De 25 a 27 de Novembro, o Governo Regional da Madeira, através da Secretaria Regional de Educação, com o apoio da Assembleia Legislativa da Madeira e do Grupo Pestana, levará a efeito, no Centro de Congressos da Madeira o musical original Grito de Esperança, integrado nas comemorações dos 40 anos da Autonomia da Madeira. Em palco irão estar 142 artistas – maioritariamente jovens –, de entre músicos, cantores, bailarinos e actores, uma orquestra constituída por 32 músicos, um coro com 50 vozes (infantis, juvenis e masculinas), 8 cantores solistas, 2 bailarinos solistas e 23 no corpo de baile, 27 actores.Destes, 106 são alunos da Direcção de Serviços de Educação Artística e Multimédia (DSEAM), 5 do Conservatório – Escola das Artes da Madeira. Ao nível de professores envolvidos, serão 25, de entre os instrumentistas, actores, bailarinos e cantores. Todos madeirenses, à excepção de dois artistas convidados do Continente.

A obra original é de autoria de artistas madeirenses, Carolina Andrade (libretto), João Caldeira (música, orquestração e direcção de orquestra), Miguel Vieira (encenação e direcção artística), Juliana Andrade (Coreografia), Maurício Freitas (luminotécnica). Acresce uma vasta equipa de produção liderada por Virgílio Caldeira e Ricardo Araújo. Este projecto foi criado e organizado em apenas cinco meses, um tempo recorde para a DSEAM, atendendo a outros que a organização já realizou no passado, sempre com dois anos de antecedência.

 

Espectáculos:

– Dia 25 (sexta-feira) às 21h30

– Dia 26 (sábado) às 21h30

– Dia 27 (domingo) às 17h00

Preço dos ingressos:

15,00€/preço normal para maiores de 6 anos

10,00€/grupos de 5 ou mais pessoas

Locais de venda:

– Loja do Cidadão – Balcão da SRE;

– DSEAM – Travessa do Nogueira, 11

– Centro de Congressos da Madeira (bilheteira) dias 21 a 24, das 18h00 às 20h00 e nos dias dos espectáculos 2h antes do início.

Apoios: 

Associação Regional de Educação Artística; RTP Madeira; Delta Som; Grupo Sousa; Diário de Noticias; Hello; Madeira Viagens; Eduardo Costa Produções; Academia de Línguas da Madeira; Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira; Paróquia de São Martinho; Pais e encarregados de educação.


SINOPSE:

Um grito quebra a noite.

É grito de euforia, de lamento, de guerra, de Esperança.

Um Poeta percorre a noite escura da alma, busca uma musa, e nela um motivo para manter-se vivo. Um Homem regressa à Ilha; passados muitos anos, busca um motivo para ficar e uma possibilidade de redenção.

Uma mulher delicada (real ou ilusória?) Percorre o tempo, assume diferentes caras, possui diferentes disfarces, permeia a narrativa, iluminando os cantos escuros, é força de criação. Uma mulher velha, passado e presente, questiona os homens, abre os olhos, é ferida aberta.

Quatro vidas, quatro histórias na História da Madeira, numa homenagem às suas gentes, à sua bravura e coragem. Personagens que percorrem as ruas da cidade, que compõem a sua intricada malha de pessoas, que reflectem sobre a Ilha constantemente mutante, a passagem do tempo, sobre a Autonomia.

Qual a força criadora do povo madeirense, quais as sementes da sua actual identidade? Que noites de luta deram à luz madrugadas de glória e triunfo? Que caminho tortuoso foi percorrido desde a Heteronomia até à Autonomia?

E o que permanece?

A Esperança, sempre.

Sobre o Libretto:

Quando me propuseram escrever o libretto para a peça comemorativa dos 40 Anos da Autonomia da Madeira, admito que hesitei, sem saber por onde começar. Parecia-me tratar-se de uma temática limitada, com pouco o que explorar, temia ser um assunto demasiado político, que este fosse um assunto passível de ferir susceptibilidades e, acima de tudo, temia que não interessasse as pessoas, que não as movesse. Mas comecei a pesquisar a História da Madeira, vasculhando os arquivos da Biblioteca Pública Regional, lendo volumes icónicos como a História da Madeira do Professor Rui Carita, entre tantos outros, e depressa me apercebi que estava errada, tinha julgado mal o quanto de antiga, rica e interessante é a luta pela Autonomia na Madeira. É afinal, uma luta quase tão antiga como a própria população da Ilha, tendo vindo a intensificar-se, e a culminar, no século XX.

