Um luso-russo laureado no Alion Baltic Festival

Foi como representante de Portugal e da Rússia que se apresentou a concurso no dia 21 de Julho de 2016 na 2.ª edição do Alion Baltic Festival em Taline, Estónia. E foi como português e russo que o pianista Alexey Shakitko conquistou o 1.º Prémio na categoria de Piano Solo. Desde que conquistou este prémio, Alexey já teve direito a apresentar-se em três concertos integrados no festival, nomeadamente no Kadriorg Palace Tallinn.

O Festival e Academia Alion Baltic, embora relativamente “jovens”, integram na sua estrutura vários países e organizações conceituadas, nomeadamente os Estados Unidos da América e o Concurso Gershwin. Graças a este prémio, Alexey ficou automaticamente apurado para a fase final deste concurso, que terá lugar em Abril de 2017 em Nova Iorque.

O prémio inclui a realização de mais concertos, nomeadamente com a Orquestra Filarmónica de São Petersburgo, com quem Alexey irá tocar o Concerto n.º 1 para Piano e Orquestra de Brahms, sob a direcção do maestro Alexey Stadler. Há ainda mais concertos na Finlândia, Estónia e Rússia, para quais Alexey pretende escolher repertório de música portuguesa, contribuindo assim para a sua promoção além-fronteiras.

Já em 2012 a conceituada pedagoga e pianista Oxama Yablonskaya, após escutar a sua interpretação da Sonata em si menor de Lizst, elogiara a profunda musicalidade e a beleza do som de Alexey Shakitko. Ao longo da sua carreira, estas foram também as qualidades que o público e os entendidos mais valorizaram.

Em 2013, aceitou o convite do Estado de Angola para colaborar na criação do Festival Nacional de Cultura (FENACULT), enquanto membro da Comissão. Foi também convidado para maestro da orquestra KAPSOKA, com vista a prepará-la para digressões internacionais. Entre 2013 e 2016 apresentou-se regulamente em concertos em Angola, promovendo artistas portugueses, angolanos e outros artistas internacionais (sendo de destacar o concerto com o violoncelista japonês Yuki Ito, por convite da embaixada do Japão). Agora, de regresso a Portugal, e com a conquista deste prémio internacional, Alexey Shakitko prepara-se para entrar numa nova fase da sua carreira, “sempre com Portugal no coração”.

Colóquio “Voz no palco”

“O que é a voz? Um instrumento musical? Um instrumento de comunicação? Uma ferramenta de trabalho? Uma obra de arte? Um conjunto de ondas sonoras que se propagam no ar? A voz é tudo isto, e muito mais. Mas ela é, acima de tudo, o instrumento de trabalho de mais de metade das profissões que podemos equacionar, em especial de profissões ligadas a diversos palcos de trabalho.”

Assim abre a apresentação do Colóquio “Voz no Palco”, que terá lugar entre os dias 24 e 26 de Novembro de 2016 em Lisboa, promovido pelo Centro de Estudos de Teatro (CET) da Faculdade de Letras de Universidade de Lisboa.

Este encontro científico multidisciplinar terá como objectivo principal reunir profissionais das várias áreas da voz, que poderão congregar saberes, trocar e viver experiências, tudo dentro do âmbito da voz em actuação. Durante três dias, os participantes poderão assistir e participar em conferencias, debates,  espectáculos e outras actividades.

Os objectivos do colóquio passam, por um lado,  pela divulgação junto da comunidade artística e científica da dimensão especial da voz em palco, em especial para cantores e actores; por outro lado, passam também por dar formação em temas especializados. Segundo a organização, “será talvez a primeira vez em Portugal que se realiza um encontro científico sobre a voz numa perspectiva multidisciplinar tão alargada, que abarcará o teatro, a medicina, a linguística forense, a psicologia, a música (naturalmente!) e outras perpectivas que possam vir a surgir através das propostas de comunicação”. Este colóquio será também a rampa de lançamento de uma nova linha de investigação, “Voz em Performance”, que por sua vez se insere num grupo de investigação do CET, designado “Discursos críticos nas artes performativas”. Este grupo nasceu de uma reestruturação do CET, que levou à criação de três grandes grupos de trabalho: “Discursos críticos nas artes performativas”, “História do Teatro e do Espectáculo” e “Teatro e Imagem” .

