32.ª edição do Festival Dias de Música Electroacústica

Decorrerá em Seia, de 27 a 30 de Dezembro, a 32.ª edição do Festival Dias de Música Electroacústica (DME). Trata-se da 51.ª edição, de todas as decorreram desde a estreia do festival, em 2003, em Cracóvia.

Nesta edição destaca-se a presença de Michel Pascal, professor no Conservatório Superior de Nice, e de Elizabeth Anderson, professora no Conservatório Superior de Mons, na Bélgica. Estes compositores, que contam com uma carreira internacional na área da música electroacústica, estarão presentes no Festival DME para difundir as suas peças num concerto monográfico dias 28 e 29, respectivamente. Partilharão, também, a sua experiência em actividades pedagógicas, tais como conferências e seminários de composição. No concerto de Michel Pascal, destacamos a presença dos violoncelistas Miguel Rocha e Valter Marrafa, que irão interpretar uma obra para 2 violoncelos e electrónica.

João Pedro Oliveira, compositor português e professor na Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil), fará a curadoria do concerto de videomusic na Casa da Cultura de Seia, dia 29, onde será também apresentada uma nova obra da sua autoria. No concerto dos NovigaProjekto (Clara Saleiro, flauta; Manu Alcaraz, percussão), no dia 30, será novamente interpretada uma obra de João Pedro Oliveira.

O festival conta ainda com a presença de jovens compositores portugueses e estrangeiros com o objectivo de difundir as suas obras. Nos dias 27 e 28: Adrian Laugsch (Polónia/Alemanha), Henrique Couto (Portugal), Gaetano Pepe (Itália), Simone Castellan (Itália), Tiago Morais Morgado (Portugal). Luís Sampaio e Ana Pereira, jovens clarinetistas, estudantes na ESART, irão interpretar a peça “Veus” de Gaetano Pepe, para 2 clarinetes e electrónica.

É igualmente de salientar a presença dos compositores portugueses João Castro Pinto e José Carlos Sousa. Este último estreará uma peça electroacústica no dia 27, encomenda do Festival DME. Os compositores Armando Corridore (Itália) e Túlio Santos (Brasil), também terão peças em estreia.

A instalação de Ana Mandillo, “Chambres d’Enfants”, estará em exposição permanente durante o festival, na Casa da Cultura de Seia, onde será também orientado um workshop com a artista no dia 30.

Será anunciado, no dia 28, o vencedor do concurso “Nano Músicos Electroacústicos”, destinado a jovens compositores que se encontrem a frequentar o Ensino Artístico Especializado ou o Ensino Profissional.

Finalmente, serão homenageados, ao longo do festival, os compositores Francis Dhomont, que completou recentemente 90 anos, e Jean-Claude Risset, falecido em Novembro de 2016.

Mais informações aqui.

Evocação e Homenagem a Fernando Lopes-Graça

A Associação Lopes-Graça, em estreita colaboração com uma série de parceiros locais, realiza, durante os meses de Dezembro de 2016 e Janeiro de 2017, um conjunto de actividades que evocam e homenageiam o compositor Fernando Lopes-Graça (1906-1994) e que irão decorrer nas cidades de Évora, Lisboa e Tomar.

Estas acções comemorativas do 110.º aniversário do compositor iniciam-se em Évora com a Semana Lopes-Graça, no dia 12 de Dezembro, pelas 18 horas, no Átrio da Câmara Municipal, com a inauguração da Exposição Evocação e Homenagem a Fernando Lopes-Graça, contando com a actuação do Coral Évora. No dia 13, as actividades prosseguem no Salão Nobre do Teatro Garcia de Resende, à mesma hora, com um concerto comentado por Fausto Neves, pianista, maestro e especialista na obra de Lopes-Graça. Estas actividades, organizadas em colaboração com a Câmara Municipal de Évora, o Ministério da Educação, a Associação Eborae Musica, o Coral Évora, o Coro da Universidade de Évora (CORUÉ), o Agrupamento de Escolas Severim de Faria e a Escola de Santa Clara, continuam no dia 15, pelas 15h00, nos Claustros da E.B. Santa Clara, onde os alunos do Ensino Articulado de Música do Conservatório Regional de Évora Eborae Musica e da Escola de Santa Clara, com o apoio teórico do Professor Octávio Martins, apresentam diversas obras do compositor. Estas comemorações encerram em Évora na Sexta-feira, dia 16, pelas 18h00, na escadaria da Câmara Municipal de Évora, onde irá decorrer um concerto pelo Coro Polifónico EBORAE MVSICA e pelo Coro da Universidade de Évora – CORUÉ.

