José Manuel Joly Braga Santos, uma das figuras mais extraordinárias e criativas da composição musical do séc. XX português, deixou-nos, de forma repentina, há precisamente trinta anos, em Julho de 1988. Nos próximos dias, e prosseguindo uma das justas homenagens que neste ano lhe têm sido prestadas, terá lugar, nas cidades de Lisboa, Évora e Castelo Branco, um conjunto de concertos de um ciclo integral da música de câmara do compositor, com a excepcional particularidade de as obras apresentadas nestes concertos serem dadas a ouvir, em parte, pelos próprios dedicatários – intérpretes de excepção, como Olga Prats, Leonor Braga Santos ou António Saiote.

Este conjunto de concertos tem início no dia 6 de Junho, na abertura do primeiro Festival 20.21 – Évora Música Contemporânea, às 21h30, no Teatro Garcia de Resende. O Quarteto Lopes-Graça (Luís Cunha e Maria José Laginha, violino, Isabel Pimentel, violeta, e Catherine Strynckx, violoncelo) apresentará obras de Joly Braga Santos para quarteto de cordas e o Prelúdio à Sesta das Cigarras de Amílcar Vasques-Dias, também dedicado a este agrupamento.

A Integral da Música de Câmara de Joly Braga Santos é um projecto desenvolvido pela Musicamera Produções, cuja estreia teve lugar em Novembro de 2017, no Centro Cultural de Belém, e que prosseguirá até 2019 em várias cidades portuguesas. O projecto pretende ser, nas palavras de Alejandro Erlich Oliva, responsável pela produção, um gesto de “defesa e fruição de um acervo fulcral no devir da cultura musical portuguesa”.

No dia 7, às 19h00, o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, recebe um conjunto notável de solistas – Olga Prats (piano), Leonor Braga Santos (violeta), António Saiote (clarinete), Nuno Ivo Cruz (flauta), Ricardo Lopes (oboé), Carolino Carreira (fagote), Paulo Guerreiro (trompa), Jorge Almeida (trompete), António Quítalo e Pedro Monteiro (trompete), Jarret Buttler e Vítor Faria (trombone) e Ilídio Massacote (tuba) – para o quarto e último concerto da integral, programa que será apresentado novamente no dia seguinte, no CCCCB – Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, às 21h30.

6 de Junho | Teatro Garcia de Resende, Évora | 21h30

7 de Junho | CCB, Lisboa | 19h00

8 de Junho | CCCCB, Castelo Branco | 21h30

Recordamos ainda que a Joly Braga Santos – lembrado por muitos, a par de eminente figura da Cultura Portuguesa do nosso tempo, como um dos mais ilustres professores da história recente do Conservatório Nacional – dedicámos o número 3 da Glosas impressa (publicado em 2011 e actualmente esgotado, mas acessível à leitura através das plataformas digitais), onde se encontram numerosos testemunhos únicos sobre a sua figura e actividade pedagógica e artística.


Poderá obter informações sobre a aquisição de bilhetes para os concertos no Festival 20.21 aqui, para o CCB aqui e para o CCCCB aqui.

Sobre o autor

José Carlos Araújo

Estudou cravo, órgão e música antiga em Lisboa, exercendo intensa actividade, quer a solo, quer com agrupamentos de música antiga e orquestras. Licenciou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde estudou Filologia Clássica e em cujo Centro de Estudos Clássicos é investigador. Prepara actualmente a primeira tradução portuguesa das Cartas de Plínio. Integra a Direcção da revista 'Glosas'.

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