Júlia d’Almendra e o Movimento Organístico em Portugal

No próximo Sábado, 2 de Dezembro, às 15h30, será apresentado o livro Júlia d’Almendra e o Movimento Organístico em Portugal, da autoria de Domingos Peixoto. A sessão de apresentação terá lugar na Igreja de Santa Catarina – Convento dos Paulistas, na Calçada do Combro, em Lisboa, e será conduzida por Idalete Giga, coordenadora do volume (que contou ainda com o apoio na coordenação dos textos e recolha iconográfica de Maria Rosa) e directora do Centro Ward de Lisboa, que, em 1988, tomou também o nome de Júlia d’Almendra (1904-1992).

A personalidade homenageada nesta obra é a grande responsável pela reintrodução do Canto Gregoriano em Portugal, no séc. XX, através do seu contacto com a musicóloga francesa Solange Corbin. Júlia d’Almendra, que começara uma carreira como violinista, viria a criar o Centro de Estudos Gregorianos – hoje Instituto Gregoriano de Lisboa – e a proporcionar, assim, estudos efectivos de Canto Gregoriano, Música Sacra e Órgão a numerosas gerações de alunos.

Júlia d’Almendra e o Movimento Organístico em Portugal é uma das obras mais recentes de Domingos Peixoto, organista, investigador e professor, que até à sua recente aposentação leccionou a cadeira de Órgão na Universidade de Aveiro e se tem dedicado ao estudo do património organístico em Portugal e à história da redescoberta deste património no século XX. Chamamos ainda a atenção para um livro igualmente recente, cujo lançamento ocorreu no Conservatório Nacional, em Lisboa, a 22 de Novembro último, e que se relaciona directamente com o objecto do título em epígrafe: Apontamento sobre o Curso de Órgão do Conservatório Nacional. Da Criação à Experiência Pedagógica (Aveiro, 2017). Estas duas obras, em que muita da investigação do A. em anos anteriores está reunida e posta à disposição do público, são um contributo seguro e precioso para o conhecimento do início da prática organística em Portugal nos nossos tempos.


Para assistir ao evento, de entrada livre, deverá ser feita a reserva para este endereço de correio electrónico.

Todas as actualizações relativas às actividades do Centro Ward de Lisboa – Júlia d’Almendra podem ser consultadas através desta ligação.

Luís Tinoco em destaque na Madeira

No passado dia 25 de Novembro, a Orquestra Clássica da Madeira fez uma “proposta ousada”, conforme o seu próprio anúncio, e apresentou um Concerto de Autor, dedicado inteiramente às obras do compositor português Luís Tinoco. A ousadia, graças à atracção que este corpo orquestral representa no panorama musical da Região e à intensa publicidade à volta do evento, foi recompensada com uma casa praticamente cheia e um público que teve a coragem de enfrentar a linguagem musical de um compositor cujo nome é deveras familiar a um número restrito de conhecedores da música contemporânea. O próprio compositor referiu, no âmbito de uma palestra que, no dia anterior, fora organizada no Conservatório – Escola das Artes da Madeira, que a Música Contemporânea (erudita) é a única arte moderna que não é concorrida nem leiloada da maneira como acontece com a literatura e com as artes visuais. Luís Tinoco formou-se em Composição na Escola Superior de Música de Lisboa, tendo feito um Mestrado em Composição na Royal Academy of Music, em Londres, e um Doutoramento na Universidade de York. Combina a actividade de compositor com o ensino, exercendo funções docentes na Escola Superior de Música de Lisboa. É também actualmente Director Artístico do Prémio e Festival Jovens Músicos.

Dirigida soberanamente pelo Maestro Pedro Neves, a Orquestra Clássica da Madeira apresentou na primeira parte o Concerto para Violoncelo e Orquestra, terminado no ano corrente e estreado em Almada em Fevereiro pelo próprio dedicatário, Filipe Quaresma, que também interpretou a parte solista neste concerto. O Concerto, fruto da residência no Teatro Nacional de São Carlos, põe o solista a dialogar com a orquestra, utilizando a capacidade tridimensional de um corpo orquestral, conforme expresso pelo compositor numa entrevista. Tendo merecido plena atenção dos intérpretes, toda a complexidade da estrutura sonora e rítmica foi desvendada de maneira equilibrada e nítida.