Não faria sentido dedicar o tempo de antena apenas aos últimos 40 anos; por isso, a peça brinca com o tempo histórico, oscilando entre o passado, presente e futuro, nos dois actos que a compõem, dando ênfase a eventos de importante relevância ocorridos durante todo o século XX, como a Revolta da Farinha, e a Revolta da Madeira, e aos ecos da Revolução de Abril, eventos que mostram que, contrariamente ao que a minha geração tem vindo a presumir, os madeirenses não são um “povo de brandos costumes”, que se deixa levar pela corrente, mas, pelo contrário, são pessoas aguerridas, lutadoras, que sofreram injustiças e tratamento desigual, apenas por viverem longe do Estado Central.

A esperança por uma vida melhor e a luta efectiva pela mudança foram as forças motrizes da peça, que acabou por culminar numa homenagem aos madeirenses que nunca desistiram de lutar pelo melhor para si mesmos e para as gerações seguintes, e que ainda hoje o fazem. O que é a Autonomia hoje, como convivem com os seus frutos os madeirenses actualmente e a imensa potencialidade criadora da Esperança: são estes o foco dos momentos mais contemporâneos da peça, com a intenção de fazer reflectir sobre a luta dos que nos precederam, de indagar se lhe fazemos a devida justiça.

Em geral, este foi um trabalho que me deu um enorme gozo, inicialmente pela equipa com quem trabalho, de pessoas imensamente profissionais e criativas, que me deram todo o apoio e espaço para criar, mas também por me permitir descobrir realidades que desconhecia, mas me pareciam escondidas mesmo “debaixo do nariz”, pela oportunidade de poder honrar as gerações que se bateram por uma Madeira melhor, mas também pelo desafio de criar algo com a capacidade de permanecer no tempo.

Carolina Andrade

(Libretista)

 

Sobre a Encenação:

É um grito de luta, de revindicação, mudança e transformação.

Este musical serve-se de uma linguagem estética e dramática contemporânea, procurando ir ao encontro de uma linguagem actual e própria dos nossos dias e meios de comunicação. Este espectáculo conta com uma centena de artistas madeirenses, muito jovens, mas com grande disponibilidade e total entrega profissional. Muitos deles são o resultado deste movimento artístico e autónomo que a região sempre procurou valorizar e levar além-fronteiras. Pretende-se também valorizar as capacidades dos jovens artistas madeirenses que lutaram pelos seus sonhos e continuam a lutar por se afirmarem no seu país e região. Com apenas dois convidados do Continente, artistas profissionais (o cantor Alfredo Costa e o bailarino Valdemir Ribas e pelas características específicas das personagens e encenação), este espectáculo é um verdadeiro produto regional numa produção artística autónoma e de raiz inédita, pela sua composição musical, dramaturgia, estética e inovação criadora.

Não se pretende retratar uma época histórica, nem fundamentar acontecimentos ou personalidades da época. Pretende-se inovar, numa linguagem actual e própria dos nossos dias, onde as tecnologias e meios cibernéticos se misturam com as realidades actuais, passadas e futuras.

Autonomia, palavra muito complexa de caracterizar numa passagem temporal… um quebra-cabeças numa sopa de letras! A maior dificuldade desde musical foi em encontrar uma linha condutora para uma história original que não fosse apenas um marco histórico, político, económico e social, mas que retratasse a bravura e afirmação de um povo reprimido por um regime militar e manipulador. E porque os sonhos são uma constante da vida, esta história precisava de bons ingredientes como a poesia, a arte, a magia, o amor e a filosofia, para criar um paralelo entre realismo e surrealismo, magia e realidade, passado e futuro.

