Aleijadinho, António Francisco Lisboa, é considerado o artista e arquitecto mais importante do período colonial brasileiro, sempre trabalhando com arte sacra em diversas cidades hoje chamadas “históricas” de Minas Gerais, como Mariana e São João del-Rei. É surpreendente que, apesar de sua importância, haja tão poucas produções artísticas sobre a sua vida, o que deve ser compreendido à luz da falta de documentações históricas claras.

Sabe-se que nasceu por volta de 1738 e morreu em 1814. Teria vivido em Ouro Preto com a família do seu pai, de quem era filho bastardo, o arquitecto português Manuel Francisco Lisboa (?-1767).

Nasce agora uma nova ópera. Em três actos, concentra-se nos momentos finais da vida do artista: os de uma doença grave que deforma os membros de seu corpo, principalmente suas mãos, os da rejeição do seu filho, os da sua morte. A trama tem um contexto narrativo livre e inclui personagens da vida pessoal de Aleijadinho, como seu filho Manuel, sua nora Joana e seus escravos Firmino, Maurício e Januário, mas também personalidades famosas da vida política e cultural de Minas Gerais do século XVIII e XIX, como os poetas Thomás António Gonzaga e Alvarenga Peixoto e o compositor Lobo de Mesquita.

Com música composta por Ernani Aguiar, sobre libreto de André Cardoso, terá sua estreia no dia 29 de Abril, em Ouro Preto, ao ar livre, precisamente em frente da Igreja de São Francisco, em Ouro Preto. Esta igreja é obra de Aleijadinho, foi terminada em 1766 e restaurada por ele entre os anos de 1770 e 1790. O edifício é considerado um dos mais importantes ícones do barroco brasileiro.

Ernani Aguiar foi professor de regência do Instituto Villa-Lobos da UNIRIO e é professor da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como investigador, tem-se dedicado à música brasileira do período colonial. O barítono Jonny França fará Aleijadinho e a soprano Luanda Siqueira foi escalada para o papel de Joana. O coro, orquestra e balé do Palácio das Artes de Belo Horizonte (para onde a ópera seguirá entre 14 e 20 de Maio) terão a regência do maestro Sílvio Viegas.

Sobre o autor

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Diplomada pela Universidade de São Paulo, onde se licenciou em História, concluindo o mestrado e o doutoramento em Arqueologia e integrando o LARP, Laboratório de Arqueologia Romana Provincial, enquanto Supervisora de Programas e Pesquisas. Foi docente de História da Arte em diversas instituições universitárias e no MASP, Museu de Arte de São Paulo. Realizou o estágio doutoral no Collège de France, Paris, especializando-se depois em Gestão Cultural no SENAC, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, e concluindo o mestrado em Empreendedorismo e Estudos da Cultura — Património no ISCTE, Lisboa, tendo neste âmbito sido distinguida com um Prémio de Excelência Académica.