 

Filipe Quaresma (violoncelo) / Orquestra Clássica da Madeira / Pedro Neves (direcção) fotografia: OCM

Composta uma década antes do Concerto, a obra Contos Fantásticos preencheu a segunda parte do programa. Baseando-se em textos de Terry Jones, do célebre grupo britânico Monty Python, esta obra foi encomendada pelo Teatro São Luiz e destinada a um público mais jovem. Os três contos, A Estrada Rápida, Três Pingos de Chuva e Tomás e o Dinossauro, foram narrados de uma maneira extremamente dinâmica pelo actor Élvio Camacho, conhecido junto do público português pelas participações em telenovelas da década transacta. A música, ilustrativa, sem ser banal, e dramaticamente intensa, sem ser preponderante, enfatizou as emoções e o humor do texto, catalisando uma experiência singular e memorável. No final do concerto, o compositor juntou-se aos intérpretes no palco, recebendo todos um aplauso entusiástico.

Salientamos ainda que este concerto foi o primeiro do ciclo Os concertos para violoncelo da Orquestra Clássica da Madeira, e que a orquestra ainda promove os ciclos Grandes solistas, Grandes obras e Jovens solistas, numa programação que abrange 27 concertos sinfónicos ao longo da actual temporada, para além de mais de 30 concertos de música de câmara, protagonizados por vários conjuntos formados pelos músicos da orquestra.


Outras actualizações relativas à actividade e à produção musical do compositor Luís Tinoco podem ser regularmente consultadas através desta ligação.

Angrajazz no Funchal

No passado dia 18 de Novembro, apresentou-se no Teatro Municipal Baltazar Dias do Funchal a Orquestra Angrajazz, sendo este concerto fruto do protocolo de geminação dos municípios do Funchal e Angra do Heroísmo. No âmbito deste protocolo, o mais recente (16.º) do Funchal, o Madeira Jazz Collective visitou a Ilha Terceira no dia 9 de Setembro, tocando no Teatro Angrense, e, agora, o público madeirense teve a oportunidade de ouvir os músicos da orquestra Angrajazz, dirigida por Pedro Moreira, aos quais se juntaram o clarinetista Paulo Gaspar e o saxofonista Ricardo Toscano como artistas convidados.

Constituída em 2002, desde o início a orquestra tem a direcção musical de Claus Nymark e Pedro Moreira, sendo composta, em grande maioria, por músicos terceirenses. Já se apresentou cinco vezes em Lisboa, no Funchal Jazz, e nas ilhas de S. Jorge, S. Miguel e Graciosa. Assume o papel de “escola” principal de formação de músicos de Jazz na Região e contribuiu para a imagem do Angrajazz como o mais importante meio de divulgação do Jazz nos Açores.

Perante uma sala praticamente cheia, o conjunto apresentou uma obra singular entre as criadas pelo grande compositor, pianista e líder da sua banda durante mais de 50 anos, Duke Ellington: a Far East Suite, apresentada por esta orquestra pela primeira vez em Portugal no ano passado, no âmbito do 18.º festival Angrajazz, é uma obra algo inusitada, reunindo nove impressões, em nove andamentos, das viagens de Ellington e do seu colega e colaborador Billy Strayhorn pelo Oriente, mas reflectindo só a última propriamente a experiência do Extremo Oriente, Japão.

Servindo também como o guia e moderador entre os andamentos da Suite, Pedro Moreira dirigiu a orquestra de uma maneira subtil e discreta, deixando os músicos, obviamente integrados num organismo único, demonstrarem o seu melhor, tanto em conjunto, como em apoio a vários solos efectuados por elementos do ensemble e por artistas convidados.