Surgem, então, as personagens do Poeta idealista e do Homem pragmático. Duas personagens opostas, em tempos separados. Uma com ideais de esperança no futuro, a outra rotineira e desmotivada com a vida passada. O que as liga na linha do tempo e espaço?! A Esperança por uma mudança!? Talvez… Se conseguirem manter viva a esperança dos seus ideais de liberdade. A personagem Esperança, retratada por uma figura feminina, percorre o tempo em busca de todos aqueles que ainda acreditam na possibilidade de mudança ou transformação. Mas nem todos a conseguem ver!… Nem todos temos ideais de esperança! A resiliência e acomodação prendem-nos muitas vezes na linha do tempo e nesse estado tornamo-nos dependentes de nós próprios ou dos outros. Uma velha mulher, personagem teatral que representa o passado e o presente neste musical, assume uma postura dos nossos medos e receios de mudança e da valorização da capacidade e responsabilidade que todos nós temos para com as gerações futuras! Todos somos responsáveis por esses conceitos de heteronomia e autonomia.

Este é um musical contemporâneo cheio de esperanças ideológicas, atitudes irreverentes e actuais da nossa época, na busca de novos valores e criações futuras, com gritos de euforia e muitos sucessos futuros!

Porque acreditamos nessa Esperança, este grito poderá ser de todos aqueles que ainda sonham e acreditam que o amanhã poderá ser um novo começo!

Miguel Vieira

(Director artístico e encenador)

 

Sobre a Composição e orquestração:

Esta é uma obra musical que apresenta uma realidade anterior e posterior à instauração da autonomia na Madeira. O conteúdo musical procura reflectir todos os matizes e emoções, procura descrever cada personagem por aquilo que cada uma representa e reforça o peso emocional de cada cena para que o público consiga captar, de uma forma mais rica, todas as cenas. Composta por cerca de 32 músicos, a orquestra divide-se em sopros de madeira e metal, percussão e cordas. É de realçar a presença dos cordofones tradicionais madeirenses na composição desta orquestra: um motivo de orgulho e de afirmação regional como símbolo da emancipação cultural e artística do nosso povo madeirense.

Grito de Esperança é um espectáculo que apresenta várias frases musicais e texturas sonoras que se vão transformando através da acção e pela acção. O amadurecimento da componente técnico-musical, do ponto de vista da composição e orquestração, revela-se não só pela experiência gradualmente adquirida pelo compositor, bem como pela maturação, através do tempo, das ideias musicais iniciais. Todas estas ideias foram concebidas à luz de um conceito ou formato contemporâneo, implementado profundamente nos media e na indústria audiovisual, pelo que a percepção de todo o espectáculo se torna confortável a todos os consumidores atentos.

João Caldeira

(Compositor, orquestrador e maestro)

 

Sobre a criação coreográfica

Conceito: A dança, neste musical, divide-se em dois trabalhos distintos. Temos o corpo de baile e dois bailarinos com um papel mais específico, com a ligação directa às personagens.

O Corpo de baile assume uma vertente mais provocadora. Os bailarinos vestem o papel de Espezinhadores, ou seja, as cenas dançadas representam, de uma forma irónica, satírica e provocadora as intenções iminentes nas personagens do musical (povo, presos, militares, manipuladores). Os bailarinos serão a representação física de determinadas situações, sensações e emoções vividas durante a história. Não adoptam propriamente a movimentação de uma personagem, de um ser humano, mas antes de uma presença indefinida, transcendente, que apenas transmite uma impressão, uma ideia, um conceito.

Alma do Poeta: O bailarino Valdemir Ribas, que encarna a alma do Poeta, terá uma movimentação e intervenção com uma conotação mais poética, mais livre, menos pesada ou controlada, em oposição ao corpo de baile. A alma do Poeta, assim como a personagem (Poeta), tem uma representação mais lírica, representa as suas vontades, sonhos, ambições e desejos. Esta movimentação, juntamente com a da Esperança, são quase alienadas de toda a peça. São movimentos de uma dimensão diferente, visionários, livres, divinos, profetantes que anseiam e procuram sempre a mudança.