O colóquio dará as boas-vindas aos seus participantes e ouvintes no dia 23 de Novembro pelas 19h com um porto de honra, seguido de um momento musical. Nos dias seguintes (24, 25 e 26 de Novembro) decorrerão as actividades. No dia 25 de Novembro o ponto alto será um recital de canto e poesia em torno da lírica de Fernando Pessoa.

Está aberto o período de envio de propostas de comunicações, painéis e cartazes, sugerindo-se os temas: pedagogias vocais; medicina, ciência e arte; voz em performance; acústica de salas de espectáculo; a voz e os seus textos (literatura e teatro); linguística e fonética; voz e movimento; patologias vocais; voz na infância; voz e música ; voz e psicologia; produção e percepção vocal; terapias holísticas aplicadas à voz ; voz, fala e cognição; análise e processamento de voz em aplicações informáticas ou aparelhos médicos; estudos de caso centrados no tema da voz.

Os interessados só precisam de enviar um tema e uma breve descrição, até ao dia 25 de Agosto, para o endereço: [email protected] . Mais informações poderão ser consultadas através de http://voxperformance.wix.com/palco .

VI Ciclo de Música dos Capuchos

Arrancou dia 23 de Julho (Sábado) o VI Ciclo de Música dos Capuchos, que ocupará este espaço com concertos e outros eventos artísticos durante quatro sábados seguidos (23 e 30 de Julho, 6 e 13 de Agosto, das 16h às 24h). Para este ano foi escolhida como temática central do ciclo a celebração da ‘mulher’ e do ‘feminino’ na concepção da obra musical. Assim, encontraremos em cada um dos concertos uma “celebração feminina”.

No dia 30 de Julho às 16h teremos “a mulher no sagrado”, no concerto “Celebração Mariana” pelo Ensemble Vocal Zezerearts dirigido por Brian Mckay. A “mulher inspiradora de paixões e êxtases artísticos” será o tema dos concertos “Por Amor de Clara Wieck”, num trio com piano, violino e violoncelo (30 de Julho, 18h) e em  “A Mulher em Poesia e Música”, com o Ensemble Vocal e Instrumental Zezerearts dirigido por Brian Mckay (30 de Julho, 22h). A “mulher rebelde” é sem dúvida o tema central de La Serva Padrona, pelo Ensemble Vocal Musicamera e os solistas Iria Perestrelo e José Corvelo (6 de Agosto, 22h).

No concerto “A Troca das Princesas” encontramos a mulher mecenas, referindo-se esta menção à princesa Maria Bárbara de Portugal, esposa de Filipe V de Espanha e discípula fiel de Domenico Scarlatti (6 de Agosto, 16h). A “mulher festiva” será por excelência o tema do concerto “Graças e Musas do Brasil” com a meio-soprano Juliana Mauger e o Quarteto Lopes-Graça (6 de Agosto, 19h), quarteto este que actuará uma hora antes no mesmo dia (18h) no concerto “A Donzela e a Morte”, onde a celebração do feminino estará na concepção da “mulher metafísica”.

Acrescentamos também como temas “a mulher compositora e intérprete” no concerto do Duo Contracello (“Viagens Toscanas nos Jardins Florentinos”, 23 de Julho, 18h) e “mulheres intérpretes” pelo Trio Lawson, que irá tocar obras numa formação muito particular e –infelizmente – de repertório escasso: canto, violino e piano (23 de Julho, 22h).

Destaque ainda para o concerto de abertura, “para famílias”, com o título “No tempo em que os instrumentos falavam” (23 de Julho, 16h), e para o concerto de encerramento com o Sonho de uma noite de Verão de Felix Mendelssohn, pela orquestra de Câmara de Almada e as vozes de Filipa Lopes e Ana Ferro.

