Paul Agnew, Voces Caelestes, Real Câmara!

Por ocasião das celebrações do 25.º aniversário das Voces Caelestes, o reputado tenor e maestro Paul Agnew estará em Portugal no início de Julho para dirigir este coro e a orquestra barroca Real Câmara, num programa que inclui obras de J. S. Bach (Missa em sol menor e Der Gerechte kommt um), J. J. Fux (Sonatas K. 346 e K. 377), J. Kuhnau (Tristis est anima mea) e J. D. Zelenka (Miserere).

Mais conhecido pela sua carreira como tenor e contra-tenor, Paul Agnew é especialista nos séculos XVII e XVIII, em especial na renascença italiana e inglesa e em diversas obras religiosas e profanas do período barroco. A sua carreira como maestro começou em 2007, regendo as Vésperas de Vivaldi em várias cidades europeias.

Os concertos estão integrados no festival Cistermúsica, Festival de Música de Alcobaça, que já existe há trinta anos. Organizado pela Banda de Alcobaça e Academia de Música de Alcobaça e com o apoio institucional da Direcção-geral das Artes, o Cistermúsica tem como mister realizar apresentações de música e de dança anualmente.

As apresentações ocorrem nos dias 7 de Julho, às 21h30, na Igreja de S. João de Brito, em Lisboa, e 8 de Julho, às 21h30, no Mosteiro de Alcobaça. Ambos os concertos têm entrada livre.

A não perder!

O MPMP em Julho

Julho! E, com ele, mais ocasiões para, na nossa temporada, evocar o bicentenário da Independência do Brasil. A primeira delas recorda o disco Recitativos de salão, lançado em Portugal em Dezembro de 2019, na Biblioteca Nacional de Portugal. Ao disco juntou-se um livro de partituras, resultado de investigação do tenor e musicólogo Alberto Pacheco, que recitará os poemas acompanhado da pianista Andrea Luiza Teixeira. O projecto conhece agora a sua apresentação no Rio de Janeiro, Brasil, a 1 de Julho, 18h30, no romântico salão nobre do Palácio da Justiça, que não poderia ser mais apropriado à revisitação destes singulares repertórios, hoje caídos no esquecimento, mas tão importantes na sociabilidade musical luso-brasileira de finais de Oitocentos.

 

 

Depois, o quarteto de arcos do Ensemble MPMP apresentará em estreia moderna, no contexto da preparação da edição revista da partitura e da sua posterior estreia discográfica, o primeiro quarteto de Ruy Coelho, composto em 1941 e, tanto quanto se sabe, nunca mais interpretado desde a sua estreia. Na década anterior, o compositor mostra-se permeável aos recursos emprestados pela politonalidade francesa, colorindo esta música vibrante de dissonâncias inesperadas (ma non troppo) e esforçando-se, nela, por explorar a sua ideia particular de “peninsularidade”, de uma Lisboa de pregões e noites de Santo António, enfim da sua vontade de imaginação
de um dado folclore imaginário. O momento musical serve a inauguração de uma exposição na Brotéria, Lisboa, de telas inspiradas na vida e obra de Ruy Coelho, criadas por jovens artistas plásticos sob a curadoria de Mónica Coelho, bisneta do compositor. Estão todos convidados: será no dia 12, às 19h!

 

 

Pouco depois, no dia 16, às 18h30, na Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, dá-se mais um concerto do ciclo “Contemporaneidades”, desta vez em torno das ideias de “viagem” e de “paisagem”, que justapõe jovens compositores e nomes canónicos, e em que se inclui uma estreia da compositora-intérprete, Salomé Pais Matos, desde há muitos anos membro do Ensemble MPMP. O auditório, tão romanticamente familiar, não poderia ser mais convidativo à revelação da harpa contemporânea, instrumento tão comummente associado à placidez do mundo celeste mas, afinal, tão capaz de outros vôos.

 

 

E, no dia 20, às 19h, na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, no Porto, do universo da harpa passamos, ainda no âmbito do ciclo Contemporaneidades, para o do piano ou, melhor, para o de dois pianos. Duarte Pereira Martins e Philippe Marques explorarão aqui a ironia das ténues relações entre discípulo e mestre e das inesperadas afinidades entre um compositor português da década de 1930 e uma compositora ucraniana contemporânea, Bohdana Frolyak… Ao centro, a evocação do bicentenário da Independência do Brasil marca presença com a divulgação lusitana de uma importante (mas nunca cá tocada?) partitura de Claudio Santoro, muito afim das experiências figurativas do também programado portuense Filipe Pires. Em estreia absoluta referir-nos-emos a um certo espelho do jovem compositor Tiago Cabrita, como estruturalmente se espelhará também, face a este, um segundo alinhamento que os mesmos pianistas apresentarão já depois das férias estivais.

 

 

Por fim, no dia 31, às 10h30, a Lusophonica recebe João Pedro Silva, saxofonista colaborador do MPMP desde há muitos anos, que ainda há pouco tempo actuou como solista num concerto (e numa gravação) com o nosso Ensemble, de que haverá resultado discográfico muito em breve… Animado pela descoberta e pela estreia de novos repertórios, proporá aqui uma viagem seguramente revigorante pelo mundo do saxofone português (e não só).

 

 

Para mais informações, visite www.mpmp.pt/agenda .

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