Dias da Música em Belém 2019 – Shakespeare

Depois de a obra de Hieronymus Bosch ter guiado a programação do Dias da Música em Belém de 2018, este ano o festival regressa uma vez mais ao Renascimento, desta vez à obra de William Shakespeare e à música por ela inspirada.

Os Dias da Música em Belém realizam-se entre os dias 25 e 28 de Abril, no Centro Cultural de Belém em Lisboa. O programa do festival viaja ao encontro das palavras e das personagens criadas por Shakespeare, através da música de compositores seus contemporâneos e de música composta posteriormente, suscitada pela leitura dos seus sonetos e peças. Logo no concerto de abertura interpretam-se obras de um grande admirador do dramaturgo e poeta, Hector Berlioz, nome que se repete noutros dias do festival. Neste concerto serão interpretados Tristia, Op. 18, e Lélio, ou O Regresso à vida (concerto B1).

Foram vários os compositores que, ao longo dos tempos, encontraram inspiração na obra literária de Shakespeare. Desta forma, algumas das suas peças integram o programa do festival. Romeu e Julieta surge na interpretação de Bellini, na ária Eccomi in lieta vesta…Oh! quante volte, de Os Capuletos e os Montéquios (C1), de Berlioz, na sinfonia dramática Romeu e Julieta (C3), de Gounod, num coro e ária da ópera que tem também o título da peça (D3), e de Prokofiev, nas dez peças para piano, op. 75 (D9) e em excertos do bailado Romeu e Julieta (D11), que inclui a famosa marcha dos Montéquios e Capuletos (também tocada no concerto D3). As Alegres comadres de Windsor surge na abertura de Otto Nicolai (C1), e em Falstaff, de Verdi, cujo terceiro acto será tocado no concerto de encerramento (D3). Hamlet, tornado poema sinfónico por Liszt, será interpretado na versão para dois pianos escrita pelo próprio compositor (D8). Macbeth surge na ópera homónima de Verdi, da qual serão executados alguns excertos, e no poema sinfónico de Richard Strauss (D2). Sonho de uma noite de Verão encontra diversas leituras, seja na semi-ópera The Fairy Queen, de Purcell (D1), ou na obra de Mendelssohn (A1 e C11, aqui na transcrição para piano a quatro mãos). Noite de Reis surge no conjunto de canções Songs of the clown, Op. 29, de Erich Korngold (C13, C15), e escuta-se igualmente numa peça de Thomas Morley (C14). Muito Barulho por nada é também revisitado por Korngold em 4 peças para violino e piano, Op. 11 (C13, D11). Rei Lear será adaptado para cena por Alexandre Delgado e Sara Barros Leitão, numa encomenda dos Dias da Música em Belém, em estreia (C5). Também em estreia The seven Ages of Man, para quarteto de cordas, de Tiago Derriça, escrita a partir do monólogo “All the world is a stage”, proferido por Jacques em As you like it (C16).

Um dos compositores em destaque no festival é John Dowland (1563-1626), contemporâneo do dramaturgo. A sua música, delicada e melancólica, poderá ser escutada em algumas ocasiões, nomeadamente no recital de Marco Beasley (tenor), acompanhado por arquialaúde, guitarra e alaúde, dedicado também à música italiana da época (C9), no concerto pela Accademia del Piacere (D7), e no concerto concebido por Nuno Côrte-Real, com o Ensemble Darcos e Ana Quintans (soprano), numa revisitação contemporânea de Lute Songs (C7).

O primeiro dia, Festival Jovem, é consagrado às escolas de Música e à apresentação dos seus alunos e agrupamentos em concerto, como já tem acontecido em edições anteriores. O programa paralelo do festival acontece uma vez mais nos concertos gratuitos do recinto e nas actividades dirigidas às crianças. Acrescenta-se, este ano, a realização de diversas masterclasses orientadas por músicos que participam nos Dias da Música.


Os bilhetes já se encontram à venda. Para mais informações sobre todas as actividades, consulte o programa de Dias da Música em Belém 2019.

