Tem início esta semana a segunda edição do Festival de Música Religiosa de Guimarães, que decorrerá em vários locais desta cidade até ao dia 16 de Abril. Este festival, que decorre durante a Semana Santa, propõe concertos diários, assim como vários cursos, exposições entre outras actividades que, de acordo com o director artístico, José Maria Pedrosa Cardoso, oferece “de uma forma intensa o desfrute da grande música que foi composta ao longo dos séculos sob o signo da religião”.

O festival inicia-se no dia 2 de Abril com a celebração de uma missa campal no exterior da Igreja dos Santos Passos, pelas 16h00, com a participação da Orquestra de Sopros da Academia Bernardo Valentim Moreira de Sá, do Grupo Coral de Azurém, Orfeão de Guimarães, Grupo Coral de Ponte e Capella Jubilemus.

A abertura oficial está agendada para a manhã de 8 de Abril, pelas 11h00, com a inauguração da exposição A Paixão de Guimarães, que consiste num percurso pelas igrejas, passos da Paixão e museus da cidade onde o visitante poderá encontrar peças artísticas relacionadas com a Paixão. No mesmo dia, pelas 19h00, ocorrerá o primeiro concerto do festival com um recital de órgão por Daniel Ribeiro na Igreja dos Capuchos, com obras de Bach, Frescobaldi, Kuhnau, Seixas e Pachelbel.

No Domingo, dia 9, pelas 17h00, o agrupamento espanhol Vox Stellae irá apresentar o programa Quaresma e Semana Santa nas Catedrais de Santiago e Tui, na Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, com obras de García Benayas, Diego Muelas, Diego Verdugo, e outro repertório relacionado com estas duas catedrais espanholas. Às 21h30, o Coro e Orquestra da Universidade do Minho irão apresentar The Armed Man – A Mass for Peace, de Karl Jenkins, na Igreja de São Francisco.

Para o dia 10 está agendada uma conferência proferida por Nuno Saldanha sobre “Tradição e Modernidade – O Concílio de Trento e a Iconografia Pós-tridentina”, na Sociedade Martins Sarmento, pelas 18h30. A Igreja de Nossa Senhora da Oliveira volta a receber novo concerto, pelas 21h00, com a actuação do Coral Ensaio e o barítono Carlos Meireles acompanhados pelo organista António Mário Costa, sob direcção de José Abel Carriço, apresentando Via Crucis S 53 de Franz Liszt.

A Associação Comercial e Industrial de Guimarães receberá no dia 11 de Abril, com início pelas 10h00, um curso breve de introdução ao Canto Gregoriano orientado pelo Coro Solemnis. No mesmo dia, pelas 18h30, o musicólogo Manuel Pedro Ferreira irá proferir uma conferência na Sociedade Martins Sarmento sobre “O som que preenche a igreja: facetas do antigo canto litúrgico”. Pelas 21h30, na Igreja de S. Francisco, a Orquestra Barroca da Casa da Música, dirigida ao cravo por Laurence Cummings, com os solistas Mónica Monteiro (soprano) e Pedro Castro (oboé), apresentam o programa O Pranto de Maria, com obras de Antonio Vivaldi, Tomaso Albinoni e Pieter Hellendaal.

O Ensemble Vilancico apresentará no dia 12, pelas 21h30, na Igreja da Misericórdia o programa A Paixão Polifónica de Guimarães, com uma Paixão segundo São Mateus, de autor desconhecido do final do século XVI, e os Bradados da Paixão segundo São Mateus do compositor crúzio D. Pedro de Cristo. No dia seguinte, com início pelas 18h30, a Igreja de Nossa Senhora da Oliveira receberá um momento musical gregoriano pelo Coro Solemnis com rubricas provenientes da Liturgia para a Semana Santa, seguindo-se a participação na Missa In Coena Domini.

No dia 14, pelas 17h00, a orquestra barroca Divino Sospiro apresenta-se na Igreja de São Francisco com o programa Harmonia Ibérica da Paixão, compreendendo as obras Siete Palabras de Cristo en la Cruz de Francisco Javier García Fajer e o Stabat Mater de José Joaquim dos Santos. Serão solistas Bárbara Barradas (soprano), Lucia Napoli (mezzo-soprano) e André Baleiro (baixo). No mesmo dia, pelas 22h00, será apresentada a Sinfonia n.º 2 em Si bemol maior, “Lobgesang” de Felix Mendessohn-Bartholdy, no Centro Cultural Vila Flor, com os solistas Ana Maria Pinto (soprano), Margarida Reis (mezzo-soprano) e André Lacerda (tenor), a Orquestra de Guimarães e os coros Ensemble Vocal Pró-Música e Coro Valentim Moreira de Sá, dirigidos por Vítor Matos.

No Sábado, dia 15, a Sociedade Martins Sarmento acolhe, pelas 17h00, um recital do pianista José Eduardo Martins, que interpretará obras de Johann Kuhnau, Eurico Carrapatoso, Almeida Prado e Franz Liszt. O festival encerrará no dia 16 com um concerto na Igreja de S. Francisco pelas 17h00, onde o Orfeão de Guimarães, dirigido ao órgão por José Carlos Azevedo, irá interpretar a Missa Alemã de Franz Schubert, entre outras obras da música sacra ocidental.

Esta será, pois, mais uma edição do festival com uma notória aposta na música sacra, nas suas mais diversas expressões, através de um programa diversificado que vai desde o canto gregoriano até à utilização da temática sacra em obras instrumentais, englobando um vasto período histórico desde a Idade Média ao século XXI.


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Sobre o autor

Natural dos Açores, é doutorando em Musicologia na Universidade de Évora, Mestre em Ciências Musicais pela FCSH-NOVA e Licenciado em Musicologia pela Universidade de Évora. É colaborador no Pólo de Évora do CESEM e no MPMP (edições mpmp e revista glosas) e consultor do atelier de conservação e restauro Acroarte. Entre 2011 e 2012 realizou o catálogo do fundo musical do Arquivo Capitular da Sé de Angra e, entre 2014 e 2015, foi bolseiro no projecto “Orfeus”, integrando actualmente o projecto "Música Sacra em Évora no Século XVIII". Em 2012 fundou o Ensemble da Sé de Angra, em 2013 o Ensemble Eborensis com quem gravou um CD. O seu trabalho centra-se na polifonia vocal portuguesa dos séculos XVI e XVII (Sé de Évora) e a música no arquipélago dos Açores desde o povoamento até ao final do século XIX.

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