Para miúdos e graúdos, as Histórias de En…contar acontecem no espaço do miradouro e, nos jardins, será possível adquirir uma refeição ligeira antes do grande concerto de cada uma das noites. Durante o dia, a partir da hora de abertura do Festival (16h) o público poderá fazer uma viagem iconográfica à “Mulher no Feminino e na Música” no espaço da loja. A encerrar cada jornada, propõe-se uma visita nocturna pelo convento que culmina com a iluminação cénica dos diversos espaços do jardim, possibilitando a descoberta da belíssima orla marítima da cidade de Almada.

No dia 23 de julho, pelas 21h, inaugura-se a instalação Pobreza Castidade Obediência, de Carlos Calado e desenhos de Catarina Cromeleque.

Aproveitando as férias e o bom tempo nas praias da Caparica, aqui fica esta sugestão de cultura e lazer, onde a entrada é livre (sujeita à lotação da sala)!

Pianíssimo: iniciativa a repetir!

A exposição Pianíssimo – pinturas para um piano encontrou-se em exibição na Escola de Música do Conservatório Nacional, em Lisboa, até dia 9 de Julho, com entrada livre.

Pianíssimo reuniu mais de uma centena de peças de diversos artistas, entre pintura, fotografia e escultura que se espalham por corredores e pelo átrio principal e biblioteca do Conservatório Nacional. Os trabalhos foram da autoria de Carlos Farinha, Dora-Iva Rita, Eduardo Nunes, Gilberto Gaspar, Ilídio Salteiro, João Mateus, João Vasco, José Mouga, Luís Herberto, Maria Capelo, Marta Caldas, Nélia Caixinha, Pedro Noronha, Sónia Queimado-Lima, Nim Castanheira e Vitor Casimiro. Todos os trabalhos encontravamm-se à venda e parte das receitas obtidas reverteram para a Associação de Amigos do Conservatório Nacional com o objectivo de comprar um piano de cauda novo para a escola.

A exposição constituiu também uma oportunidade para conhecer um pouco dos espaços do Conservatório. A escola tem sido notícia no últimos tempos por causa da situação de degradação que afecta o edifício mas, segundo a Associação de Amigos, estão previstas profundas obras de recuperação para breve.

 

Conferência Internacional Música e Mobilidade Humana – ICMHM’16

Durante os dias 7, 8 e 9 de Junho, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa acolheu cerca de uma centena de investigadores nacionais e internacionais para debater questões relacionadas com música e mobilidade humana. Num contexto onde a mobilidade humana, voluntária e forçada, é fenómeno social cada vez mais presente, esta conferência proporcionou um espaço privilegiado para o cruzamento de diversas abordagens. Durante três dias, as várias comunicações contribuíram para o debate académico dedicado a temas como “Aprendizagem em contexto intercultural”, “Estratégias mediáticas”, “Dança e representaçã”, “Consumo”, “Encontros interculturais”, “Diáspora africana”, “Tecnologia”, “Identidades”, “Influência da Web”, entre outros. A ICMHM’16 contou ainda com painéis e mesas redondas dedicadas ao Korá, à Lusofonia, à Nacionalidade, à Crioulidade e Interculturalidade e ao Jazz em Portugal protagonizadas não só por académicos especialistas como por agentes culturais no terreno.

Esta conferência contou com keynote speakers de renome internacional: Michael Fuhr (Hanover University of Music, Drama and Media, Alemanha), que abriu a conferência com uma comunicação sobre música e produção transnacional a partir da Coreia do Sul; e John Baily (Glodsmiths, University of London, Reino Unido) que falou no Auditório Conde Ferreira em Sesimbra sobre a prática musical na diáspora islâmica Afegã.