[alert type=blue ]Comemorando o 110.º aniversário do nascimento do compositor e maestro Fernando Lopes-Graça, a Associação Lopes-Graça promove uma série de actividades evocativas da memória desta figura-chave da música portuguesa.[/alert]

As evocações na cidade de Lisboa centram-se no dia 16, pelas 18h30, no Teatro Aberto, com um concerto que contará com as actuações de Fausto Neves (piano), António Ferreirinho (guitarra) e Manuel Luís Cochofel (flauta transversal) e do Coro Lopes Graça da Academia de Amadores de Música, sob a direcção de José Robert, terminando com uma interpretação conjunta de Acordai!, numa actuação de todos os participantes, elevando as vozes de todos. Este concerto, de entrada livre, é organizado em parceria com a Academia de Amadores de Música e com a Câmara Municipal de Lisboa.

Na cidade natal do compositor, Tomar, as actividades realizam-se no dia 17 de Dezembro, pelas 17h00, na Biblioteca Municipal Dr. António Cartaxo da Fonseca, contando com uma palestra sobre a vida e obra do compositor pelo Prof. Doutor Mário Vieira de Carvalho, seguida da apresentação do livro de António Sousa, Escritos Lampantes, e encerrando com um concerto pelo Coro Misto da Canto Firme – Associação. Em Tomar, esta homenagem termina com a inauguração da Exposição Evocação e Homenagem a Fernando Lopes-Graça e com a assinatura do protocolo entre o Município de Tomar, a Casa Memória Lopes-Graça e a Associação Lopes-Graça.

Estas actividades pretendem homenagear e levar a diversos pontos do País a memória de uma das figuras centrais da Música em Portugal no século XX, de modo a quem “ninguém fique pelo caminho” e relembrando a vida e obra deste compositor no ano em que se celebram os 110 anos do seu nascimento.

Concerto de Natal pelo Trio Dell’Acqua em Lagoa

No próximo dia 18 de Dezembro, pelas 17h00, a Ideias do Levante – Associação Cultural de Lagoa, trabalhando em conjunto com o município da mesma cidade, organizará, no Convento de S. José, um Concerto de Natal com o Trio Dell’Acqua, constituído por Cristiana Silva (piano), Carla Pontes (canto) e Grace Borgan (flauta). Neste concerto, as três músicas irão interpretar obras de Johann Sebastian Bach, Georg Friedrich Händel e Giulio Caccini, bem como algumas peças de Zeca Afonso e ainda músicas tradicionais alusivas a esta época.

O concerto está recomendado para ouvintes com idade superior a 6 anos. Os bilhetes estão disponíveis pelo preço de 8 euros e poderão ser adquiridos na bilheteira do Convento (contacto telefónico: 282 380 434). Haverá 20% de desconto para sócios da associação Ideias do Levante e para portadores do Passaporte Cultural de Lagoa (mais informações aqui).


