Realizou-se  entre 17 e 19 de Setembro a terceira edição da “Residência Cisterciense S. Bento de Cástris”, no mosteiro de S. Bento de Cástris, nos arredores de Évora. O tema proposto para a edição deste ano centrou-se na “Vida privada, quotidianos e cultura material”, no âmbito do Ano Internacional da Luz e integrada nas Jornadas Europeias do Património. O evento foi organizado pelo CIDEHUS, Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades, sediado na Universidade de Évora, em colaboração com a Direcção Regional de Cultura do Alentejo. Contou com o apoio de outros centros de investigação como o CHAM, CITAD, LABSED, HERCULES, CHAIA e CEHR e do Grupo de Caminheiros de Évora e do Ensemble Eborensis.

A Residência iniciou no dia 17 de Setembro com uma oficina de cantochão realizada na igreja do mosteiro, orientada por Luís Henriques. Na oficina foram trabalhados vários exemplos de cantochão, provenientes dos livros de coro que pertenceram ao mosteiro, com uma introdução à notação quadrada e estrutura da liturgia musical cisterciense praticada no século XVI, período em que foram produzidos os livros.

Na Sexta-Feira e Sábado foram apresentadas as comunicações pelos participantes, divididos em vários painéis. Estes versaram as várias expressões do quotidiano como o modo de vestir, a gastronomia, os comportamentos desviantes e o teatro no universo monástico feminino; o a materialização do som e da luz; a cultura material e produção cultural no ambiente monástico e um painel dedicado ao mosteiro de S. Bento de Cástris, sobre os espaços, os tempos e os modos de vivência monástica.

Os trabalhos encerraram na Sexta-Feira com um concerto no claustro do mosteiro por André G. Pinto e Paulo Raposo, que apresentaram o projecto Zond: Par um rebravamento do ouvido, um serão de música ecoacústica. No Sábado, o Ensemble Eborensis apresentou na igreja do mosteiro o programa Lumen ad Revelationem: Cantochão e Polifonia do Século XVI, sobre a temática da luz.

Durante os dois dias do evento estiveram patentes ao público duas exposições sobre o mosteiro de S. Bento de Cástris. A primeira, Espaços de Cister no âmbito do Projecto ORFEUS, foi realizada pela Universidade da Beira Interior constituindo um resumo do trabalho que aquela instituição desenvolveu quanto ao estudo dos vários espaços do mosteiro, nomeadamente o claustro e os coros da igreja, e do estudo acústico e de luz natural realizado na igreja do mosteiro. A segunda exposição, intitulada Pensar São Bento de Cástris na Universidade de Évora: reflexões académicas em Arquitectura, foi desenvolvida pelo Departamento de Arquitectura da Universidade de Évora e alunos da Universidade de Oxford, com a realização de plantas e maquetes dos vários espaços do mosteiro assim como algumas propostas para a sua reabilitação e uso futuro.

Realizando-se desde 2013, a Residência Cisterciense proposta para o mosteiro de S. Bento de Cástris tem como objectivo principal uma reinvenção na actualidade do discurso histórico cisterciense, integrando a geografia do mosteiro numa geografia mais ampla da Ordem de Cister, inspirando-se nas questões da História, da Arte, do Património e da Paisagem regida pelo ritmo do quotidiano da Regra beneditina.

Sobre o autor

Natural dos Açores, é doutorando em Musicologia na Universidade de Évora, Mestre em Ciências Musicais pela FCSH-NOVA e Licenciado em Musicologia pela Universidade de Évora. É colaborador no Pólo de Évora do CESEM e no MPMP (edições mpmp e revista glosas) e consultor do atelier de conservação e restauro Acroarte. Entre 2011 e 2012 realizou o catálogo do fundo musical do Arquivo Capitular da Sé de Angra e, entre 2014 e 2015, foi bolseiro no projecto “Orfeus”, integrando actualmente o projecto "Música Sacra em Évora no Século XVIII". Em 2012 fundou o Ensemble da Sé de Angra, em 2013 o Ensemble Eborensis com quem gravou um CD. O seu trabalho centra-se na polifonia vocal portuguesa dos séculos XVI e XVII (Sé de Évora) e a música no arquipélago dos Açores desde o povoamento até ao final do século XIX.

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