Avizinha-se mais uma edição dos Dias da Música, festival que decorre anualmente no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no último fim de semana de Abril.

Com o título As Letras da Música, o mote para o festival é a Palavra e aguardam-se concertos que espelhem as afinidades entre a Música e a Poesia, o Teatro e a Literatura, reunidos em géneros como o Lied e a Canção, a Ópera, a música programática ou a música sacra.

O programa propõe três dias, de 28 a 30 de Abril, plenos de descobertas, reencontros com intérpretes e compositores e de muitas outras actividades. Como sugestão de audição, destacamos alguns concertos. A poesia reflecte-se em vários programas, das canções trovadorescas de Martin Codax, D. Dinis e anónimos, aos quais se junta José Afonso, pelo grupo Sete Lágrimas (B14), os madrigais profanos e sacros de Palestrina sobre poemas de Petrarca, pelo Vocal Ensemble, dirigido por Vasco Negreiros (B23), a poesia do Romantismo, com Rückert Lieder e Canções de um Viandante de Mahler, pelo barítono Luís Rodrigues e ensemble o Melleo Harmonia (B8), a Ode à Alegria de Schiller no final brilhante da Sinfonia n.º 9, Coral, de Beethoven (C4), Winterreise de Schubert, sobre poemas de Wilhelm Müller, em versão para tenor e orquestra de câmara com direcção de Bruno Borralhinho e a voz de Lothar Odinius (B11), Manfred – a dramatic poem de Byron e Les Paradis artificiels de Baudelaire, ambos musicados por Luiz de Freitas Branco em A morte de Manfred (C11) e o poema sinfónico Paraísos Artificiais (B2), ou canções de Sérgio Godinho, interpretadas pelo próprio com Filipe Raposo ao piano (B26). O teatro de Shakespeare, com a Abertura Romeu e Julieta de Tchaikovsky (B2), cena da varanda de Romeo et Juliette de Gounod (B4) e 10 peças a partir de Romeu e Julieta de Prokofiev (B7), Egmont de Goethe na composição de Beethoven, de que habitualmente se interpreta apenas a abertura, pela Orquestra de Câmara Portuguesa dirigida por Pedro Carneiro (B3), Le Bourgeois Gentilhomme de Molière e Lully, pelo Ludovice Ensemble (C8), excerto de Serrana de Keil, pelo Quarteto Vintage (B13), O rapaz de Bronze, de Nuno Côrte-Real com libreto a partir de conto de Sophia de Mello Breyner Andresen, pelo Ensemble Darcos (B10), a ópera de câmara de Alexandre Delgado, Tríptico Camoneano, baseada na farsa de Raúl Brandão, pelo Toy Ensemble (C6), ou Peer Gynt nas versões de Grieg e de Carrapatoso, a partir do drama de Ibsen (C15).

O texto sacro encontra-se na música de João Domingos Bomtempo, com o Requiem à memória de Camões interpretado pelo Ensemble e Coro MPMP dirigido por Jan Wierzba (C3), de J. S. Bach em Paixão Segundo S. João, pelo Coro e Orquestra XXI (B6), ou de Haydn com As Sete Últimas Palavras de Cristo, pelo Allis Ubbo Ensemble (C18). Por último, encontram-se também concertos dos quais as palavras estão ausentes, como o recital para piano de Luísa Tender com algumas peças do ciclo Canções sem palavras de Mendelssohn (B18), Poemas do Monte, Op. 3, de Luiz Costa, 3 Poemas em ProsaOp. 27, de Cláudio Carneyro, e Glosas, de Fernando Lopes-Graça, por António Rosado (C16), a Sonata para violino e piano n.º 9, Op. 47, de Beethoven, que inspirou a novela Sonata Kreutzer de Tolstoi (B17), ou um arranjo de Peter Liechtental para quarteto de cordas do Requiem de Mozart (B22).

Paralelamente, nos dias 29 e 30 de Abril, há também música nos coretos do Centro Cultural de Belém e o ciclo Há Conversa, e, para os mais novos, várias actividades no espaço Fábrica das Artes a partir do conto A menina e o Mar de Sophia de Mello Breyner Andresen e da Balada (das vinte meninas friorentas) de Matilde Rosa Araújo.

Os bilhetes para os Dias da Música já se encontram à venda. Consulte toda a programação e outras informações aqui.

Sobre o autor

Mariana Calado

Mariana Calado encontra-se a realizar o Doutoramento em Ciências Musicais Históricas focando o projecto de investigação no estudo de aspectos dos discursos e das sociabilidades que caracterizam a crítica musical da imprensa periódica de Lisboa entre os finais da I República e o estabelecimento do Estado Novo (1919-1945). Terminou o Mestrado em Musicologia na FCSH/NOVA em 2011 com a apresentação da dissertação "Francine Benoît e a cultura musical em Portugal: estudo das críticas e crónicas publicadas entre 1920's e 1950". É membro do SociMus – Grupo de Estudos Avançados em Sociologia da Música, NEGEM – Núcleo de Estudos em Género e Música e do NEMI – Núcleo de Estudos em Música na Imprensa, do CESEM. É bolseira de Doutoramento da FCT.

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