Hoje, pelas 17 horas, estreou-se no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém uma nova obra de António Pinho Vargas, o Concerto para violino e orquestra, composta entre 2014 e 2015 como homenagem à memória de Gareguin Aroutiounian (1951-2014), falecido violinista arménio que foi professor e colega de António Pinho Vargas na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML), bem como solista na Orquestra Gulbenkian.

A produção da obra foi sendo acompanhada pela discípula de Gareguin Aroutinounian, Tamila Kharambura, violinista de ascendência ucraniana, vencedora do Prémio Jovens Músicos em 2011, actualmente residente em Viena e responsável pela estreia absoluta da obra como solista. De acordo com o compositor, o seu contacto com a Europa de Leste levou-o a compreender uma “diferença cosmopolita”, bem como a relevância do trabalho de músicos dessa zona geográfica para o enriquecimento das orquestras e do ensino da música em Portugal nos últimos vinte anos.

A obra, encomendada pelo Centro Cultural de Belém, tem quatro andamentos, sendo que os dois últimos são executados sem interrupção. O último, segundo Pinho Vargas, repartido por “Allegro, transição e Lamento”, “resume, talvez, o sentido da dedicatória e da sua lição”.

A estreia do Concerto para violino e orquestra de António Pinho Vargas integrou um concerto da Orquestra Metropolitana de Lisboa e das Voces Caelestes, em que foi igualmente apresentada a Sinfonia n.º 9, Op. 125, “Coral”, de Ludwig van Beethoven, contando também com a participação dos solistas Liliana Nogueira, soprano, Cátia Moreso, meio-soprano, Marco Alves dos Santos, tenor, e José Corvelo, barítono. O concerto foi dirigido por Garry Walker e por Sérgio Fontão, maestro do coro.

Sobre o autor

Isabel Pina

Isabel Pina é doutoranda e bolseira de doutoramento em Ciências Musicais Históricas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, interessando-se principalmente pelo estudo da história da música em Portugal nos séculos XIX e XX, música e ideologia, nacionalismo, análise e semiótica musical, e imprensa e crítica musical. Concluiu o mestrado em Ciências Musicais tendo apresentado a dissertação “Neoclassicismo, nacionalismo e latinidade em Luís de Freitas Branco, entre as décadas de 1910 e 1930”. É actualmente voluntária na Biblioteca Nacional de Portugal, tendo estagiado no Museu da Música. Enquanto colaboradora do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM), é membro do Grupo de Teoria Crítica e Comunicação, do SociMus (Grupo de Estudos Avançados em Sociologia da Música), e co-fundadora do Núcleo de Estudos em Música da Imprensa.

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