Em maio de 2013, por iniciativa de um grupo de músicos (dois madeirenses e dois estrangeiros), foi criado o primeiro agrupamento dedicado à música barroca. Essa primeira formação apresentava-se com o nome de “O Sonho de Orpheu”. Desde a sua criação, foi acolhido no âmbito da Associação Orquestra Clássica da Madeira (AOCM), instituição de utilidade pública, fundada em 1964, que viu a sua atividade orquestral ser interrompida por decisões governamentais (o que levou à criação de uma nova associação, Notas e Sinfonias Atlânticas, que gere, atualmente, a Orquestra Clássica). No entanto, a associação originária manteve a sua atividade cultural, dedicando-se à realização de concertos de música de câmara em dois ciclos diferentes: (1) Madeirenses & Amigos em Palco (em que é dada prioridade aos músicos madeirenses que seguiram uma carreia de instrumentista e que se encontram a trabalhar fora da região; e (2) o agrupamento “O Sonho de Orpheu”.

Este último, a quem se dedica este artigo, realizou entre 2013 e 2014 quarenta e um concertos, através de sete ciclos temáticos, nomeadamente “As extravagâncias de Orpheu”, com a participação especial da flautista Carla Abreu (5 concertos); “Outonos de Vivaldi” com o artista plástico Fabian Contreras (7 concertos); “Haendel & Purcell: Sinfonias e árias de ópera”, com o barítono Moisés Freitas (8 concertos); “Barroco Instrumental” (7 concertos); “Johann Sebastian Bach” (4 concertos); “Concerto Italiano” com a violinista Adela Hyskova (5 concertos) e “Advento Barroco” (5 concertos). Todos estes ciclos compreenderam a montagem de repertórios diferentes. Para os músicos desde agrupamento, a sua criação simbolizou a oportunidade de tocar e desfrutar a excelência do repertório barroco, pelo que o prazer de tocar, o companheirismo e cumplicidade entre todos e o “entretenimento” são o mote para qualquer ciclo que realizam.

A partir deste ano de 2015, o grupo decidiu alterar a sua denominação para Funchal Baroque Ensemble e tem como objetivos principais: (1) efetuar um trabalho de fusão das diferentes sonoridades dos instrumentistas do agrupamento, orientando-se pela busca de soluções tímbricas e interpretativas originais e cativantes, e explorando, deste modo, algumas peculiaridades interessantes do compromisso entre a prática de execução barroca e os instrumentos modernos; (2) aumentar a qualidade musical, quando comparando o trabalho que foi efetuado até agora, recorrendo, se necessário, a um maior número de convidados, de modo a que possam enriquecer musicalmente os seus ciclos e concertos; (3) continuar a manter ciclos temáticos que sejam de interesse tanto para o público residente na Região Autónoma da Madeira como para os turistas; (4) pesquisar e introduzir música barroca ibérica (adaptada à sua constituição instrumental) num dos ciclos, de modo a dar a conhecer o património do barroco musical de Portugal e de Espanha.

O grupo ambiciona a criação de um canal no Youtube, de modo a conseguir divulgar on-line o trabalho que realiza e, desse modo, quiçá, realizar uma digressão pelo continente português (em 2016), nomeadamente participando em festivais de música barroca.

Com o apoio da Associação Orquestra Clássica da Madeira, o Funchal Baroque Ensemble pretende ainda, em 2015, gravar o seu primeiro CD.

Ao nível da direção artística e organizativa, o ensemble conta com Giancarlo Mongelli, responsável pela seleção, pesquisa e escolha da temática de cada ciclo e diretor artístico, e Sara Faria com a responsabilidade de organizar os programas e respetivas notas, bem como colaborar na divulgação de cada concerto, em articulação com a direção da AOCM.


