Este mês… Junho

No mês em que todos saem à rua para as festas de Junho, a Câmara Municipal de Sintra organiza o Óperas na Rua, em parceria com as agências de turismo Sintra Capital do Romantismo e ActiveSintra. Os espectáculos terão lugar na rua, em vários locais do município, com nove datas, entre 14 de Junho e 26 de Julho. É um projecto que visa o aumento da acessibilidade e a democratização da Ópera através da produção de Dido e Eneias, no Largo Rainha Dona Amélia, assim como vários espectáculos de foro multidisciplinar de programação ligada a este género musical. Já no dia 15 deste mês, o grupo Ópera no Castelo promove a nova criação Ópera Delirium, no Largo do Palácio Nacional de Queluz, que junta grandes árias do repertório operático, de Puccini, Verdi, Bizet e Mozart, sob o mote “para contágio imediato”. Na concepção e direcção artística de Ópera Delirium está Catarina Molder, na direcção cénica Lígia Roque. O elenco conta com Catarina Molder (soprano), Carlos Guilherme (tenor), Rui Baeta (barítono) e Pedro Vieira de Almeida (piano).

Estas óperas “pop-up” estarão também no Largo de Nossa Senhora da Natividade, em Mem Martins, na Praça Salgueiro Maia, em Massamá, nos Jardins da Quinta Fidalga, em Agualva-Cacém, e na Praceta Sacadura Cabral, em Rio de Mouro. Para além disso, a Quinta da Regaleira e a Quinta da Ribafria organizam duas galas de ópera nos fins-de-semana de 14 e 21 de Junho, respectivamente, como forma de acolhimento destas várias produções. Entre os grupos e associações participantes contam-se, entre muitos outros, o Coral Allegro – Associação Coral de Sintra, ou o Ópera Viva.

Ainda no que toca à performance e às produções multidisciplinares, a não perder é o novo espectáulo de Clara Andermatt, co-criado com o pianista e compositor João Lucas, no dia 7 de Junho, no Cine-Teatro Louletano. Parece que o Mundo é inspirado no livro Palomar, de Italo Calvino, e junta um elenco de bailarinos e músicos integrado por Félix Lozano, Gil Dionísio, Joana Guerra, João Madeira, Jolanda Löellmann e Liliana Garcia. É uma co-produção de várias entidades que têm vindo a ganhar cada vez mais relevo em Portugal, nomeadamente na área das artes performativas, tais como o Cine-Teatro Louletano, o São Luiz Teatro Municipal, o Teatro Municipal do Porto e a Companhia Clara Andermatt.

Relativamente à programação sinfónica deste mês, destacamos o concerto promovido pela Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, na Basílica da Estrela, a 26 de Junho. Trata-se de um concerto fora das grandes salas e auditórios, que tem como programa a Missa da Coroação, em Dó Maior, Kv. 317 de Mozart, Petker Te Deum to Music, de Allan Robert, e a Sinfonia n.º 7, em Lá Maior, Op. 92, de Beethoven. Com a participação dos coros Skagit Valley College Chamber Choir, de Diane Johnson, do Allan Petker Chorale, de Allan Petker, do Arizona Cantilena Chorale, de David R. Thye, e do Omaha Symphonic Chorus, de Gregory D. Zielke, este concerto é dirigido pelos maestros David Thye, Allan Petker e Peter Tiboris, no formato de um grande concerto coral e sinfónico.

Também promovida pela Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras será a Tarde Musical no Palácio Do Marquês de Pombal, a 22 de Junho, esta com um programa mais recente, que inclui obras de S. Azevedo, R. Muczynski e de L. de Lorenzo, numa formação para flauta, clarinete e fagote, com Vera Morais, Bruno Nogueira e Catherine Stockwell, todos solistas daquela orquestra.

