As Sete Mulheres de Jeremias Epicentro

O Teatro Campo Alegre acolhe no 16 de Setembro, pelas 19h, a estreia de uma nova produção do Quarteto Contratempus. Trata-se da ópera As Sete Mulheres de Jeremias Epicentro, um espetáculo desenvolvido em co-produção com o Teatro Municipal do Porto, que conta com a encenação de António Durães do libreto de Mário João Alves  e da composição de Jorge Prendas. Esta ópera buffa notabiliza-se pela utilização de tecnologias multimédia interactivas.

As Sete Mulheres de Jeremias Epicentro conta a história de um Don Giovanni dos nossos tempos, «moderno e incansável». As tecnologias multimédia interactivas — nomeadamente tecnologias wearable, desenvolvidas por Hugo Edgar Mesquita para o efeito — manifestam-se sob a forma de uma luva que manipula som, imagem e luz em tempo real, numa cenografia virtual e aumentada.

Assim, entre o real e o virtual, Jeremias acaba por ir perdendo a capacidade de distinguir estas duas realidades, numa performance que envolve tanto actores como instrumentistas em cena, num enredo que se mostra garantidamente cómico.

O elenco é constituído por Teresa Nunes (Soprano), Ana Santos (Mezzo-Soprano), Crispim Luz (Clarinete), Susana Lima (Violoncelo), e Brenda Vidal Hermida (Piano). Ocorrerá uma segunda récita no dia 17 de Setembro, às 17 horas.

Fundado em 2008, o Quarteto Contratempus dedica-se à experimentação e inovação na área da ópera de câmara. Tem desenvolvido uma actividade regular desde 2015, com ofertas como a ópera cómica A Querela dos Grilos, nesse ano, ou a performance Os Dilemas Dietéticos de uma Matrioska do Meio, em 2016.

 

https://www.youtube.com/watch?v=cwINKUEQAYE&feature=youtu.be

Dia da Música Portuguesa em Budapeste

No próximo dia 17 de Setembro, assinalar-se-á em Budapeste o primeiro Dia da Música Portuguesa: uma iniciativa da Artway, em parceria com o Instituto Camões de Budapeste, o Budapest Music Centre e com o patrocínio da Hungaro DigiTel.

A tarde de próximo domingo será dedicada à música portuguesa do século passado. Tiago Hora introduz a temática proferindo uma palestra intitulada Portuguese Composers of the 20th Century: key figures between contexts and perspectives, numa acção de divulgação onde contextualizará o percurso e a obra de alguns dos nossos compositores mais destacados dos últimos 150 anos. À palestra segue-se um recital, prestado pelo violoncelista Filipe Quaresma e pelo pianista António Rosado. Quer a solo quer em duo, este dois distintos intérpretes darão a ouvir algumas das mais significativas páginas para os seus instrumentos escritas por Luís de Freitas Branco, Fernando Lopes-Graça e Joly Braga Santos.

Uma primeira edição do Dia da Música Portuguesa na capital húngara é dotada de particular simbolismo, conta-nos Tiago Hora: «A verdade é que entre Portugal e Hungria existem, inquestionavelmente, afinidades que perpassam precisamente cerca de um século, ou um pouco mais. Essas ligações foram fundamentais para a própria evolução da música portuguesa. Para isso bastará mencionar o impacto de Franz Liszt em Viana da Mota, e a importância que a obra de Béla Bartók teve sobre a música e perfil de Fernando Lopes-Graça, dedicando o próprio compositor português uma das suas mais importantes obras ao génio húngaro: o conjunto das suites para piano denominado In Memoriam Béla Bartók. Essa ligação estende-se também a muitas outras iniciativas conjuntas ao longo dos últimos 50 anos, com destaque para a co-produção de diversas edições discográficas pioneiras de música portuguesa gravada na Hungria, que fizeram parte da etiqueta PortugalSom — chancela do Estado Português dedicada à música de compositores portugueses — e também a vinda de intérpretes húngaros a Portugal para gravar algum desse repertório (como o fez o Quarteto Tackács com o Quarteto de Cordas de L. Freitas Branco).»

O Budapest Music Centre, que acolhe esta iniciativa, é o epicentro da vida musical da capital húngara, quer no que à programação de concertos diz respeito, quer relativamente à criação contemporânea — servindo, por exemplo, como sede da Peter Eötvös Contemporary Music Foundation e das actividades por esta promovidas.

Esta acção de divulgação pr’álem-fronteiras é a primeira materialização de uma iniciativa que a Artway conta desenvolver noutros locais e formatos, sempre em prol da difusão da cultural musical portuguesa e das referências contemporâneas nas áreas da interpretação, da musicologia e da composição. Assim, perspectiva-se que esta iniciativa possa tomar lugar em outras cidades — europeias e não só —, num crescendo que permita consolidar a difusão internacional dos produtos culturais da música erudita portuguesa em diálogo com outras tradições e mercados.

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