No próximo Sábado, 1 de Outubro, Dia Mundial da Música, pelas 16h, terá lugar a cerimónia de trasladação dos restos mortais de José Vianna da Motta para o Cemitério dos Prazeres. Até agora sepultado no Cemitério do Alto de S. João, o compositor e pianista ficará num jazigo particular recentemente recuperado pela Câmara Municipal de Lisboa.

Segundo informações obtidas no site da autarquia, promotora desta iniciativa, este evento “enquadra-se no âmbito de um programa de homenagens com que a Câmara pretende distinguir algumas personalidades que se encontram inumadas nos cemitérios de Lisboa, promovendo a sua trasladação para locais mais dignos e significativos”.

Elvira Archer, uma das principais divulgadoras da vida e obra – veja-se a recente publicação dos seus Diários – do insigne músico português, fará uma breve evocação do homenageado, falecido em Lisboa em 1948. Seguir-se-á uma intervenção de Maria José Borges, professora de História da Música na Escola de Música do Conservatório Nacional, instituição a que Vianna da Motta está inequivocamente ligado como pianista, professor e director durante cerca de duas décadas. A sessão encerrará com a interpretação do Quarteto para cordas em sol maior do compositor, obra do final do século XIX. A apresentação musical estará a cargo do Quarteto Lacerda.

 

 

José Vianna da Motta é uma das mais importantes figuras da cena musical portuguesa do início do século XX. Nascido em S. Tomé e Príncipe no ano de 1868, cedo se revelou, em Lisboa, como pianista dotado, tendo assim conseguido rumar a Berlim, com apoio financeiro concedido por D. Fernando II e sua esposa, a Condessa d’Edla. Aí estudou e contactou com personalidades como Hans von Bülow, Ferruccio Busoni e até Franz Liszt. Tendo actuado um pouco por todo o mundo, a Primeira Guerra Mundial fê-lo abandonar a Alemanha, num percurso que passou por Genebra e terminou em Lisboa, em 1917. Dirigiu o Conservatório Nacional, onde formou uma vasta geração de pianistas e compositores que viria a ser fundamental no contexto musical português até ao final do século. Devemos ainda a Vianna da Motta a primeira audição integral das 32 sonatas para piano de Beethoven em Portugal, além de diversas publicações sobre técnica do piano e interpretação musical, com grande ênfase nas figuras de Wagner e Liszt.

O espólio musical de José Vianna da Motta pode ser consultado na Biblioteca Nacional de Portugal.

Sobre o autor

Duarte Pereira Martins

Licenciado em piano pela Escola Superior de Música de Lisboa, concluiu o curso de piano do Conservatório Nacional com a classificação máxima. Premiado em diversos concursos de piano, apresenta-se regularmente em concerto por todo o país e estrangeiro, em diversas formações, com especial destaque para a divulgação do património musical português. Gravou para a Antena 2 e para a TV Brasil. É o director artístico de duas integrais das sonatas de Carlos Seixas e João Domingos Bomtempo. Frequenta, paralelamente, o curso de Engenharia Física Tecnológica no Instituto Superior Técnico. É membro fundador e Vice-Presidente da Direcção do MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa.

Uma resposta

  1. Anderson de Carvalho

    É muito triste se saber que a grande maioria dos jovens portugueses não saiba da importância imensurável do genial José Vianna da Motta. Sua sinfonia: “À Pátria” já o coloca entre os mais respeitáveis compositores portugueses de todos os tempos. Por favor, não deixem de ouvi-la; não se privem deste deleitoso e privilegiado prazer.
    https://www.youtube.com/watch?v=SDmK_3U-RiE

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