 

Cristiana Silva iniciou os estudos musicais em 1995 no Conservatório de Portimão – Joly Braga Santos, onde realizou o Curso Básico de Piano e de Violino. Em 2003 transferiu-se para a Academia de Música de Lagos (AML), afim de prosseguir o curso complementar. Trabalhou com os professores João Pedro Cunha (violino), João Rosa e Elena Tsouranova (piano). Participou em masterclasses com Álvaro Teixeira Lopes e José Eduardo Martins. Entre 1995 e 1998, ganhou um primeiro e três segundos prémios nos Concursos Internos de Alunos da AML. Em 2005, obteve Menção Honrosa no conceituado Concurso Internacional de Piano Cidade do Fundão. Em 2006 ganhou o Terceiro Prémio no VIII Concurso de Piano Florinda Santos, em S. João da Madeira, e, já em 2007, o Segundo Prémio no VII Festival das Artes Infantil e Juvenil de Albufeira. No ano de 2010, completou o Curso superior de Piano na Escola Superior de Música de Lisboa, na classe de Jorge Moyano. No mesmo ano fez parte do projecto Ligações Contemporâneas, com o Trio Flaugotiano, com o qual gravou para a Antena 2, estreando peças de compositores como Sérgio Azevedo, entre outros.

Carla Pontes nasceu em Lisboa e licenciou-se em ensino artístico, tendo iniciado os estudos de canto lírico com a professora Birgit Wegemann, em 2004. Desde então, frequentou diversos workshops, cursos, seminários, aulas particulares e masterclasses em Portugal e no estrangeiro. É professora de Canto e realiza estudos e formação no âmbito da terapia do som e, particularmente, da voz. Promove workshops de terapia do Canto, círculos de voz e chanting e exploração terapêutica da voz, numa descoberta constante da ligação desta com a essência pessoal. Integra vários projectos musicais, como Noite de Ópera; Dell’acqua; Lyra (voz e Harpa) e Class’ic (voz, violino, violoncelo e piano).

Grace Borgan iniciou a sua carreira musical no Conservatório de Música de Viena, em 1991. De 1996 a 2003 estudou no Conservatório Hermanos Berzosa em Cáceres, Espanha, sob a instrução do flautista Javier Puentes. Continuou os seus estudos musicais nos Estados Unidos da América, onde obteve a Licenciatura em Música de Ouachita Baptist University, sob a instrução de Kristin Grant. Além de ter participado em vários ensembles orquestrais e de câmara, participou também em musicais e óperas como Amahl and the Night Visitors, Anything Goes, H.M.S. Pinafore, She Loves Me, The Magic Flute e The Sound of Music. Em 2006 venceu o 1.º lugar no Concurso Anual de Concertos de OBU, que lhe permitiu realizar uma tournée como solista com a Orquestra de Sopros de Ouachita. Desta forma, actuou em várias cidades dos Estados Unidos da América e até no Algarve, numa tournée em Portugal e Espanha em 2007. Leccionou flauta em regime privado e em masterclasses de competições de bandas. Participou em masterclasses, concertos e convenções com flautistas de renome, como James Galway, Alexa Still e Ian Clark.

Ciclo de concertos da Orquestra Clássica do Sul no Algarve

A Orquestra Clássica do Sul (OCS) fará, em Dezembro, um ciclo de concertos de Natal dedicado às crianças. Tendo como maestro titular Rui Pinheiro e apresentando na narração Linda Valadas, serão interpretadas obras de Coleridge-Taylor, Felix Mendelssohn, Luís Soldado, E. Elgar, Gruber e Anderson.

Para além de já conhecidas e tradicionais músicas de Natal, a OCS fará a estreia absoluta do conto infantil O Sorriso mágico de Sofia, com música do compositor associado Luís Soldado.

Os concertos decorrerão entre 16 e 23 de Dezembro em várias cidades algarvias e alguns destes concertos terão entrada gratuita.

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  • 16 de Dezembro (21:30) – Igreja Matriz de Albufeira – entrada livre
  • 17 de Dezembro (21:30) – Igreja do Carmo (Fuseta) – entrada livre
  • 18 de Dezembro (21:30) – Igreja de S. Pedro do Mar (Quarteira) – entrada livre
  • 20 de Dezembro (19:00) – Centro Cultural de Lagos – preço: 6€ (reservas: 282 770 450)
  • 21 de Dezembro (21:30) – Igreja da Altura (concelho de Castro Marim) – entrada livre
  • 22 de Dezembro – Espaço Guadiana (Alcoutim) – entrada livre
  • 23 de Dezembro (18:30) – Teatro das Figuras (Faro) – preço: 10€ (reservas: 289 888 110)[/alert]

