No próximo dia 27 de Fevereiro, pelas 21h00, o Museu do Pico apresentará no Auditório do Museu dos Baleeiros Não me importava morrer se houvesse guitarras no céu, filme sobre o “bailho” da chamarrita nas ilhas do Pico e do Faial.

O documentário do realizador Tiago Pereira, produzido pela Associação Cultural Música Vadia com financiamento da Direcção Regional da Cultura do Governo Regional dos Açores, pretende consciencializar a opinião pública sobre a existência e valor enquanto património imaterial desta prática musical coreografada proveniente dos Açores: o baile mandado da chamarrita.

Esta dança, praticamente desconhecida no continente português, tem uma grande repercussão em vários tecidos da comunidade, em especial nas ilhas do Faial e Pico. O filme pretende, assim, descobrir e transmitir as influências a que estas comunidades do canal foram expostas e o modo como se foram actualizando nas suas práticas quotidianas. Procura-se também descobrir o que é hoje a chamarrita e como se envolve com as pessoas e se mistura com outros contextos assim como outros sujeitos.

Musicalmente, é mostrado como um músico personagem procura na chamarrita sons que o cativem, técnicas especiais de tocar o instrumento tradicional – que neste caso é a viola da terra – e as formas como se funde com as ilhas e com o seu isolamento.

Não me importava morrer se houvesse guitarras no céu pretende ainda contribuir para mudar a mentalidade negativa de olhar e pensar a cultura tradicional e popular portuguesa, dando a conhecer uma ideia de cultura mais rica e singular do que se possa presumir, e provocando um olhar renovado para as particularidades das práticas quotidianas que muitas vezes se desprezam, banalizam ou se perdem com o desaparecimento das gerações mais velhas. Educar para a consideração e valorização do património imaterial é, sobretudo, a mensagem a ser destacada por este filme.

Sobre o autor

Natural dos Açores, é doutorando em Musicologia na Universidade de Évora, Mestre em Ciências Musicais pela FCSH-NOVA e Licenciado em Musicologia pela Universidade de Évora. É colaborador no Pólo de Évora do CESEM e no MPMP (edições mpmp e revista glosas) e consultor do atelier de conservação e restauro Acroarte. Entre 2011 e 2012 realizou o catálogo do fundo musical do Arquivo Capitular da Sé de Angra e, entre 2014 e 2015, foi bolseiro no projecto “Orfeus”, integrando actualmente o projecto "Música Sacra em Évora no Século XVIII". Em 2012 fundou o Ensemble da Sé de Angra, em 2013 o Ensemble Eborensis com quem gravou um CD. O seu trabalho centra-se na polifonia vocal portuguesa dos séculos XVI e XVII (Sé de Évora) e a música no arquipélago dos Açores desde o povoamento até ao final do século XIX.

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