Terá lugar no Museu de Évora, entre os dias 10 e 13 de Janeiro de 2017, uma formação em construção de corneta histórica. Numa organização conjunta entre a Direcção Regional de Cultura do Alentejo, a Associação Eborae Musica e o Museu de Évora, serão formadores Andrew Hallock e Sam Goble, instrumentistas e pedagogos deste instrumento.

A formação inclui todos os materiais e ferramentas necessários, ficando os participantes na posse do instrumento construído, que será uma corneta soprano curva afinada em 440 hz ou 465 hz. Para o primeiro dia está prevista uma introdução ao instrumento, com a escultura de ambos os lados da peça a partir de uma prancha de madeira. No segundo dia será trabalhada a raspagem e acabamento interior, assim como a colagem das duas peças que compõem o tubo do instrumento. No terceiro dia irá finalizar-se o exterior da peça procedendo-se à gravação de padrões decorativos, terminando no quarto dia com a aplicação do acabamento exterior, a perfuração e afinação da peça.

Mais informações no sítio da Associação Eborae Musica.


ANDREW HALLOCK estudou construção de instrumentos de sopro em Haia com Paul Beekhuizen e corneta em Antuérpia com Marleen Leicher e em Bremen com Gebhard David. Possui o diploma em Composição pela Universidade do Texas e em Canto pelo Real Conservatório de Haia. Hallock iniciou a construção de cornetas em 2010, tendo viajado pela Europa e Estados Unidos da América, onde visitou exposições e Museus para melhor compreender as particularidades deste instrumento. Desde Junho de 2016 que tem vindo a organizar cursos de construção de corneta histórica com o intuito de permitir aos participantes a construção da sua própria corneta a partir de modelos históricos. Enquanto cantor, tem colaborado regularmente com o ensemble Capella Pratensis.

SAM GOBLE é um conceituado instrumentista de corneta histórica do Reino Unido. Estudou no Trinity College of Music com Richard Thomas e Jeremy West. Para além de corneta histórica tem também estudado outros instrumentos da família como a corneta muda, corneta tenor ou cornetinha e instrumentos como a gaita de foles, trompete natural, sacabuxa e charamela. Integra o grupo QuintEssential, tocando regularmente com agrupamentos de música antiga como Cantus Kolln, Academy of Ancient Music, Gabrieli Consort and Players, Dufay Collective, Musica Fiata, Orchestra of the Age of Enlightenment, English Conert, I Fagiolini e Monteverdi Choir and Orchestra. Tem vindo a construir cornetas históricas desde 2008, sob a orientação de Nicholas Perry, assim como bocais para corneta, serpentão e trompete barroca baseadas ou copiadas das originais, trazendo novas ideias quanto ao som e capacidades destes instrumentos. Alguns destes bocais podem ser vistos na colecção do Museu de Instrumentos Musicais de Edimburgo. Para além da actividade como instrumentista, mantém actividade como pedagogo ensinando corneta e sacabuxa em Berlim, Dartington International Summer School, tendo também ensinado corneta nas universidades de Hull e East Anglia.

Sobre o autor

Natural dos Açores, é doutorando em Musicologia na Universidade de Évora, Mestre em Ciências Musicais pela FCSH-NOVA e Licenciado em Musicologia pela Universidade de Évora. É colaborador no Pólo de Évora do CESEM e no MPMP (edições mpmp e revista glosas) e consultor do atelier de conservação e restauro Acroarte. Entre 2011 e 2012 realizou o catálogo do fundo musical do Arquivo Capitular da Sé de Angra e, entre 2014 e 2015, foi bolseiro no projecto “Orfeus”, integrando actualmente o projecto "Música Sacra em Évora no Século XVIII". Em 2012 fundou o Ensemble da Sé de Angra, em 2013 o Ensemble Eborensis com quem gravou um CD. O seu trabalho centra-se na polifonia vocal portuguesa dos séculos XVI e XVII (Sé de Évora) e a música no arquipélago dos Açores desde o povoamento até ao final do século XIX.

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