Já no decorrer destas últimas semanas, tem sido possível ouvir esta orquestra em várias apresentações públicas um pouco por todo o Algarve, nomeadamente em concertos incluídos no seu ciclo de Música de Câmara. No dia 25 de Novembro, no Centro Paroquial de Pêra (Silves), foi possível ouvir, pelo Octeto de sopros da OCS, a Serenata n.º 11, em Mi bemol maior (K. 375), de W. A. Mozart, bem como, de Scott Joplin, Ragtime Serenade, Ragtime Dance, Solace, Pleasant Moments e The Easy Winners.

No mesmo dia, pelas 21:30, no Pequeno Auditório do Tempo (Portimão), soou o Quarteto com flauta n.º 3, em Dó maior (B.286), de Ignaz Pleyel, a Serenata para flauta e cordas, Op. 25, de Paul de Wailly, e, de Vicent d’Indy, a Suite em estilo antigo, Op. 24. Todas estas obras foram interpretadas por quarteto de cordas, juntamente com flautas e trompete.

A 2 de Dezembro, no Teatro Mascarenhas Gregório (Silves), deram-se a ouvir o Duo n.º 1, em Dó maior, (WoO 27) de L. V. Beethoven, a Sonata para Clarinete e Fagote de Poulenc e a Serenata, Op. 46, de A. Casella. Os músicos que formaram este agrupamento de câmara foram Rui Travasso (clarinete), Joaquim Moita (fagote), João Mogo (trompete), Alma Ramírez (violino) e Mikhail Shumov (violoncelo). Ainda no decorrer do mês de Dezembro, a Orquestra Clássica do Sul actuou nos dias 9 e 10 no Cineteatro Louletano e no Grande Auditório de Gambelas, respectivamente. Foram interpretadas obras de Schumann, Richard Strauss, Schubert e Haydn com o maestro titular principal, Rui Pinheiro, e o trompista Paulo Guerreiro como solista.

O motete “Mulier quae erat” de Manuel Cardoso

Manuel Cardoso nasceu em Fronteira, possivelmente no segundo semestre do ano de 1566, uma vez que foi baptizado a 11 de Dezembro desse ano na Igreja Matriz desta povoação alentejana. Os detalhes biográficos de Manuel Cardoso foram-nos transmitidos pelo cronista da Ordem do Carmo, Fr. Manuel de Sá, que, em 1724, publicou as Memorias historicas… da Ordem de Nossa Senhora do Carmo, dedicando três páginas ao compositor alentejano.

De acordo com Fr. Manuel de Sá, Manuel Cardoso foi enviado para Évora com o propósito de estudar “gramática e a arte da música”, muito possivelmente no Colégio dos Moços do Coro afecto à Catedral. Cardoso tomou hábito no Convento do Carmo de Lisboa em 1 de Julho de 1588, tendo professado no dito convento a 5 de Julho do ano seguinte, aos 23 anos de idade. O cronista da Ordem do Carmo enalteceu as qualidades de Cardoso durante os anos que permaneceu no Convento do Carmo. Para além de o considerar “hum dos mayores, e mais insignes compositores, que houve naõ só neste Reyno, mas em toda a Europa”, também lhe enumerou as virtudes, afirmando que “no comer foy muyto parco, na modestia singular, na guarda do silencio vigilantissimo, nos votos essenciaes observantissimo, na probreza taõ pontual, que nunca teve cousa propria”.