Euterpe Revelada

Inserido nas actividades do pólo da Universidade de Aveiro do INET-md, Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança, está actualmente em curso um projecto de investigação designado Euterpe revelada: as mulheres na criação e interpretação musical portuguesas nos séculos XX e XXI, cujo objectivo principal é dar a conhecer o trabalho e o papel das mulheres portuguesas na Música. Sob a coordenação de Helena Marinho, professora do Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro, este projecto reúne 24 investigadores das universidades de Aveiro, Nova de Lisboa e La Rioja e do Instituto Politécnico de Lisboa, bem como investigadores independentes, congregando a colaboração do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança (INET-md) e do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM) e parcerias com a editora AvA e com o Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa.

Entre os trabalhos contemplados por este projecto contam-se o levantamento de obras de compositoras, a subsequente edição crítica das suas partituras, a recolha e tratamento de dados biográficos, as entrevistas a compositoras e intérpretes, ou, nos casos em isto não é possível, a familiares e pessoas próximas, num formato próximo do documentário.

Segundo a coordenadora do projecto, em informações divulgadas pelo Gabinete de Comunicação da Universidade de Aveiro, a partir do trabalho desenvolvido até ao momento é possível distinguir três períodos fundamentais no concernente ao papel e à notoriedade das mulheres no meio musical do Portugal contemporâneo: o primeiro, que parte da implantação da República e se estende até à década de trinta, um segundo período coincidente com a maior parte da vigência do Estado Novo e o último, dos finais da década de sessenta até aos nossos dias. Mais uma vez de acordo com o texto divulgado pela UA, Helena Marinho explica que, segundo investigação de André Vaz Pereira, no Sindicato dos Músicos havia registos de duas centenas de mulheres até 1934, número que cai abruptamente no período seguinte para 80. Regra geral, “no que diz respeito à música erudita, a participação das mulheres na criação musical, pelo menos até à década de setenta, foi difícil e limitada por convenções sociais”. Esta realidade profissional da composição, como também refere a mesma fonte, é contrariada por algumas excepções notáveis de personalidades que mantiveram carreiras nacionais e internacionais de relevo, como a maestrina e compositora Berta Alves de Sousa (1906-1997), professora do Conservatório do Porto e uma das primeiras mulheres portuguesas a dirigir uma orquestra sinfónica (designadamente a Orquestra Sinfónica do Porto, nos anos cinquenta).

Elvira de Freitas (fotografia: Glosas)

A própria Universidade de Aveiro é depositária do espólio de outro destes mais importantes exemplos, Elvira de Freitas (1928-2015). Por decisão de seus filhos, na sequência de uma decisão anterior e idêntica de Elvira de Freitas em relação ao espólio do pai, o compositor Frederico de Freitas, a obra desta importante compositora e pedagoga, em que Helena Marinho, citada pela mesma fonte, salienta o carácter ecléctico e a extensão da produção musical vocal, foi integrada nas colecções à guarda da UA, onde tem vindo a ser objecto de diversos estudos. Elvira de Freitas desenvolveu uma longa carreira na Emissora Nacional e alargou ainda a sua produção a outras áreas de expressão artística, como a escrita de ficção e as artes plásticas.

Na óptica da coordenadora, o meio musical é ainda marcado por uma diferença entre sexos, e, sobretudo no passado, a dificuldade de acesso a meios editoriais reflectia-se no conhecimento do trabalho das compositoras: “A falta de edições de partituras musicais é um factor a ter em conta, conjugado com uma certa tendência da musicologia portuguesa em centrar-se na actividade dos compositores e intérpretes masculinos”, refere Helena Marinho no mesmo comunicado da Universidade de Aveiro.


O projecto Euterpe Revelada teve início em Julho de 2018 e tem conclusão prevista para Junho deste ano. Mais informação sobre as actividades em curso pode ser consultada através desta ligação.