 

Sara Freitas Faria – flautas de bisel

Nasceu no Funchal. É mestre em Educação Musical pela Escola Superior de Educação de Setúbal e licenciada em Flauta de Bisel pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou flauta de bisel com Pedro Couto Soares e música de câmara com Stephen Bull e Olga Prats. Tem frequentado aulas e masterclasses com os flautistas Maurice Steger, Heiko ter Schegget, Leo Meilink, entre outros. Tem participado em concertos como solista e em música de câmara pelo país e estrangeiro. Participou em gravações de CDs de música tradicional madeirense. Atualmente é professora Flauta de Bisel e diretora artística dos Grupos Consort Bisel e Dolcemente na Direção de Serviços de Educação Artística e Multimédia da Madeira.

Alexandra Vieira – violino

Nascida no Funchal, concluiu o Curso Superior de Violino no Conservatório Nacional de Lisboa. Foi Professora de Violino e Formação Musical no Conservatório de Setúbal, colaborou com diversas orquestras: Juvenil Portuguesa, Sinfónica da RDP, Nacional do Teatro S. Carlos, Portuguesa da Juventude e foi estagiária na Orquestra Nova Filarmonia. É Licenciada em Ciências da Educação e exerce as funções de professora de Violino e Orientações Musicais na Direção de Serviços de Educação Artística e Multimédia da Madeira.

Sandra Sá – violino

Nasceu no Funchal. Iniciou os seus estudos de violino no Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira. Prosseguiu a sua formação neste instrumento com o professor Radu Ungureanu na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo no Porto, onde se licenciou. Durante o seu percurso tem tocado com várias orquestras e conjuntos de música de câmara participando em vários concertos e festivais em Portugal e no estrangeiro. Participou na gravação de alguns CDs de música tradicional madeirense. Obteve o grau de mestre pela Escola Superior de Educação no Porto. Atualmente é professora de violino no Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira.

Mikolaj Lewkowicz – violoncelo

Nasceu em Varsóvia, Polónia. Estudou violoncelo na Universidade de Música “Fryderyk Chopin” em Varsóvia, onde foi aluno do conceituado violoncelista Andrzej Zelinski. Terminando o mestrado em belas-artes, iniciou a sua carreira como violoncelista profissional na Ópera da Câmara de Varsóvia, tendo sido também co-fundador e solista no Ensemble Concentus Pro Arte. Em Portugal foi chefe de naipe da Orquestra do Norte, músico de câmara no Quarteto Lusitano e mais tarde no quarteto A Vista e Quarteto Madeira Clássico. Também efetuou gravações para TVP e RTP-M. Atualmente é violoncelista na Orquestra Clássica da Madeira e no Ensemble XXI.

Giancarlo Mongelli – cravo e direção artística

Nascido em Itália, é formado em piano e cravo e vencedor de concursos de piano e de música de câmara nacionais e europeus. Conta no seu currículo com mais do que uma centena de atuações enquanto solista, solista com orquestra e integrado em agrupamentos de música de câmara. Atualmente é professor de piano e cravo no Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira.

Sobre o autor

Carlos Gonçalves

Carlos Alberto Meneses Gonçalves é Doutor em Ciências do Trabalho pela Universidade de Cádiz (Espanha), onde recebeu o Diploma de Estudos Avançados na área científica de Psicologia Social. É licenciado em Administração e Gestão Escolar e diplomado com o Curso Superior de Música (Piano e Canto). Foi professor em diversas instituições, incluindo o Conservatório de Música da Madeira, a Universidade da Madeira, o Instituto Superior de Ciências Educativas e o Instituto Politécnico de Setúbal. É investigador integrado do CIPEM (Centro de Investigação em Psicologia da Música e Educação Musical), no Instituto Politécnico do Porto, e do INET-md (Instituto de Etnomusicologia - Estudos de Música e Dança (FSCH/Universidade Nova de Lisboa). É Director de Serviços de Educação Artística e Multimédia da Secretaria Regional da Educação e Recursos Humanos do Governo Regional da Madeira.

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