Acumulando-se a energia e a sinergia com o público ao longo do concerto, potenciadas pelas excursões virtuosísticas dos solistas, o fim do concerto tornou-se um momento apoteótico, coroando a actuação da orquestra Angrajazz um extra que é um grande clássico de Ellington, Take the ‘A’ Train, e entusiasmando a sala com improvisos brilhantes e emocionantes.

Fernando Pessoa Jazz Project

Os concertos Fernando Pessoa Jazz Project foram incluídos na programação Festa dos Anos de Álvaro de Campos, uma iniciativa da Associação Partilha Alternativa, presidida por Tela Leão, que durante os meses de Outubro e Novembro celebra o nascimento do heterónimo Álvaro de Campos em Tavira. Pelo terceiro ano consecutivo, Tela Leão tem tido a preocupação de realizar uma programação inclusiva, acolhendo não apenas os artistas residentes e as associações e escolas locais mas também aqueles que tendo afinidade com o projecto vêm de mais longe. Nos últimos dois anos, a Festa dos Anos de Álvaro de Campos obteve o apoio do programa “365 Algarve”, e este ano contou também com algum suporte da Camara Municipal de Tavira. Foi neste contexto que o Clube de Tavira acolheu o Fernando Pessoa Jazz Project, nos passados dias 20, 21 e 22 de Outubro.

O projecto foi idealizado e é dirigido pela cantora jazz canadiana Tammy Weis, que em 2010 foi nomeada para Vocalista do Ano pela London Jazz. A sua carreira internacional começou com o album Legacy (2005) dedicado à sua falecida mãe. Tammy provém de uma família de músicos: o seu bisavô tocava banjo e violino.

Neste projecto, Tammy faz-se acompanhar de dois talentosos músicos portugueses: Carlos Barreto no contrabaixo e António Pinto na guitarra. Carlos Barreto nasceu no Estoril e estudou no Conservatório Nacional de Lisboa. Em 1984 estabelece-se em Paris, fazendo concertos por toda a Europa. Regressa a Portugal em 1993, continuando a trabalhar com os melhores artistas e músicos e apresentando-se também a solo. António Pinto realizou estudos no Hot Club e mais tarde na Escola Superior de Música de Lisboa. Participou em várias formações musicais tais como o Septeto de Tomás Pimentel, a Orquestra do Hot Club de Portugal, Orquestra Sons da Lusofonia, Moreiras Jazztet, Quarteto de Carlos Martins, Orquestra Sons do Mundo de Laurent Filipe, Claus Nymark Big Band, Alexandre Diniz Quarteto ou o Quinteto José Meneses. Continua a colaborar com muitos dos melhores músicos portugueses.

Fernando Pessoa Jazz Project
Fernando Pessoa Jazz Project Fotografia: Íris Mestre

A ideia surgiu ao passear por Alfama. Tammy viu um cartaz de uma galeria de arte que anunciava “pintura, vinho tinto e café”. A cantora canadiana não se fez rogada. Quis o acaso que na galeria se encontrasse, nesse momento, um guitarrista. Pouco depois gerou-se um pequeno concerto improvisado. O pintor residente dessa mesma galeria era russo-mongol e pediu ao guitarrista que dissesse a Tammy que ela tinha de cantar Fernando Pessoa. Ela não fazia a menor ideia de quem se tratava… A sorte sorriu de novo pois a exibição era toda dedicada a Fernando Pessoa. Tammy começou a lê-lo nesse mesmo dia, e foi regressando à galeria para compor, enquanto o pintor-musa trabalhava com as suas telas e pincéis. Não falando português, Tammy acedeu com facilidade à poesia que Pessoa escreveu em Inglês. Como é sabido, Pessoa viveu em Durban, na África do Sul, entre os 7 e os 17 anos de idade. Os seus primeiros poemas, de adolescente talentoso, foram por Tammy transformados em canções.

