Já está a decorrer a 27.ª temporada do Festival Música em São Roque, promovido pela Direcção de Cultura da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O concerto inaugural do festival esteve a cargo do Coro Gulbenkian, que esgotou a Igreja de São Roque no passado dia 17 de Outubro a interpretar obras de J. S. Bach. A este seguiram-se mais dois concertos: a 18 de Outubro o Ensemble Bonne Corde apresentou música sacra portuguesa de finais do século XVIII e, no dia seguinte, Ana Barros (soprano) e Isabel Sá (pianista) interpretaram peças de António Pinho Vargas, Sérgio Azevedo e Edward Ayres d’Abreu.

A 27.ª temporada prossegue na próxima sexta-feira, 23 de Outubro, às 21h, com um programa de descoberta de repertório sacro português. O Ensemble MPMP, com Jan Wierzba (direcção), Eduarda Melo (soprano), Marco Alves dos Santos (tenor) e Tiago Matos (barítono), levam à Igreja de São Roque três obras raramente tocadas de três compositores portugueses, num projecto intitulado “Três Missas Breves”. Serão interpretadas em estreia moderna uma Missa de Francisco Norberto dos Santos Pinto (1815–1860) e uma Missa de Francisco de Freitas Gazul (1842-1925), e ainda a Petite messe naïve, pas solennelle de Eurico Carrapatoso (1962-).

 

 

No sábado, o grupo Vozes Alfonsinas recua até ao tempo de D. João III, dando continuidade ao seu projecto de recuperação e partilha do património musical mais antigo. Na primeira parte escutar-se-á música do ofício comemorativo da trasladação de S. Vicente para a Sé de Lisboa, de um fragmento medieval descoberto em 2010 no arquivo da Casa da Moeda e que constitui o único testemunho conhecido da liturgia medieval da Catedral de Lisboa com música e música de origem litúrgica, retirada do livro Arte para Tanger, de Gonçalo de Baena, publicado em Lisboa em 1540, e o primeiro livro impresso na Península Ibérica dedicado à música de tecla. A segunda parte do concerto será preenchida com a interpretação de canções profanas e peças instrumentais de autores como Luís Milán e Luís de Narváez, que viveram na primeira metade do século XVI, e anónimos.

Da mesma época chegam mais duas propostas: o grupo Capella Duriensis irá apresentar música polifónica portuguesa dos séculos XVI e XVII, no dia 30 de Outubro, às 21h, na Igreja de São Roque, enquanto que o Officium Ensemble irá interpretar a magnífica missa Et ecce terraemotus, para doze vozes, de Antoine Brumel (1460-1520), no mesmo dia em que passam 260 anos sobre o terramoto que assolou Lisboa, 1 de Novembro, no Convento de São Pedro de Alcântara, às 16h30.

Até 8 de Novembro será ainda possível escutar o grupo L’Effetto Ensemble em obras para guitarra e voz, a 25 de Outubro pelas 16h30, o pianista António Rosado interpretando Fernando Lopes-Graça (1906-1994) a 31 de Outubro também às 16h30, a Orquestra Metropolitana de Lisboa e o coro da Universidade Nova de Lisboa a 6 de Novembro às 21h, e ainda, a fechar o festival, dois concertos por alunos da Escola de Música Nossa Senhora do Cabo e da Escola Superior de Música de Lisboa.

Paralelamente aos concertos, realizam-se ateliês dirigidos ao público infantil, “As cores da música!” e “Escultura sonora!”. Nos dias do festival são também promovidas visitas guiadas aos espaço onde decorrem os concertos e também à exposição temporária “De Roma para Lisboa: um Álbum para o Rei Magnânimo”, patente no Museu da São Roque. Tanto as visitas como os ateliês estão sujeitos a marcação prévia.

Os bilhetes para os concertos encontram-se à venda na bilheteira do Museu de São Roque e nos locais dos concertos até meia hora antes do seu início. Para mais informações consulte o sítio oficial: 27.ª Temporada Música em São Roque.

Sobre o autor

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Mariana Calado encontra-se a realizar o Doutoramento em Ciências Musicais Históricas focando o projecto de investigação no estudo de aspectos dos discursos e das sociabilidades que caracterizam a crítica musical da imprensa periódica de Lisboa entre os finais da I República e o estabelecimento do Estado Novo (1919-1945). Terminou o Mestrado em Musicologia na FCSH/NOVA em 2011 com a apresentação da dissertação "Francine Benoît e a cultura musical em Portugal: estudo das críticas e crónicas publicadas entre 1920's e 1950". É membro do SociMus – Grupo de Estudos Avançados em Sociologia da Música, NEGEM – Núcleo de Estudos em Género e Música e do NEMI – Núcleo de Estudos em Música na Imprensa, do CESEM. É bolseira de Doutoramento da FCT.