Sobre a música de Cardoso, Peter Philips (director do grupo vocal de música antiga The Tallis Scholars) afirmou nas notas ao CD dedicado a este compositor que, entre outros compositores portugueses, “foi Cardoso quem combinou o antigo e o moderno com maior sucesso, produzindo o seu próprio estilo com um alto carácter” emocional. Manuel Cardoso foi um dos compositores portugueses que mais música viram ser impressa. Ao todo, foram impressos cinco volumes de polifonia vocal sacra na oficina Craesbeeck ao longo de um período de quarenta anos. Estes volumes incluem um livro de Magnificat (1613), três livros de missas (um em 1625 e dois em 1636) e uma colecção de motetes, lamentações e outros géneros (1648).

hum dos mayores, e mais insignes compositores, que houve naõ só neste Reyno, mas em toda a Europa

O motete Mulier quae erat foi publicado numa colecção de música que também inclui, para além de outros motetes, uma miscelânea de outros géneros (como Missas, Lamentações, Responsórios, Hinos, Lições entre outras obras de menor dimensão). O denominado Livro de varios motetes… e outras cousas foi impresso em Lisboa, no ano de 1648, por Lourenço Craesbeeck. Esta obra pertence a um grupo de motetes para cinco vozes com a inclusão de um segundo Altus ao quarteto de vozes usual (SATB). Apesar de não possuir uma indicação directa quanto ao seu uso litúrgico, este motete encontra-se entre o grupo de obras destinadas aos últimos domingos da Quaresma. Outros compositores, como Estêvão de Brito ou Estêvão Lopes Morago, também escreveram motetes para os domingos do Advento e Quaresma. Tal como os motetes para os domingos, também este utiliza uma passagem textual proveniente dos Evangelhos (neste caso Lucas 7:37-38).

O texto do motete encontra-se dividido em cinco segmentos:

  1. Mulier quae erat in civitate peccatrix
  2. stans retro secus pedes Domini
  3. lacrymis cepit rigari pedes ejus
  4. et capillis capitis sui tergebat
  5. et osculabatur pedes ejus et unguento ungebat.

O início é algo ambíguo em termos do estabelecimento de uma “tonalidade”. As vozes iniciam o ponto de imitação, baseado no motivo musical associado ao texto “mulier” e “quae erat”, com entradas sucessivas das vozes (Tenor, Superius, Altus 1, Altus 2 e Bassus respectivamente) à distância de um intervalo de oitava ou de quinta. Um segundo motivo aparece associado ao texto “in civitate peccatrix”. Este é o segmento mais extenso do motete, junto com o quinto, não só por conterem mais texto, mas também devido a serem os segmentos exteriores da obra.

A música de Cardoso é também conhecida como possuindo características emotivas muito fortes. Os motetes, pelas suas características, são géneros propícios a momentos de word-painting, expressão herdada da análise de madrigais e chansons, que encaixa perfeitamente em Mulier quae erat. Determinadas passagens do texto ou palavras, como “peccatrix” ou “lacrymis”, são enfatizadas através de um controlo da dissonância comum no contraponto (retardo e notas de passagem) e algo característico na música de Cardoso, referido em termos analíticos como inflexão cromática. No último ponto de imitação, o motivo associado ao texto “et osculabatur pedes ejus” é desenvolvido por Cardoso, como aparece regularmente em outras obras, através da sua inversão.

O vídeo que acompanha este artigo foi gravado pelo Grupo Vocal Olisipo no passado dia 6 de Novembro, no concerto intitulado Vocem Flentium – A voz do pranto. Este concerto, realizado na igreja do mosteiro de Santos-o-Novo, integrou a 28.ª edição da temporada “Música em S. Roque”, organizada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. A música de Manuel Cardoso tem constituído um elemento central nos programas do Grupo Vocal Olisipo, contando mais de trinta anos de actividade, que dedicou um CD a este compositor (partilhado com os responsórios de Sexta-Feira Santa de Francisco Martins), mais concretamente à Missa pro Defunctis a quatro vozes que, tal como o motete Mulier quae erat, também se encontra no Livro de varios motetes.

“O Quebra-Nozes” pela Escola de Dança do Conservatório Nacional

O Museu do Oriente apresenta excertos do clássico de Natal “O Quebra-Nozes”, numa interpretação pelos alunos da Escola de Dança do Conservatório Nacional, no dia 10 de Dezembro, em duas sessões que se realizam às 16:00 e às 19:00.

Sob direcção de Pedro Carneiro, os excertos apresentados pretendem destacar o talento e entusiamo das jovens promessas da dança, formadas numa das mais prestigiadas instituições de ensino artístico do país.

