As cidades de Badajoz e Évora receberão, nos próximos dias 10 e 11 de Fevereiro respectivamente, concertos pelo Grupo Vocal Olisipo. Este agrupamento actuará em Badajoz no dia 10 de Fevereiro, integrado na segunda edição do ciclo Juan Vázques, músico natural de la ciudad de Badajoz…, realizando o concerto no Salón de Plenos de Diputación, pelas 20h00. Com o título Polifonía mortuária en la frontera lusitana, este é o segundo concerto da Programación Lírica Extremeña para o ano de 2017, incluído ainda nas actividades para o desenvolvimento do Plan de Acción “Extremadura y su Música”, que conta com o apoio da Fundación Caja Badajoz, da Junta de Extremadura, da Fundación Extremeña de la Cultura e da Diputación Provincial de Badajoz.

No dia 11 de Fevereiro será a vez de Évora receber este agrupamento vocal, num concerto que terá lugar no Convento dos Remédios, pelas 18h00. O concerto, com o título Requiem Ibérico, é organizado pela Associação Musical de Évora – Eborae Musica, com o apoio da Câmara Municipal de Évora, Diário do Sul, DianaFM e Antena 2.

Para estes concertos, o Grupo Vocal Olisipo é composto por Elsa Cortez (soprano), Lucinda Gerhardt (mezzo), Carlos Monteiro (tenor) e Armando Possante (barítono), director do grupo. A primeira parte do programa destes será composta pelos nove responsórios para o ofício de Matinas de Sexta-Feira Santa do compositor Francisco Martins, mestre de capela da Sé de Elvas. A segunda parte centra-se num Officium Defunctorum idealizado, que inclui secções do compositor natural de Badajoz Juan Vázquez (Introitus, Kyrie, Tractus, Offertorium, Sanctus e Agnus Dei) e de compositores portugueses com relações com a cidade de Badajoz, como é o caso de Estêvão de Brito (Graduale e Communio). O programa ainda inclui o motete pro defunctis Versa est in luctum do compositor de nascimento espanhol Estêvão Lopes Morago (aluno na Sé de Évora e mestre de capela da Sé de Viseu), fechando com os responsórios Absolve, Domine de Juan Vázquez e Libera me de Frei Manuel Cardoso.

Fundado e dirigido desde 1988 por Armando Possante, o trabalho do Grupo Vocal Olisipo abrange repertórios vastos e eclécticos, estendendo-se desde a Idade Média até à Contemporaneidade. Este agrupamento tem estreado obras de compositores como Bob Chilcott, Ivan Moody, Christopher Bochmann, Eurico Carrapatoso, Vasco Mendonça e Luís Tinoco, entre outros. Em Outubro passado estreou em França obras de António Pinho Vargas, Carlos Marecos, Edward Ayres d’Abreu, Nuno Côrte-Real e Sérgio Azevedo, entre outros compositores portugueses, no âmbito do Festival Guitar’Essonne. Tem vindo a trabalhar com grupos de prestígio internacional como o Hilliard Ensemble e The King’s Singers. Conquistou uma menção honrosa no Concurso da Juventude Musical Portuguesa e primeiro prémio nos concursos International May Choir Competition (Varna, Bulgária), Tampere Choir Festival (Finlândia), 36.º Concorso Internazionale C. A. Seguizzi (Gorizia, Itália) e 5.º Concorso Internazionale di Riva del Garda (Itália). O grupo tem-se apresentado por todo o País e colaborado com vários outros grupos de Música Antiga, como também de Música Contemporânea, e as orquestras Sinfónica Juvenil, Filarmonia das Beiras e Metropolitana de Lisboa, entre outros agrupamentos. Tem-se apresentado também em Inglaterra, Canadá e, mais recentemente, em Singapura. Paralelamente à actividade concertística, tem gravado CDs de polifonia vocal sacra portuguesa de compositores como Estêvão de Brito, Estêvão Lopes Morago, Manuel Cardoso e Francisco Martins, mas também de obras mais recentes, como é o caso das Cantatas Maçónicas de Wolfgang A. Mozart e do Magnificat de Eurico Carrapatoso.

Sobre o autor

Natural dos Açores, é doutorando em Musicologia na Universidade de Évora, Mestre em Ciências Musicais pela FCSH-NOVA e Licenciado em Musicologia pela Universidade de Évora. É colaborador no Pólo de Évora do CESEM e no MPMP (edições mpmp e revista glosas) e consultor do atelier de conservação e restauro Acroarte. Entre 2011 e 2012 realizou o catálogo do fundo musical do Arquivo Capitular da Sé de Angra e, entre 2014 e 2015, foi bolseiro no projecto “Orfeus”, integrando actualmente o projecto "Música Sacra em Évora no Século XVIII". Em 2012 fundou o Ensemble da Sé de Angra, em 2013 o Ensemble Eborensis com quem gravou um CD. O seu trabalho centra-se na polifonia vocal portuguesa dos séculos XVI e XVII (Sé de Évora) e a música no arquipélago dos Açores desde o povoamento até ao final do século XIX.

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