Incluir o timbre da guitarra surgiu da intenção de fazer sentir “o pulso de Portugal” esclareceu a cantautora que assume a direcção artística do projecto. O grande objectivo é leva-lo para o Canadá, enfatizando a conexão entre ambos países. O espectáculo já foi apresentado em Inglaterra, com uma  formação diferente, mas mesmo aí Tammy quis incluir uma declamadora que recitasse os poemas em português, para que as pessoas pudessem sentir a energia e a sonoridade da nossa língua. A sua admiração pelo fado levou-a a incluir no espetáculo realizado na Casa Fernando Pessoa guitarra portuguesa, interpretada por Luís Guerreiro.

Tammy considera que cada composição tem um carácter único: umas soam mais a fado, outras a música latina, outras a jazz. Por outro lado, António Pinto afirma que não se pode dizer que um bom poema pertença a um determinado país — um bom poema torna-se universal. Ao trabalhar com Tammy, apercebeu-se da sua vontade de sair das fronteiras do jazz para entrar num território mais étnico e acolher o timbre português. Carlos Barreto e António Pinto trazem o timbre português no seu espaço de improvisação e nos arranjos musicais que vão fazendo para este work in progress.

Tammy encontrou na poesia de Pessoa uma actualidade que a surpreendeu. Jamais poderia imaginar que algo assim tivesse sido escrito há cerca de 80 anos, e citou de memória: “Viajar! Perder países!/Ser outro constantemente,/Por a alma não ter raízes/De viver de ver somente!” (Fernando Pessoa, Obra Inédita). Ou ainda: “Quero-te para sonho/Não para te amar.” (Ibid.) Estas leituras fizeram-na expandir a sua mente, ir a lugares inimaginados.

Tammy Weiss
Fotografia: Íris Mestre

De vestido negro, lenço vermelho usado ao modo de um xaile de fadista e o cabelo loiro deixado livre: assim se apresentou Tammy Weis no palco do Clube de Tavira, que depressa se rendeu aos encantos das sua voz forte e quente. Tammy insiste no quão importante é para si a sonoridade língua portuguesa, na qual não se atreve ainda a cantar. Assim, fora do palco, junto à assistência, a declamadora Maria João Soares recitou os poemas ingleses de Fernando Pessoa em Português. Também ela numa estética alusiva ao fado, envergando um vestido negro que fazia realçar os longos brincos de filigrana dourada que lhe pendiam em cascata das orelhas.

O concerto iniciou-se com Wake the World Sonnet, seguido de Many Rivers Run onde nos deliciámos com um solo de guitarra de António Pinto. Estes solos continuariam a surgir no decurso do concerto, sempre muito aplaudidos pela assistência.

Fotografia: Íris Mestre

A terceira peça, com música de Terry Britten, compositor inglês que escreveu várias canções para artistas pop famosos tais como Tina Turner, Cliff Richard, Michael Jackson e muitos outros, foi interpretada a cappella. Seguiu-se-lhe Hope, em que a poesia de Pessoa adolescente assentou que nem uma luva no estribilho: “Her lips were not very red/ Nor her hair quite gold/Her hands played with rings/ She did not let me hold/ her hands playing with gold”.

O quinto tema traria uma surpresa, introduzindo Berg, o vencedor da versão portuguesa de X-Factory em 2014, como convidado especial. O cantor português de ascendência alemã inundou o placo com o seu sorriso, e fazendo uma segunda voz mais aguda ao cantar de Tammy, o travo rouco no timbre quente de ambos levou a audiência ao rubro com Why do I desire?: “Why do I desire/What I do not need? Why does my soul, like fire/ Or a hot abstract greed/Seek all that is higher?”

Fotografia: Íris Mestre

Por um momento Tammy deixou o Pessoa adolescente para se concentrar em Ricardo Reis, cantando uma tradução inglesa do poema Segue o teu destino: “Segue o teu destino/ rega as tuas plantas/ Ama as tuas rosas/ O resto é a sombra/ de árvores alheias”. O poema evocou em Tammy o bucolismo da sua Alberta natal fazendo-a compor em pleno estilo country, tomando como estribilho as ultimas duas frases do poema “Os deuses são deuses/porque não se pensam”. Tammy imaginou os animais nas pastagens da sua infância, e a canção teve direito até aos gritinhos “yyyha” próprios de cowboys!