Alma da Esperança: A bailarina, Juliana Andrade, representa a alma da Esperança, aquela que busca incessantemente alguém que tenha Fé/Esperança, para conseguir mudar e revolucionar, evoluir e transformar a realidade presente. Esta personagem encontra no poeta essa essência, apresentando uma relação mais próxima e directa apenas com a alma do “poeta” pois este é, inicialmente, o único que a consegue ver e desejar. A movimentação é baseada na busca e na procura. Na ligação com o poeta os movimentos assentam no conforto, no incentivo, no desejo de alcançar algo.

Criação: A criação foi um processo de busca também, exigente na procura de um vocabulário que se enquadrasse nas ideias, compreensível, carregado de significado e ao mesmo tempo provocador. O trabalho com os alunos que vestem a pele de Espezinhadores (alunos com idades compreendidas entre os 10 e os 19 anos, muitos deles a estrearem-se pela primeira vez num espectáculo desta envergadura) foi complexo, procurando enquadrá-los e sensibilizá-los para um tema retratado de forma contemporânea e abstracta. Houve muita pesquisa e partilha de ideias, textos e imagens para os incluir activa e conscientemente no processo criativo. Os movimentos explorados e definidos, ao contrário de toda a linha de texto, encenação e musical de pensamento mais abstracto, assumiram muitas vezes, por opção, um cariz mais gestual e objectivo para quebrar e contrastar com a música e personagens mais alternativas. Este trabalho resultou num movimento tenso e tão literal que se torna estranho e incómodo.

Já para o Poeta, o bailarino Valdimir Ribas, foi um processo mais simples, pois este convidado, pela poética já presente na sua movimentação, torna o trabalho mais objectivo e maduro. Os únicos contratempos sentidos tiveram que ver com a relação e ligação de movimentos entre a “alma do Poeta” e a “alma da Esperança”, pois mantiveram-se e ainda se mantêm numa idealização. As ideias, alguns movimentos e essência das personagens foram enviadas para o bailarino, para consciência e para um trabalho mais personalizado, mas o trabalho em conjunto será apenas fechado quando o bailarino experimentar fisicamente connosco. Aí conseguiremos testar e acertar as coreografias, pois um depende do outro.

Juliana Andrade

(Coreógrafa e bailarina)


A expectativa do público madeirense é enorme e, segundo as palavras do Secretário-Regional da Educação, Jorge Carvalho, proferidas na apresentação oficial, “a autonomia da Madeira permitiu formar agentes de transformação social, particularmente nestas áreas específicas da educação artística. São estes agentes que conseguem criar hoje um espectáculo de raiz, com a “prata da casa”. Este Musical é, ao fim de 40 anos, também um tributo a todos aqueles que acreditaram que pela via artística poderíamos contribuir para um desenvolvimento harmonioso do indivíduo e da Região.” Por sua vez, o Presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, Tranquada Gomes, destacou que “este evento demonstra bem que esta autonomia, que é feita de esperança, de facto deu uma resposta eficaz àquelas pessoas que antes de nós sonharam com uma terra autónoma.”

Acreditamos que os cerca de 2.100 ingressos disponíveis serão poucos para todos os residentes e turistas que desejam assistir a este Musical.

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Sobre o autor

Carlos Gonçalves

Carlos Alberto Meneses Gonçalves é Doutor em Ciências do Trabalho pela Universidade de Cádiz (Espanha), onde recebeu o Diploma de Estudos Avançados na área científica de Psicologia Social. É licenciado em Administração e Gestão Escolar e diplomado com o Curso Superior de Música (Piano e Canto). Foi professor em diversas instituições, incluindo o Conservatório de Música da Madeira, a Universidade da Madeira, o Instituto Superior de Ciências Educativas e o Instituto Politécnico de Setúbal. É investigador integrado do CIPEM (Centro de Investigação em Psicologia da Música e Educação Musical), no Instituto Politécnico do Porto, e do INET-md (Instituto de Etnomusicologia - Estudos de Música e Dança (FSCH/Universidade Nova de Lisboa). É Director de Serviços de Educação Artística e Multimédia da Secretaria Regional da Educação e Recursos Humanos do Governo Regional da Madeira.

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