Clotilde Rosa deixou-nos há pouco mais de seis meses, mas o seu importante papel de dinamização do meio musical português continua bem presente, como se observa pela apresentação de várias das suas obras mais recentes e por algumas homenagens que têm vindo a ter lugar à compositora e harpista. De entre estas, destaca-se, naturalmente, o evento duplo que se realizará em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, a 11 de Maio, data do nascimento de Clotilde Rosa. Em produção conjunta com o CCB, a organização está a cargo do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa, agrupamento em cuja fundação a compositora tomou parte, em 1970, juntamente com Jorge Peixinho, Carlos Franco e António de Oliveira e Silva.

Na primeira parte deste evento, às 18h00, uma sesssão performativa incluirá a apresentação de um filme em que a homenageada colaborou, algumas apresentações sobre a sua vida e obra, e ainda um documentário biográfico realizado por Troufa Real. Esta primeira parte terminará com uma mesa-redonda, em que participarão, por exemplo, Mário Vieira de Carvalho, Manuel Morais, José Lopes e Silva, Isabel Soveral, João Pedro Oliveira, João Paulo Santos ou Manuel Pedro Ferreira, entre muitas outras personalidades ligadas à compositora.

Depois do jantar, pelas 21h00, o GMCL juntar-se-á a vários solistas e ao grupo Saxofínia para um concerto primordialmente constituído por obras de Clotilde Rosa. No alinhamento, está prevista a estreia absoluta de três obras do seu catálogo.

Recorde-se que a Glosas dedicou a capa do seu oitavovolume à compositora, com o lançamento realizado também no seu dia de aniversário, há cinco anos, no Conservatório Nacional, onde durante muitos anos leccionou. Pode ser consultado aqui esse volume, em que procurámos homenagear, citando o texto agora divulgado, uma “personalidade que marcou uma época de ouro na História da Música de Portugal nas últimas décadas do século XX e primeiras de XXI, através de um pioneirismo descomplexado sem estar refém de qualquer corrente”.

Sobre o autor

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Licenciado em piano pela Escola Superior de Música de Lisboa, na classe de Jorge Moyano, concluiu o Conservatório Nacional com a classificação máxima, tendo aí estudado com Hélder Entrudo e Carla Seixas. Premiado em diversos concursos, apresenta-se em concerto em variadas formações. Estreia regularmente obras de compositores contemporâneos. Gravou para a RTP/Antena 2, TV Brasil e MPMP: editou, em 2020, o CD “La fièvre du temps” em duo com Philippe Marques. É membro fundador do MPMP Património Musical Vivo, dirigindo temporadas e coordenando inúmeras gravações. Termina, actualmente, o mestrado em Empreendedorismo e Estudos da Cultura do ISCTE. Foi director executivo da GLOSAS entre 2017 e 2020.