Arranca hoje, 3 de Julho, a sétima edição do Festival ao Largo, em Lisboa. No palco a céu aberto no Largo de São Carlos sucedem-se até 25 de Julho concertos ao alcance de qualquer interessado.

A Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos, sob a direcção de Joana Carneiro, fazem as honras da casa e abrem o festival com dois concertos em viagem pelos musicais da Broadway, contando para isso com a participação do soprano Sofia de Escobar, e terminando com as impressões de Antonín Dvořák sobre a América expressas na sua Sinfonia “Novo Mundo”.

Comparando com anos anteriores, a música de compositores portugueses parece ter este ano mais expressão, pelo que destaco as obras que serão interpretadas. Na noite de 10 de Julho, em “Diálogo com o Oriente” e a música tradicional de Java e do Bali, Indonésia, poder-se-á ouvir em estreia mundial Cycles, para yogistragong e quarteto de arcos, da autoria de Nuno Côrte-Real, e o primeiro acto de O Deus do Vulcão, com música de Tiago Cabrita e libreto de António Pacheco. A Suíte das Descobertas, de Armando Mota, estreada em 2010 por encomenda da Câmara Municipal de Lagos para celebrar o 550 anos sobre a morte do Infante D. Henrique, será ouvida no concerto de 11 de Julho. Também irá soar na noite lisboeta a Abertura Sinfónica n.º 3 e o quarto andamento da Sinfonia n.º 4 de Joly Braga Santos, e The rise 2351 de Helder Bettencourt. O programa dos festejos completa-se com música de Joahannes Brahms, Felix Mendelssohn, Richard Wagner, Edward Elgar, Johann Strauss, Piotr Tchaikovsky e César Franck, entre outros. O programa integral pode ser consultado na página do 7.º Festival ao Largo Millenium BCP em http://www.festivalaolargo.pt/.

Os últimos dias do festival são entregues à Companhia Nacional de Bailado, como já vem sendo costume. Nas noites de 23, 24 e 25 de Julho a companhia apresenta em palco o programa de homenagem ao Ballet Gulbenkian com as criações Treze gestos de um corpo, coreografia de Olga Roriz, Será que é uma estrela, coreografia de Vasco Wellenkamp, e Minus 16, coreografia de Ohad Naharin. Repetem assim o programa que esteve em cena no Teatro Camões em Março deste ano, e que ainda neste mês de Julho é também levado ao palco do Teatro Joaquim Benite, em Almada,

Em celebração da juventude, parte da programação do Festival ao Largo é consagrado às gerações mais novas, na mesma altura em que se realiza em vários espaços da cidade o International Youth Lisbon Music Fest. Cruzar-se-ão no Largo de São Carlos a Orquestra da Universidade de Louvain-la-Neuve, a Orquestra Juvenil da Irlanda, a Orquestra Sinfónica Juvenil, o Coro Juvenil de Lisboa e a Orquestra de Sopros do Conservatório do Montijo. No âmbito desta celebração, Maria Cristina de Castro, cantora e professora de canto, será homenageada a título póstumo nos concertos de 17 e 18 de Julho. O festival presta igualmente tributo às carreiras de Elsa Saque e de Álvaro Mata no concerto de 8 de Julho.

Os concertos são sempre às 21h30, excepto os da Companhia Nacional de Bailado, que iniciam às 22h. Aconselha-se a chegar com antecedência para tentar garantir lugar sentado, ou com boa visibilidade, até porque as primeiras filas da plateia improvisada estarão reservadas a convidados e a representantes das instituições organizadoras e mecenas.

A RTP2 transmitirá em directo alguns dos concertos, nomeadamente o de abertura (os concertos a serem transmitidos por televisão estão indicados no programa). Chamo a atenção aos leitores da glosas de Santarém e Évora, que poderão assistir à projecção em directo e a partir da transmissão da RTP2 de alguns concertos, e assim aproximarem-se um pouco do convívio vivido no Largo de São Carlos. Em Santarém as projecções decorrem nos dias 3, 10 e 17 de Julho, no Largo Visconde Serra do Pilar, e em Évora nos dias 10 e 17 de Julho, na Praça do Sertório.

Sobre o autor

Mariana Calado

Mariana Calado encontra-se a realizar o Doutoramento em Ciências Musicais Históricas focando o projecto de investigação no estudo de aspectos dos discursos e das sociabilidades que caracterizam a crítica musical da imprensa periódica de Lisboa entre os finais da I República e o estabelecimento do Estado Novo (1919-1945). Terminou o Mestrado em Musicologia na FCSH/NOVA em 2011 com a apresentação da dissertação "Francine Benoît e a cultura musical em Portugal: estudo das críticas e crónicas publicadas entre 1920's e 1950". É membro do SociMus – Grupo de Estudos Avançados em Sociologia da Música, NEGEM – Núcleo de Estudos em Género e Música e do NEMI – Núcleo de Estudos em Música na Imprensa, do CESEM. É bolseira de Doutoramento da FCT.

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