Também ao ar livre, destaca-se a Noite de Prata da Orquestra Clássica do Sul (OCS), a ocorrer a 15 de Junho em São Brás de Alportel, no Largo da Vila. No âmbito da sua programação regular, a Orquestra sai à rua, sob a direcção do maestro José Eduardo Gomes, e apresenta um programa que inclui a Dança Eslava n.º 1 de Dvorak, e a Dança dos Comediantes de Smetana, entre outras obras mais afamadas do repertório clássico. Já no final do mês, a OCS promove também dois concertos, a 28 e 29 de Junho, no Auditório Municipal em Albufeira, e na Sé Catedral de Silves, com repertório sinfónico dedicado a Haydn, Mozart e Beethoven.

No que toca à música contemporânea, destacamos a Back Session da Orquestra de Câmara Portuguesa, a 15 de Junho, que promove o concerto Território Sagrado. A programação é curiosa, já que inclui obras de vários compositores contemporâneos japoneses, como Toru Takemitsu, Maki Ishii, Toshio Hosokawa, Atsuhiko Gondai e Joji Yuasa, mas também do enigmático Carlo Gesualdo Da Venosa, compositor maneirista do século XVI. Aqui, serão ouvidas transcrições colectivas do segundo caderno de canções sacras, em simbiose com a poesia do jovem percussionista Tomás Moital. Nesta Back Session, com entrada livre, poderemos contar com Rui Borges Maia, nas flautas, Ana Maria Santos, nos clarinetes e saxofone, Óscar Carmo, no trompete, Pedro Carneiro, na marimba, Tomás Moital, na marimba, percussão e poesia, e Álvaro Rosso, no contrabaixo. A encenação fica a cargo de Teresa Simas.

Já mais a Norte, a Sonoscopia Associação acolhe o saxofonista Bertrand Denzler por uma semana, que culmina no concerto Microvolumes 3.107, na sede da associação portuense, a 29 de Junho. Trata-se de uma residência artística para um músico que participou na primeira edição do Festival Colexpla, ocorrido em Setembro no Teatro Carlos Alberto, no Porto, e que promove a música experimental, electroacústica e as artes sonoras, tendo como participantes vários músicos emergentes do panorama musical contemporâneo, como o Trio Sowari, de que Denzler fez parte, Abdul Moimême, entre muitos outros.

Nas áreas da formação, e especialmente dirigido a jovens compositores, maestros e intérpretes, haverá mais um seminário do projecto Intérpretes para Compositores (IpC), desta vez com Paulo Pacheco, a 22 de Junho, a partir das 10h00. Trata-se de um projecto que promove uma série de sessões para a exploração da relação entre a escrita e técnicas de interpretação de música contemporânea, com uma componente prática de experimentação de materiais a realizar com os intérpretes que orientarão cada sessão. É um projecto de mérito, promovido pela Associação Portuguesa de Compositores, com o objectivo de reforçar a formação de músicos na interpretação de música contemporânea, por vezes pouco explorada no programa educativo musical actual.

Para os mais pequeninos, destacamos as Visitas com Música!, promovidas pelo Museu da Música Mecânica, em Palmela. São visitas com audição ao vivo dos instrumentos de música mecânica na companhia do próprio coleccionador e director do museu, Luís Cangueiro, e que ocorrem todos os sábados e domingos até ao final do mês, às 15h30.

Para as famílias, considere-se o espectáculo Dos Campos à Floresta, de Paulo Lameiro, e com a participação do trompista Rodrigo Carreira. É um espectáculo repleto de cores e sons para bebés, que terá duas récitas em locais distintos; a primeira no Convento de São Francisco em Coimbra, a 9 de Junho; a segunda no Centro Olga Cadaval em Sintra, a 16 de Junho.