[alert type=blue ]O Quebra-Nozes

Espectáculo pelos alunos da Escola de Dança do Conservatório Nacional

10 de Dezembro

Horário: 16h e 19h

Preço: € 7,50

Duração: 45’ (sem intervalo)

Direcção: Pedro Carneiro[/alert]

Informações e reservas:

T. 213 585 244/200

[email protected]

Ticketline 1820

www.ticketline.sapo.pt

Formação em Construção de Corneta Histórica

Terá lugar no Museu de Évora, entre os dias 10 e 13 de Janeiro de 2017, uma formação em construção de corneta histórica. Numa organização conjunta entre a Direcção Regional de Cultura do Alentejo, a Associação Eborae Musica e o Museu de Évora, serão formadores Andrew Hallock e Sam Goble, instrumentistas e pedagogos deste instrumento.

A formação inclui todos os materiais e ferramentas necessários, ficando os participantes na posse do instrumento construído, que será uma corneta soprano curva afinada em 440 hz ou 465 hz. Para o primeiro dia está prevista uma introdução ao instrumento, com a escultura de ambos os lados da peça a partir de uma prancha de madeira. No segundo dia será trabalhada a raspagem e acabamento interior, assim como a colagem das duas peças que compõem o tubo do instrumento. No terceiro dia irá finalizar-se o exterior da peça procedendo-se à gravação de padrões decorativos, terminando no quarto dia com a aplicação do acabamento exterior, a perfuração e afinação da peça.

Mais informações no sítio da Associação Eborae Musica.


ANDREW HALLOCK estudou construção de instrumentos de sopro em Haia com Paul Beekhuizen e corneta em Antuérpia com Marleen Leicher e em Bremen com Gebhard David. Possui o diploma em Composição pela Universidade do Texas e em Canto pelo Real Conservatório de Haia. Hallock iniciou a construção de cornetas em 2010, tendo viajado pela Europa e Estados Unidos da América, onde visitou exposições e Museus para melhor compreender as particularidades deste instrumento. Desde Junho de 2016 que tem vindo a organizar cursos de construção de corneta histórica com o intuito de permitir aos participantes a construção da sua própria corneta a partir de modelos históricos. Enquanto cantor, tem colaborado regularmente com o ensemble Capella Pratensis.

SAM GOBLE é um conceituado instrumentista de corneta histórica do Reino Unido. Estudou no Trinity College of Music com Richard Thomas e Jeremy West. Para além de corneta histórica tem também estudado outros instrumentos da família como a corneta muda, corneta tenor ou cornetinha e instrumentos como a gaita de foles, trompete natural, sacabuxa e charamela. Integra o grupo QuintEssential, tocando regularmente com agrupamentos de música antiga como Cantus Kolln, Academy of Ancient Music, Gabrieli Consort and Players, Dufay Collective, Musica Fiata, Orchestra of the Age of Enlightenment, English Conert, I Fagiolini e Monteverdi Choir and Orchestra. Tem vindo a construir cornetas históricas desde 2008, sob a orientação de Nicholas Perry, assim como bocais para corneta, serpentão e trompete barroca baseadas ou copiadas das originais, trazendo novas ideias quanto ao som e capacidades destes instrumentos. Alguns destes bocais podem ser vistos na colecção do Museu de Instrumentos Musicais de Edimburgo. Para além da actividade como instrumentista, mantém actividade como pedagogo ensinando corneta e sacabuxa em Berlim, Dartington International Summer School, tendo também ensinado corneta nas universidades de Hull e East Anglia.

Joaquim Simões da Hora in concert

No ano em que Joaquim Simões da Hora, um dos mais importantes organistas portugueses do século XX, celebraria o 75.º aniversário, e em que se regista também o vigésimo aniversário da sua morte, a Portugaler edita o projecto discográfico Joaquim Simões da Hora in concert, reunindo um conjunto de gravações inéditas presentes no seu espólio e nos arquivos da RDP/ Antena 2.