Sessão de Abertura da Conferências Musica e Mobilidade Humana, dia 7 de Junho de 2016, Auditório 1, FCSH/NOVA, com(da esq. para a dir.) Adrian Lesenciuc (Chair), Maria de São José Côrte-Real (Chair), Francisco Caramelo (Director FCSH/NOVA), Salwa Castelo-Branco (Presidente INET-md), Maria de São José Côrte-Real (Chair), Leonor Azêdo e Bart Vanspauwen (Apresentadores, INET-md)

 

A organização da conferência, integrada na série “Redefinindo Comunidade em Contexto Intercultural” (Brasov, Roménia), esteve a cargo do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança (FCSH/NOVA) e da Academia da Força Aérea Henri Coanda da Roménia, em Brasov, Roménia, tendo como chairs Maria de São José Côrte-Real (INET-md, FCSH/NOVA) e Adrian Lesenciuc (Academia da Força Aérea Henri Coanda, Brasov, Roménia). Durante estes três dias, a FCSH recebeu investigadores de dezasseis países distintos como a Roménia, Sérvia, Itália, Malásia, México, Kuwait, entre outros.

A ICMHM’16 não se confinou aos muros da FCSH e, na primeira noite, foi recebida no Templo Hindu de Lisboa onde os participantes puderam assistir ao momento de oração e à apresentação musical de Mostafa Anwar (Voz/Harmonium) e Paulo Sousa (Sarengi) e de Verónica Doubleday e John Baily, assim como à dança indiana com Lajja Sambhavnath. A tarde do segundo dia foi passada na Vila de Sesimbra, com a comunicação do Keynote speaker, John Baily, e uma visita guiada a diversos locais históricos da Vila.

E como a teoria e prática se complementam, durante estes três dias as salas e o pátio da FCSH foram também espaço para workshops de canto sufi clássico e semi-clássico acompanhado com Mostafa Anwar (NOVA/Bangladesh); de canções domésticas de mulheres muçulmanas com Verónica Doubleday (Investigadora e Artista Independente); “Singing one’s own research” com Judith Cohen (York University, Canadá); de jazz e expressão corporal com Kátia Leonardo (Artista Independente) e José Dias (FCSH/NOVA); e de Klezmer Ashkenazi com Giordano Calvi (FCSH/NOVA), Claudio Cosi, Giulio Giani (Univ. de Pavia, Itália) e Emanuele Giarrusso (Univ. de Cremona). A conferência terminou com a apresentação do trabalho realizado durante os workshops num concerto realizado no espaço de convívio da Faculdade.

Esta foi uma excelente oportunidade para uma profícua troca de conhecimentos e para o convívio entre académicos experientes, investigadores, agentes culturais e estudantes dos diversos níveis académicos, partilhando experiências e perspectivas distintas.

 

Visita à Vila de Sesimbra, dia 8 de Junho de 2016

Canção de Protesto e Mudança Social – ICPSong’16

Durante três dias, o Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança (INET-md), o Instituto de História Contemporânea (IHC) da FCSH/NOVA e a Câmara de Grândola uniram esforços para promover a Conferência Internacional Canção de Protesto e Mudança Social integrada nas actividades do primeiro ano do Observatório da Canção de Protesto (Grândola).

De 15 a 17 de Junho, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa recebeu um conjunto de investigadores internacionais que puderam partilhar o seu trabalho com a comunidade científica. Ao longo destes dias esteve patente a exposição ‘Discos na Luta e a Revolução dos Cravos’ com cerca de 200 capas de discos de uma extensíssima colecção particular de Hugo Castro (Doutorando do INET-md/FCSH). Esta exposição proporcionou uma visão alargada dos discos que compuseram a paisagem sonora do processo revolucionário, antes e depois da Revolução dos Cravos.

A ICPSong’16 contou com a presença de cerca de sessenta investigadores de países como Reino Unido, Espanha, Estados Unidos da América, Brasil, Itália, Alemanha, África do Sul e Hong-Kong com o intuito de promover o debate em torno do papel da música como forma de protesto. Os três keynote speakers apresentaram reflexões diferenciadas acerca de problemáticas contemporâneas onde a música assume um papel fundamental enquanto veículo ideológico: David McDonald (Indiana University, Bloomington, USA) apresentou o seu trabalho sobre canção de protesto e resistência palestiniana; Michael Frishkopf (University of Alberta, Canada) reflectiu acerca da música e as novas revoluções árabes; e Noriko Manabe (Temple University, USA) deu a conhecer o seu trabalho sobre canções e o movimento antinuclear no Japão. Ao longo destes três dias, os participantes puderam ainda participar nos workshops de Cante Alentejano com Celina da Piedade e canto polifónico das Heróicas de Fernando Lopes-Graça com Vítor Lima. Os trabalhos desenvolvidos foram apresentados no concerto final, no último dia de conferência, no espaço exterior da FCSH/NOVA, contando ainda com a participação do trio de música brasileira de João Nogueira e com o banjo e a voz de Anthony Seeger (UCLA / Smithsonian Folkways Recordings), sobrinho do pioneiro Pete Seeger.