Programação

 

Óperas na Rua, Município de Sintra

entre 14 de Junho e 26 de Julho

 

Parece que o Mundo, Cine-teatro Louletano

7 de Junho

 

Visitas com Música!, Museu da Música Mecânica

8 a 30 de Junho

 

Dos Campos à Floresta, Convento de São Francisco

9 de Junho

 

Noite de Prata, São Brás de Alportel, Largo da Vila

15 de Junho

 

Território Sagrado, Orquestra de Câmara Portuguesa

15 de Junho

 

Dos Campos à Floresta, Centro Cultural Olga Cadaval

16 de Junho

 

IpC (Intérpretes para Compositores) com Paulo Pacheco, Guilherme Cossoul

22 de Junho

 

Tarde Musical, Palácio do Marquês de Pombal

22 de Junho

 

Grande Concerto Coral Sinfónico, Basílica da Estrela

26 de Junho

 

Sinfonias Clássicas, Auditório Municipal de Albufeira

28 de Junho

 

Sinfonias Clássicas, Sé Catedral de Silves

29 de Junho

 

Microvolumes 3.107 | Bertrand Denzler, Sonoscopia

29 de Junho

Orquestra Clássica da Madeira faz renascer obras portuguesas

O mais recente concerto da Orquestra Clássica da Madeira (OCM), no dia 15 de Junho, foi notável por ter sido inteiramente composto por obras de três compositores portugueses cuja actividade esteve ligada à Madeira. No salão da Assembleia Legislativa da Madeira, sob a batuta do maestro convidado, Cesário Costa, foram interpretadas obras de António Pereira da Costa (c. 1698-1770), José Joaquim de Oliveira Paixão (fl. 1798-1833) e Manuel Ribeiro (ca. 1884-1949).

Os Doze Concertos Grossos de António Pereira da Costa foram impressos em Londres, em 1741, e são provavelmente os únicos concertos grossos de um autor português, escritos entre 1720 e 1739. Num projecto desenvolvido entre Janeiro e Junho deste ano, numa colaboração entre a OCM e a Direcção de Serviços de Educação Artística e Multimédia (DSEAM), da Direcção Regional de Educação, foram inseridos na programação dos concertos da temporada orquestral todos os doze concertos, numa revisão científica de Giancarlo Mongelli, professor do Conservatório – Escola das Artes da Madeira, e com a pesquisa histórica sobre o compositor efectuada por Paulo Esteireiro, Chefe da Divisão de Investigação e Multimédia da DSEAM e Investigador Integrado do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (FCSH/UNL). No concerto de dia 15, foram interpretados os últimos dois destes concertos, os n.os 8 e 12.

Já do compositor e mestre de música do Seminário Diocesano do Funchal, José Joaquim de Oliveira Paixão, natural de Lisboa mas residente no Funchal desde 1812, foi interpretada a Sinfonia de Ecos, uma obra de cunho clássico, com dois trombones fora da sala a produzir o efeito referido no título da obra, com alguma referência a “trompas de caça”.

Finalmente, de Manuel Ribeiro, natural de Mirandela, músico militar e chefe da banda regimental sediada no Funchal entre 1911 e 1917, e depois professor de canto coral do Colégio Militar, em Lisboa, autor de cerca de 400 obras de vários géneros, foi interpretada a Rapsódia n.º 1, Op. 27 (Cantos populares da Ilha da Madeira) e o Concerto para violino e orquestra, Op. 13. Este concerto foi dedicado a Pedro de Freitas Branco, que, na altura, integrava os primeiros violinos da Orquestra de Manuel Ribeiro e que, depois, se tornou um maestro internacionalmente consagrado. A parte solística deste concerto foi interpretada de uma maneira soberana e minuciosamente polida por Pedro Meireles, concertino da Orquestra Sinfónica Portuguesa.

A iniciativa, que levou ao palco madeirense quatro obras portuguesas, todas merecedoras de regresso aos palcos principais domésticos e internacionais, foi fortemente saudada pelo público entusiasmado, que reconheceu a estas obras as suas qualidades emocionais e estéticas, e se deixou levar pelo fluente discurso musical promovido pelo maestro Cesário Costa.

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