O Estúdio de Ópera da Escola Superior de Música de Lisboa leva à cena duas récitas nos dias 6 e 7 de Março, pelas 21h00, da ópera Ester, na sala principal do Teatro Municipal São Luiz. Esta é uma co-produção entre a Escola Superior de Música de Lisboa / Instituto Politécnico de Lisboa e o São Luiz Teatro Municipal com o apoio do Teatro Nacional de São Carlos, Teatro Nacional D. Maria II e Antena 2.

Com libreto de Gaetano Martinelli, Ester conta com música de António Leal Moreira (1758-1819) e com a Lamentação 1.ª de Quinta-feira Santa do compositor Diogo Dias Melgaz (ca. 1638-1700), cujas várias secções serão cantadas ao longo da ópera, actuando como a Lamentação de Jeremias que o povo de Israel (coro) canta ao longo da obra, uma das primeiras obras escritas por compositores ligados à Sé de Évora em que são indicadas partes instrumentais obrigadas. Há ainda música de Sara Ross: Alentos. Segundo a compositora, “breves reflexos musicais inseridos na narrativa e concebidos como um gesto de amplificação dos estados de alma”, não tendo “intenção de adicionar mais à narrativa, mas sim criar espaços onde esta possa entrar em si própria”.

Com a direcção artística de Nicholas McNair, que editou e preparou musicalmente este espectáculo, o elenco é composto pela meio-soprano Carolina Figueiredo (como Assuero, Rei da Pérsia), da soprano Patrycja Gabrel (como Ester, Rainha), o tenor Pedro Cachado (como Aman, Primeiro-Ministro), o contratenor Manuel Brás da Costa (como Mardoqueu, tio da Rainha), a soprano Rita Marques (como Harbona, confidente do Rei) e o tenor Pedro Matos (como Athach, Eunuco da Rainha). A estes junta-se o Coro e Orquestra do Estúdio de Ópera da Escola Superior de Música de Lisboa, dirigidos por Jan Wierzba. A direcção teatral está a cargo de Luca Aprea.

 

 

O Estúdio de Ópera da Escola Superior de Música de Lisboa assume-se como “um espaço criativo onde alunos e profissionais se encontram e partilham, de forma inovadora, a criação de projectos nas áreas da música, teatro e artes performativas”. Tem como objectivo contribuir para a revitalização de aspectos da ópera, através de novas correntes teatrais e técnicas de improvisação, conjugando um trabalho de investigação no sentido de “trazer à luz surpresas do passado”, como é o caso da ópera Ester de António Leal Moreira. Este é o segundo projecto do Estúdio, que em Setembro de 2012 apresentou a ópera Páris e Helena de Christoph W. Gluck, também no São Luiz.

Sobre o autor

Natural dos Açores, é doutorando em Musicologia na Universidade de Évora, Mestre em Ciências Musicais pela FCSH-NOVA e Licenciado em Musicologia pela Universidade de Évora. É colaborador no Pólo de Évora do CESEM e no MPMP (edições mpmp e revista glosas) e consultor do atelier de conservação e restauro Acroarte. Entre 2011 e 2012 realizou o catálogo do fundo musical do Arquivo Capitular da Sé de Angra e, entre 2014 e 2015, foi bolseiro no projecto “Orfeus”, integrando actualmente o projecto "Música Sacra em Évora no Século XVIII". Em 2012 fundou o Ensemble da Sé de Angra, em 2013 o Ensemble Eborensis com quem gravou um CD. O seu trabalho centra-se na polifonia vocal portuguesa dos séculos XVI e XVII (Sé de Évora) e a música no arquipélago dos Açores desde o povoamento até ao final do século XIX.

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