O Prémio Direitos Humanos 2018, atribuído pela Assembleia da República, distinguiu a Orquestra Geração com a Medalha de Ouro comemorativa do 50.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

A Orquestra Geração é um projecto pedagógico e social iniciado em 2007, que tem por objectivo acudir a situações de insucesso e abandono escolar por via do ensino da Música. A iniciativa é apoiada pela Fundação Calouste Gulbenkian e dirigida por António Wagner Diniz, fundador do projecto da Orquestra Geração quando exercia as funções de Director do Conservatório Nacional, entre os anos 2000 e 2009. Na última década, este projecto de intervenção social através da Música, como é frequentemente referido, cresceu para uma implementação em 20 escolas das regiões de Lisboa e Coimbra, a maioria em meios socialmente desfavorecidos, estendendo o ensino da Música a cerca de mil crianças da primeira classe ao 9.º ano de escolaridade, com a leccionação assegurada por mais de 70 professores (as cidades abrangidas actualmente por este projecto são Lisboa, Coimbra, Sintra, Oeiras, Sesimbra, Amarante, Mirandela, Murça, Amadora, Loures e Vila Franca de Xira).

O trabalho social e pedagógico da Orquestra Geração foi objecto de um documentário realizado em 2011 por Filipa Reis e João Miller Guerra (Orquestra Geração), exibido nesse ano e no ano seguinte. O IGOT – Instituto de Gestão e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa é o organismo responsável pela avaliação externa das Orquestras Geração.

A Medalha de Ouro atribuída pela Assembleia da República no âmbito do Prémio Direitos Humanos 2018 contemplou ainda a jornalista Joana Gorjão Henriques (jornal Público), pelo seu trabalho sobre os temas do racismo e da discriminação social, e a Associação Letras Nómadas, que se dedica ao estudo das comunidades ciganas e da sua história e actua no sentido da inclusão escolar e possibilidades de empregabilidade. Todas as distinções foram atribuídas por unanimidade do júri, presidido pelo deputado Bacelar de Vasconcelos. A Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos é a instituição vencedora do Prémio Direitos Humanos 2018, pelo trabalho social que desenvolve no apoio aos reclusos e pelo contributo para a “humanização do sistema prisional”, de acordo com o comunicado da Assembleia da República.

Os prémios serão atribuídos numa cerimónia que terá lugar no próximo dia 10 de Dezembro (Dia Nacional dos Direitos Humanos).


Para informações completas sobre as actividades do projecto Orquestra Geração, consulte esta ligação.

Sobre o autor

José Carlos Araújo

Estudou cravo, órgão e música antiga em Lisboa, exercendo intensa actividade, quer a solo, quer com agrupamentos de música antiga e orquestras. Licenciou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde estudou Filologia Clássica e em cujo Centro de Estudos Clássicos é investigador. Prepara actualmente a primeira tradução portuguesa das Cartas de Plínio. Integra a Direcção da revista 'Glosas'.

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