ribeiro (Natal de Elvas).

Nesta actuação, o Grupo Vocal Olisipo será composto por Elsa Corez (soprano), Maria Luísa Tavares (meio-soprano), Lucinda Gerhardt (meio-soprano), Carlos Monteiro (tenor) e Armando Possante (barítono e direcção).

Sobre o autor

Natural dos Açores, é doutorando em Musicologia na Universidade de Évora, Mestre em Ciências Musicais pela FCSH-NOVA e Licenciado em Musicologia pela Universidade de Évora. É colaborador no Pólo de Évora do CESEM e no MPMP (edições mpmp e revista glosas) e consultor do atelier de conservação e restauro Acroarte. Entre 2011 e 2012 realizou o catálogo do fundo musical do Arquivo Capitular da Sé de Angra e, entre 2014 e 2015, foi bolseiro no projecto “Orfeus”, integrando actualmente o projecto "Música Sacra em Évora no Século XVIII". Em 2012 fundou o Ensemble da Sé de Angra, em 2013 o Ensemble Eborensis com quem gravou um CD. O seu trabalho centra-se na polifonia vocal portuguesa dos séculos XVI e XVII (Sé de Évora) e a música no arquipélago dos Açores desde o povoamento até ao final do século XIX.

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