Decorre actualmente, entre os dias 14 de Março e 14 de Abril, uma campanha de financiamento colaborativo (crowdfunding) para apoio à primeira edição de um livro didáctico, de concepção inédita em Portugal, destinado ao ensino do violoncelo, que a editora Gradiva publicará no próximo mês de Abril. O livro, que surge na sequência da investigação de Ana Raquel Pinheiro conducente à sua tese de mestrado, com ilustrações originais em aguarela de Maria do Rosário Júdice Maia de Loureiro, intitula-se O violoncelo: jogos para miúdos / prescrições para graúdos e reúne um conjunto de cento e setenta exercícios temáticos que procuram introduzir aos alunos de idade mais jovem que iniciam o estudo do violoncelo os conceitos técnicos fundamentais para o estudo do instrumento e complementar o trabalho de alunos mais avançados.

Parafraseando a autora, nas palavras introdutórias da publicação,

Todos os professores de instrumentos de cordas deparam com a necessidade de transmitir a alunos de iniciação, sobretudo aos muito jovens, conceitos ilusoriamente simples, como sentar-se correctamente, posicionar o violoncelo ou segurar o arco. Numa altura em que não tinha sequer computador ou Internet e não encontrei quaisquer materiais didácticos que me pudessem ser úteis, tive de conseguir fazer os exercícios introdutórios que conhecia de uma forma criativa e apelativa para os alunos que iniciavam a aprendizagem do instrumento. Foi através do diálogo com outros professores e da partilha de ideias com colegas que fui construindo a minha própria colecção mental ou, como costumo dizer, a minha biblioteca imaginária. […] O professor de instrumento tem de ser um músico e um pedagogo, mas simultaneamente um especialista em comportamento, um observador e um organizador dotado de imaginação e facilidade de adaptação.

Estes objectivos ficaram tradicionalmente reservados às perspectivas criativas de cada professor, exigindo, como sabem quantos se dedicam à pedagogia dos instrumentos de cordas, grande dispêndio de tempo e possibilidades. Devido à escassa bibliografia quer teórica, quer prática sobre o assunto e à inexistência de material pedagógico em língua portuguesa, tem sido sobretudo através de experiência pessoal que os professores conseguem proceder às abordagens iniciais dos conceitos técnicos, usando as suas próprias palavras e exercícios complementares.

Um dos aspectos mais relevantes da concepção de O violoncelo: jogos para miúdos / prescrições para graúdos é a sua adaptabilidade à didáctica de outros instrumentos de cordas, como o violino, a violeta e o contrabaixo. O livro divide-se em seis capítulos: Jogos estratégicos, Jogos de postura e posicionamento do violoncelo, Jogos para a construção da técnica de arco, Jogos para a construção da técnica da mão esquerda, Jogos para o vibrato e Jogos de imitação de sons. Tendo em atenção a utilização pedagógica e o trabalho individual que permite, os exercícios e jogos são acompanhados por fotografias exemplificativas, da autoria de Bruno Raposo, representando dois alunos de violoncelo da autora, Hugo Estaca e António Veloso.

A autora desenvolve, paralelamente a uma longa actividade pedagógica, intensa carreira como violoncelista, quer em repertório dos séculos XIX e XX, quer, como intérprete de violoncelo barroco, nos mais importantes agrupamentos especializados de música antiga em Portugal.

Entre os apoios à publicação deste projecto contam-se a Fundação GDA e a Academia de Música de Santa Cecília. O livro conta ainda com a certificação da ESTA Portugal (European String Teachers Association).

O acesso directo à plataforma onde a campanha decorre pode fazer-se através da ligação electrónica http://ppl.com.pt/pt/prj/o-violoncelo.

 

 


 

 

Ficha técnica

título: O violoncelo: jogos para miúdos / prescrições para graúdos
autora: Ana Raquel Pinheiro
ilustrações: Maria do Rosário Júdice Maia de Loureiro
fotografia: Bruno Raposo
editora: Gradiva

 

Sobre o autor

José Carlos Araújo

Estudou cravo, órgão e música antiga em Lisboa, exercendo intensa actividade, quer a solo, quer com agrupamentos de música antiga e orquestras. Licenciou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde estudou Filologia Clássica e em cujo Centro de Estudos Clássicos é investigador. Prepara actualmente a primeira tradução portuguesa das Cartas de Plínio. Integra a Direcção da revista 'Glosas'.

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