Para além de comunicações e workshops, a conferência proporcionou uma troca de experiências entre académicos e os agentes envolvidos na produção musical. Deste modo, foram convidados a participar no debate José Jorge Letria, João Afonso e Viriato Teles numa mesa redonda sobre José Afonso; Carlos Alberto Moniz, Carlos Mendes, José Zaluar Basílio e Vítor Sarmento que debateram o papel da canção como símbolo de resistência e protesto na instauração da democracia em Portugal; Carlos Moreira e António Moreira que partilharam as suas experiências enquanto membros da Juventude Musical Portuguesa, do GAC e do Coro “O Horizonte é Vermelho” e os diferentes caminhos que seguiram enquanto músicos; Amélia Muge, Maria João Fura e Anarchiks numa mesa redonda composta por mulheres protagonistas na cena da canção de protesto; e, a encerrar as sessões de trabalho, José Mário Branco que nos falou de uma “música para ouvir de olhos abertos”.

 

Sessão com o Keynote speaker David A. McDonald, dia 15 de Junho de 2016

 

Esta conferência animou outros espaços dentro e fora da cidade de Lisboa. O primeiro dia terminou com um concerto no mítico espaço do Convento do Carmo com a participação do Coro de Câmara da Universidade de Lisboa e sua interpretação de sete Canções Heróicas de Lopes-Graça, do duo de Maria Soeiro – Violoncelo — e Adriano Nogueira – Piano — também com duas interpretações de Lopes-Graça, do Quarteto de Cordas dos Solistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa com o Quarteto Cordas n.º 22, Op. 92 de Prokofiev e um arranjo de uma obra de José Afonso e, para a terminar a noite, com a Guitarra e a Voz de João Afonso e a Guitarra de João Ricardo Pinto (INET-md/FCSH) com três canções do próprio João Afonso e três do seu tio José Afonso.

O segundo dia foi marcado pela visita à Vila de Grândola, ao Observatório da Canção de Protesto e à Sede da Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense onde José Afonso foi recebido em 1964 e à qual dedicou a canção Grândola Vila Morena. O convívio proporcionado depois da comunicação de Michael Frishkopf no Cine-Teatro Granadeiro (Grândola) foi um momento informal de partilha entre os diversos participantes desta conferência e um bom exemplo da hospitalidade desta Vila que tem “em cada rosto um amigo”.

 

Mesa Redonda: A canção, símbolo de resistência e de protesto na instauração da democracia em Portugal, dia 15 de Junho de 2016 com (da esq. para a dir.) Carlos Mendes, José Zaluar Basílio, Cristina Pereira Leite, Carlos Alberto Moniz e Victor Sarmento. 

Estudos Incomunicantes I/A de Álvaro Salazar

“O estilo é o homem.”

Álvaro Salazar

 

Idealizado e fundado no decorrer de 2001, o Atelier de Composição é uma associação cultural vocacionada para a divulgação e promoção da música portuguesa contemporânea. Entre as suas actividades conta-se a publicação de livros, a organização de concertos, conferências, encontros de compositores, exposições, publicações de partituras entre outros.