Prémio de Composição Acordeão 2019

A associação Folefest, que tem trabalhado nos últimos anos com o objectivo de promover o interesse pelo acordeão em Portugal e, em particular, a criação musical contemporânea para o instrumento na sua vertente erudita, é responsável, juntamente com a Fundação INATEL, pela instituição de um prémio de composição anual que, em 2019, se realizará pela terceira vez.

O Prémio de Composição Acordeão pretende, assim, contribuir para “o desenvolvimento, em quantidade e qualidade”, segundo a organização, do repertório específico para acordeão, bem como sensibilizar os compositores portugueses para a criação de novas obras para o instrumento. O concurso contempla apenas obras para acordeão solo, escritas por compositores de nacionalidade portuguesa ou por compositores estrangeiros residentes em Portugal, sem quaisquer restrições de idade. As obras submetidas ao concurso terão de ser inéditas (i.e., nunca anteriormente tocadas em público, gravadas ou publicadas em disco ou partitura comercial, premiadas no âmbito de outro qualquer concurso, ou resultantes de encomenda). A submissão de originais está aberta até ao próximo dia 26 de Abril, com a comunicação de resultados prevista até 2 de Junho.

O júri desta edição do Prémio de Composição Acordeão será composto pelos compositores Carlos Caires, Fernando Lapa e Paulo Jorge Ferreira.


O regulamento do concurso está à consulta no sítio da Associação Folefest na Internet. Quaisquer informações poderão ser solicitados directamente à organização através deste endereço de correio electrónico.

Festival In Spiritum no Porto em Maio

A Água e os Descobrimentos são o tema deste ano do festival In Spiritum, que se realiza de 16 a 19 de Maio, no Porto, convidando o público “à descoberta da cidade através da Música”.

Nesta quinta edição, o director do festival, M.º Cesário Costa, salienta a programação “extremamente diversificada, procurando dar a conhecer a história e as diferentes leituras dos vários espaços. Pretendemos que cada concerto seja um momento único e irrepetível, harmonizando a música que será interpretada de acordo com o ambiente especial de cada lugar.” Ainda na sessão de apresentação do festival, foi realçado o objectivo de valorização do património do centro histórico da cidade do Porto: “Queremos que o público descubra a cidade através da música.” Neste sentido, o festival In Spiritum decorrerá em espaços tão diversificados como o Salão Árabe do Palácio da Bolsa, o Museu Romântico da Quinta da Macieirinha, a Casa do Infante, a Igreja de São João Novo ou ainda, e pela primeira vez, o Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, em Matosinhos.

O primeiro concerto do Festival In Spiritum estará a cargo da cantora marroquina Iman Kandoussi, especialista em canto árabe andaluz e oriental, com um programa dedicado à música da Argélia, Marrocos e Tunísia, no Salão Árabe do Palácio da Bolsa. Seguir-se-ão recitais do pianista Raúl da Costa, no Teatro Helena Sá e Costa (17 de Maio), onde será estreada uma obra inédita de Luiz Costa, Encostas Verdes, de André Baleiro (barítono) e David Santos (piano), no dia 18, no Museu Romântico, e de Ricardo Leitão Pedro, na Casa do Infante, com música de corte da primeira metade do século XVI.

A harpista Carolina Coimbra apresenta, no dia 19, um recital intitulado Sob as águas de Matosinhos: e a propósito deste concerto, comenta o director do festival: “Ao longo da história da música, a água foi uma fonte de inspiração para diferentes compositores: a harpa, com a sua sonoridade limpa e cristalina, é o instrumento que mais nos aproxima da sonoridade das fontes e das águas de um rio.”

O concerto de encerramento terá lugar na Igreja de São João Novo, no dia 19, às 18h00. O próprio director artístico do festival, Cesário Costa, dirige a Orquestra Bomtempo, num concerto onde o soprano Patrycja Gabrel e o mezzo-soprano Carolina Figueiredo serão solistas no Stabat Mater de Pergolesi.


O festival In Spiritum foi criado em 2014 e resulta de uma co-produção entre a ACIS – Associação Cultural In Spiritum e a Câmara Municipal do Porto. Os bilhetes têm um preço único de 12,50€.

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