Este projecto apresenta momentos de três concertos: o primeiro realizado em 1974, na Sé Patriarcal de Lisboa, e os outros dois em 1994; em Setembro, na Sé de Évora, e em Outubro, na Igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa, concerto que encerrou o ciclo de órgão dirigido pelo organista no âmbito de Lisboa‘94, Capital Europeia da Cultura. No alinhamento escolhido, além do repertório ibérico, sempre abordado por Simões da Hora, figura igualmente algum repertório de outras latitudes europeias – que, embora não representado nos seus registos conhecidos, era presença habitual nos concertos que apresentava regularmente, sobretudo em Portugal –, bem como duas improvisações, que representam uma faceta da actividade do organista que só agora pode também ser ouvida em disco.

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Joaquim Simões da Hora ao órgão histórico (1562) da Sé de Évora

O concerto de lançamento deste CD terá lugar na próxima sexta-feira, 9 de Dezembro, pelas 19 horas, no foyer do Salão Nobre do Conservatório Nacional, onde Joaquim Simões da Hora foi professor. A sessão contará com as intervenções de Rui Vieira Nery, António Duarte e Tiago Manuel da Hora. A entrada é livre.

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Homenagem a Filipe Pires

No final da tarde (19h30) da próxima sexta-feira, dia 2 de Dezembro, será possível assistir, no Salão Nobre do Conservatório Nacional, a um raro concerto de homenagem a Filipe Pires, falecido, aos 80 anos, em Fevereiro do ano passado. O Grupo de Música Contemporânea de Lisboa dedicará um programa exclusivamente constituído – com excepção de uma pequena obra de Jorge Peixinho – por música do compositor lisboeta, que contará com a apresentação da sua obra integral destinada a ensemble: Monólogos, Diálogos, Octólogos e Prólogos.

Filipe Pires é considerado unanimemente um pioneiro da música electroacústica em Portugal. O seu contacto, a partir da década de sessenta, em Darmstadt e Paris, com vultos como Pierre Boulez, Karlheinz Stockhausen ou Pierre Schaeffer teve uma forte influência nas suas opções estéticas. Além da sua importância enquanto compositor, é de realçar a sua relevância no panorama do ensino musical português, não apenas como professor de composição (e, concretamente, da disciplina de Electroacústica, por si introduzida em Lisboa), mas igualmente como um dos membros da equipa que fundou a Escola Superior de Música, Artes e Espectáculo, no Porto.

O concerto contará com a participação de alunos do Curso Profissional da Escola de Música do Conservatório Nacional, em parceria com os membros do GMCL, dirigidos por Rui Pinheiro, resultado de um louvável protocolo pedagógico celebrado entre as duas instituições. No final será servido um Porto de Honra, após uma conversa com Pedro Junqueira Maia a propósito de Filipe Pires. A entrada é gratuita.

 

[divider]Programa[/divider]

Parte I

 Con-Figurações I-IV  (1968-70)          

    Improvisação sobre as Figurações I a IV de Filipe Pires

(Pno., Cl., Trp., Vln. e Perc.; alunos do 2.º ano do Curso Profissional da EMCN*)

 

Metronomie (1966)      Filipe Pires

(Fl., Vla. e Harpa)

 

Monólogos (1983)       Filipe Pires
(Fl., Cl., Vln., Vla., Vlc., Cb. e Pno.)

 

Diálogos (1975)            Filipe Pires

(Fl., Vln., Vla., Vlc., Guit., Pno., Perc., Harpa e Electrónica)

 

Parte II

Sine Nomine (1987)    Jorge Peixinho

Instrumentação Variável (alunos do 2.º ano do Curso Profissional da EMCN)

 

Elegia a Madrid (2004)    Filipe Pires

(Fl. e Guit.)

 

Prólogos (2003-04)             Filipe Pires

(Fl., Cl., Vln., Vlc., Pno. e Electrónica)

 

Octólogos (2001)          Filipe Pires

(S., Fl., Cl., Trp., Vla., Vlc., Cb. e Perc.)

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