É aqui que as maiores dificuldades surgem para quem está deste lado, do lado da apreciação estética e crítica. A cantadora interpreta o poema de forma totalmente literal, contudo, nós sabemos que Ricardo Reis, o heterónimo neo-pagão, que recebeu uma educação clássica extremosa e se formou em medicina, nunca tendo exercido, era  um discípulo fervoroso de Alberto Caeiro, o heterónimo mestre. Também sabemos que Caeiro não era um pastor em sentido literal, o Guardador de Rebanhos, não se refere, de todo, a ovelhas: “Sou um guardador de rebanhos/O rebanho é os meu pensamentos/ E os meus pensamentos são todos sensações”.

Sabemos que em questões de estética é possível discutir mas não disputar. Jamais podemos auxiliar-nos de uma regra, como faríamos se se tratasse de um juízo de conhecimento, para sustentar a nossa razão. Contudo, quererá isto dizer que tudo é válido? Ou podemos, e se calhar até devemos, falar em casos como este de desconhecimento e equívoco? Temos ou não o direito, quiçá até o dever estético, de nos sentirmos chocados?

A especialista pessoana Teresa Rita Lopes é a primeira a afirmar que “O Fernando Pessoa anda por aí todo deturpado”. A professora, que se doutorou em Paris com uma tese sobre Fernando Pessoa e que há cinquenta anos se dedica ao estudo do poeta, já deu a volta aos 27 mil documentos do espólio mais do que uma vez, e não hesita em classificar certas edições como “vandalismo”. Que diria ela se ouvisse esta interpretação? Poder-se-ia argumentar que se trata de alguém de fora, alguém estrangeiro, alguém que desconhece a cultura portuguesa e o contexto poético da obra de Fernando Pessoa e que, por isso mesmo, ouve e lê com um olhar “fresco” e utiliza a sua experiência privada, o que os poemas evocam e inspiram para criar. De novo se coloca a questão, será isto legítimo? Tudo está permitido na chamada “liberdade do artista”?

Fotografia: Íris Mestre

A segunda parte do concerto abriu com Carlos Barreto fazendo soar com o arco o seu contrabaixo. Instrumento que permaneceu discreto durante toda a noite, realizando apenas acompanhamentos simples e um solo tão mínimo que a  sensação foi a de que nos tiraram o caramelo assim que o colocaram na boca. Quem conhece Carlos Barreto — a sua sensibilidade, o seu virtuosismo, a sua maturidade musical — esperaria que o seu talento fosse melhor aproveitado. Aliás, há a esperança de que tal venha a acontecer no futuro pois Fernando Pessoa Jazz Project é ainda um work in progress.

Sabendo que este projecto anda à procura de financiamento e que os músicos apenas se reúnem para ensaiar quando têm um concerto agendado, conformamo-nos com o caráter provisório, quase de manta de retalhos, que o trio apresenta. Não é ainda um todo entretecido e orgânico como se desejaria. Faltam bastantes horas de ensaio para lá chegar! Este é um drama que, infelizmente, a maioria de excelentes profissionais enfrentam no nosso país. Os artistas são de primeira qualidade, uma matéria-prima fomidável, mas depois é necessário que existam condições que permitam trabalhá-la. Dito de forma clara falta tempo pago para ensaiar, e para que a composição de Tammy se enriqueça com as improvisações e os arranjos de Carlos Barreto e de António Pinto, que lhe podem presentear as sonoridades portuguesas genuínas que tanto busca. Acresce que Fernando Pessoa Jazz Project não é um projecto comercial, tem por natureza um carácter intimista que reduz o nicho de público e, por conseguinte, de retorno financeiro possível. É em ocasiões como esta que os mandatários da cultura poderiam e deveriam encontrar condições de viabilização para levar a bom porto uma ideia com tanto potencial!

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