Em 2016 celebra-se o 150.º aniversário de Erik Satie e a pianista Joana Gama assinala a efeméride com um ano dedicado ao compositor.

Satie.150 irá percorrer várias salas de concerto do país numa celebração da obra do compositor francês, sobretudo conhecido pela Gymnopédie n.º1 e pelas suas composições estáticas. Joana Gama intercalará as peças de Satie com peças de John Cage, admirador e divulgador da obra de Satie, Carlos Marecos, Arco Pärt, John Adams e Alexander Scriabin, contemporâneo de Satie. O programa pretende, assim, homenagear aquele compositor mas também o seu estilo de composição e herança musical, que se sente nas peças dos restantes compositores do programa.

Ao longo dos últimos anos Joana Gama tem-se dedicado a diversos projectos, como Quest, em conjunto com Luís Fernandes (electrónica) ou Idolecto, com Tânia Carvalho (voz). Colaborou nas curtas-metragens La Valse (2012) de João Botelho, Incêndio (2011) de Karen Akerman e Miguel Seabra, e A Cidade e o Sol (2011) de Leonor Noivo, e em espectáculos de dança como Trovoada (2014) de Luís Guerra e Pele (2013) da Companhia Útero. A sua execução é cuidada e a interpretação sentida. O recital com que se apresentou nos Dias da Música 2015, no Centro Cultural de Belém, em que interpretou peças de Satie, Cage, António Pinho Vargas, Michael Nyman e Philip Glass, ficou na memória de quem o escutou pelo modo intimista com que abordou as paisagens sugeridas.

Gama nasceu em 1983 em Braga e iniciou a aprendizagem de música aos cinco anos no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, onde estudou piano com Ema Pais Martins, Ana Rita Lima e João Paulo Teixeira. Ingressou depois na Royal Academy of Music, de Londres, na classe de Vanessa Latarche, e em 2005 concluiu a licenciatura em piano na Escola Superior de Música de Lisboa na classe de Tania Achot. Obteve o Mestrado em Interpretação em 2010, sob orientação de António Rosado e Benoît Gibson, na Univesidade de Évora. Actualmente, a par da actividade artística, encontra-se a realizar o Doutoramento sobre música contemporânea portuguesa para piano na mesma instituição.

O primeiro recital do ciclo Satie.150 aconteceu já na ontem, quinta-feira, dia 7 de Janeiro, pelas 19h, no CCB, em Lisboa. O programa anunciado incluiu Sonneries de la Rose + Croix (Air du Grand Prieur), Gnossienes n.º 1, Gymnopédie n.º 1, Embryons Desséchés, Sonatine bureaucratique e Cinéma de Satie e ainda China Gates de Adams, Três prelúdios sobre o mar de Marecos, Für Alina de Pärt, Dream de Cage e Vers la flamme de Scriabin.

A este recital seguem-se mais onze localidades e onze recitais, um por mês: Guimarães a 27 de Fevereiro, Vila Real a 26 de Março, Viseu a 19 de Abril, Ponta Delgada a 6 de Maio, Espinho a 3 de Junho, Sardoal a 2 de Julho, Cacela Velha a 25 de Agosto, Serpa a 24 de Setembro, Faro a 1 de Outubro, Castelo Branco a 11 de Novembro e Braga a 3 de Dezembro. Para celebrar a obra de Satie está também programada a projecção de Entre’acte, de René Clair, para o qual Satie escreveu música, na Cinemateca, a 17 de Maio (aniversário do compositor), e Joana Gama irá interpretar a exigente Vexation na próxima edição dos Jardins Efémeros, em Viseu.

Satie.150 conta com o apoio da Antena 2. 

Sobre o autor

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Mariana Calado encontra-se a realizar o Doutoramento em Ciências Musicais Históricas focando o projecto de investigação no estudo de aspectos dos discursos e das sociabilidades que caracterizam a crítica musical da imprensa periódica de Lisboa entre os finais da I República e o estabelecimento do Estado Novo (1919-1945). Terminou o Mestrado em Musicologia na FCSH/NOVA em 2011 com a apresentação da dissertação "Francine Benoît e a cultura musical em Portugal: estudo das críticas e crónicas publicadas entre 1920's e 1950". É membro do SociMus – Grupo de Estudos Avançados em Sociologia da Música, NEGEM – Núcleo de Estudos em Género e Música e do NEMI – Núcleo de Estudos em Música na Imprensa, do CESEM. É bolseira de Doutoramento da FCT.