 

 

É pela mão do Atelier de Composição que nos surge um livro, um CD e um documentário sobre Álvaro Salazar (Porto, 1938 -). Compositor, chefe de orquestra, professor e crítico musical, Álvaro Salazar é uma figura incontornável do panorama musical nacional e internacional. A obra Estudos Incomuncantes I/A, gravada na Casa da Música no Porto, conta com a participação de Eugénia Chvets (piano I), Elsa Marques Silva (piano II), Inês Vicente (recitante), membros do Coral de Letras da Universidade do Porto (Ana João Anahory, Paula Brochado, Mariana Carrilho, Jorge Grave, Inês Marques, Pedro Marques, João Vasco Rodrigues e Matias Schöner), José Luís Borges Coelho (direcção coral) e Virgílio Melo na direcção artística. O CD apresenta-nos também um booklet  com o texto de 2007 de Álvaro Salazar, precisamente intitulado Estudos Incomunicantes, como introdução à música que se escutará (“Breve poalha alada de um alfabeto ignoto, as flébeis esparsas cintilações do nada vindas, ao nada recolhendo. Ou marcos — dir-se-á — pelo oco da noite deslizantes, insondáveis sinais que o silêncio esculpiu, medindo o Tempo o Espaço os mundos solitários. Dilui o manto negro voraz ressonâncias, as longínquas pulsões que poucos sentem mesmo se escutando”), música essa que mostra imediatamente ao ouvinte,  nos seus primeiros compassos, que estamos perante música de Álvaro Salazar. Para quem for ousado, sugere-se a audição associada a uma meditação intensa do conteúdo do texto de Álvaro Salazar, que nos transportará para a dimensão do comunicante/incomunicante. Avisa-se o leitor/ouvinte que poderá com toda a probabilidade sentir uma revolução no domínio das sensações e dos sentidos ao ouvir a obra de Álvaro Salazar. Muito interessante é a inclusão de iconografía no CD, quatro fotografias de alta qualidade artística de Bruno Nacarato, que são um registo a ter em conta para o futuro.

Para além do CD contamos também com um valioso livro sobre Álvaro Salazar que contém intervenções de António Pinho Vargas, Virgílio Melo, João Pedro Oliveira, Mário Vieira de Carvalho e Maria João Reynaud, bem como uma entrevista ao compositor por Pedro Junqueira Maia. O livro termina com uma útil listagem de obras, partituras e discografia. Sem dúvida, recomenda-se a leitura na íntegra.

 

 

Também interessante é o trailer do documentário sobre Álvaro Salazar visível na página do Atelier de Composição (e aqui acima). Trata-se de um trabalho de Bruno Nacarato onde se podem ver e escutar fragmentos em que Álvaro Salazar fala sobre si próprio, sobre composição e sobre esta sua obra. Destaca-se a descrição que o compositor faz de si mesmo, de forma crua e clara: “Sou um homem velho, baixo, zarolho de um olho, vendo muito mal do outro, portanto, sou o que se pode dizer, em português, um pobre diabo… também não me quero pôr de rastos. Acho que tenho alguma capacidade de compôr num mundo onde há milhares de compositores, milhões, talvez, uns melhores, outros piores”.  Sobre a sua obra fala-nos de “uma contradição assumida em muita da minha música, entre uma gramática tonal mas com repetição que polariza certas notas e certas coisas, logo dá a ideia de um tonalismo que não tem”.

 

Tiago Matos no Prague Summer Nights — Young Artists Music Festival

Durante cerca de um mês, o barítono português Tiago Matos irá participar na segunda edição do Festival Internacional Prague Summer Nights — Young Artists Music, na capital da República Checa. De 12 de Junho a 10 de Julho, este barítono poderá trabalhar com os mais prestigiados especialistas na área, como os cantores Sherill Milnes e Maria Zouves, os maestros John Nardolillo e James Burton, ou o encenador Nick Olcott. Esta será também uma oportunidade para o Tiago mostrar o seu trabalho ao público internacional e para cantar no mesmo palco onde foi estreada a ópera Don Giovanni de W. A. Mozart.

Natural de Vila Real, Tiago contactou desde muito cedo com o teatro, a música e a dança. Despois de terminar os seus estudos em Piano, decide experimentar um novo instrumento, a voz, aumentando progressivamente o seu interesse pela ópera. Mais tarde, inicia os seus estudos superiores na Universidade de Aveiro e é em 2012 que surge a oportunidade de viajar para Paris e integrar o programa para jovens artistas da Ópera Nacional desta cidade.

O Prague Summer Nights — Young Artists Music Festival proporciona, durante trinta dias, uma experiência pedagógica e interpretativa a jovens cantores e instrumentistas que procuram aqui divulgar o seu trabalho e promover a sua carreira operática. Com uma equipa pluridisciplinar que integra instrumentistas, maestros, cantores, encenadores, vocal coaches e outros profissionais com carreira nas mais prestigiadas orquestras e salas de espectáculo mundiais, este festival promove concertos, masterclasses e aulas com profissionais de renome.

Mas o Prague Summer Nights — Young Artists Music Festival não conta apenas com as récitas da ópera Don Giovanni de W. A. Mozart no Teatro Nacional de Praga, conta ainda com mais sete concertos que vão desde a música de câmara ao jazz nas diversas salas de concerto da cidade. Toda a informação sobre este Festival está disponível no website do evento: http://www.praguesummernights.com/ .

À semelhança da edição anterior, esta segunda edição conta com participantes não só da Europa como da Ásia e do Continente Americano, estudantes nas mais prestigiadas escolas. Organizado pela Classical Movements, Inc., uma conceituada empresa de promoção cultural, este Festival é uma ocasião única para os jovens intérpretes trocarem conhecimentos, trabalharem com nomes conceituados da cena musical internacional e actuarem no mesmo palco onde W. A. Mozart estreou Don Giovanni em 1787. Para o barítono português esta será certamente uma oportunidade ímpar na sua carreira.

Propostas para o Verão na FCSH/NOVA

Encontram-se abertas as inscrições para os cursos oferecidos pela Escola de Verão da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa.

Estes cursos de curta duração são abertos a todos os interessados, quer sejam, ou não, alunos da faculdade. A oferta é variada e abrange diferentes áreas de estudo, de História, Estudos Artísticos, Património, Línguas, Literatura, Educação, entre outros.

Dos estudos de música, os interessados poderão escolher entre cursos mais práticos de manipulação sonora, de fundamentos de acústica, música electroacústica, sound design e espacialização ou de iniciação à manipulação sonora em tempo real, e cursos mais teóricos como Composição musical no século XX e XXI, que será leccionado por Isabel Pires e Rui Pereira Jorge, e Introdução à música russa e soviética, que será leccionado por Paulo Ferreira de Castro (cf. cartaz abaixo). No conjunto, estes dois cursos abrangem tópicos da prática musical no século passado; porém, o primeiro focará sobretudo aspectos de técnicas de composição, enquanto que o segundo irá abordar, do ponto de vista histórico, a música na Rússia desde o despontar do nacionalismo musical em meados do século XIX até ao período da Perestroika.

[alert type=blue ]Para mais informações, consulte o sítio da instituição:
http://fcsh.unl.pt/escola-de-verao/apresentacao[/alert]

Está a chegar o ENCAPE2016

O Conservatório de Música de Coimbra (CMC) e o Instituto de Etnomusicologia, Centro de Estudos em Música e Dança (INET-md), nos dias 11 e 12 de Julho de 2016, organizam em Coimbra um “Encontro Nacional de Composição e Análise Musical: Perspectivas Educacionais” (ENCAPE2016). Este encontro, com organização de Sara Carvalho e David Miguel, tem como objectivo principal reunir diferentes intervenientes (professores, investigadores, e outros interessados) para debater e partilhar ideias relativas ao ensino da música nas áreas da Composição e da Análise Musical. Adicionalmente, pretende-se transversalidade temática e incentivo ao diálogo entre as diferentes áreas do ensino artístico.


O programa proposto é constituído por diversas conferências, painéis e debates, que contam com personalidades de relevo no panorama musical em Portugal. Em todos os painéis haverá a possibilidade dos inscritos colocarem questões e intervirem activamente no debate.

O ENCAPE2016 é também uma acção de formação acreditada para os grupos de recrutamento M1 a M32, M38, 250 e 610, com 13 horas presenciais (0,5 créditos). Os interessados podem inscrever-se como ouvintes (assistindo ao encontro sem creditação das horas) ou como formandos.

 

 

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