Vem aí o 7.° Encontro Ibérico para a Música na Infância

No dia 28 de Outubro, entre as 10h e as 18h, acontece o 7.° Encontro Ibérico para a Música na Infância em Termas de Monfortinho, no concelho de Idanha-a-Nova. Trata-se de uma ação de formativa que visa apresentar metodologias pedagógicas aplicadas à educação de música, a partir das contribuições teóricas de Zoltán Kodály, conhecido por ter criado o método de educação musical Kodály.

O Encontro é dirigido a todos aqueles que lidam com crianças e jovens e/ou tenham especial interesse em pedagogia musical, em especial educadores de infância, professores do primeiro ciclo do Ensino Básico, auxiliares de educação, instrumentistas e professores de música, pais, encarregados de educação, representantes legais e demais cidadãos interessados.

Esta edição tem como mote o conceito de ‘música e movimento’ e  estará organizado segundo os seguintes tópicos:

Cantar!

Utilizar corretamente a voz cantada, incidindo na experiência de cantar em coro com crianças e jovens.

Repertório

Descobrir e experimentar uma coleção de canções e jogos, divulgar e criar

atividades musicais apropriadas aos diferentes contextos escolares.

Capacidades musicais

Identificar, desenvolver e potenciar as características musicais intrínsecas dos

participantes, com vista a permitir formas de ensinar mais completas e eficazes.

Orientações e técnicas

Conhecer a Educação Musical Kodály e as principais filosofias de educação musical no século XXI. Experimentar diferentes formas de incorporar esse conhecimento em diferentes contextos, tendo como bases fundamentais o canto e o movimento.

Promovido pela Orquestra Sem Fronteiras, em parceria com o Município de Idanha-a-Nova, o encontro será dirigido por Catarina Távora e Carlos Guerrero Bullejos e será oferecido em língua portuguesa, castelhano e inglês. A participação é gratuita, mas limitada a vinte e cinco vagas.

Para se inscrever, é necessário enviar o currículo e uma breve justificação de interesse para [email protected].

Lacerda omnipresente

Decorreu no passado 30 de Setembro, ao final da tarde, o concerto de encerramento dos Encontros Sonoros Atlânticos 2023. Tal como o evento que abriu o ciclo, a 16 de Setembro – um concerto do Quarteto Lisboa e Bárbara Barradas no Mosteiro dos Jerónimos –, estes Encontros terminaram em Lisboa, na Biblioteca Nacional, após um importante périplo por várias ilhas açorianas, nomeadamente São Miguel, Terceira e São Jorge (ou não fosse esta uma iniciativa que presta também uma merecida homenagem a Francisco de Lacerda).

Foi precisamente a figura do eminente compositor e maestro nascido em São Jorge em 1869 que marcou indelevelmente este concerto, com a Orquestra Metropolitana de Lisboa. O programa iniciou com a Suite dans le style ancien de Vincent d’Indy, considerado hoje o mais importante mestre de Lacerda. As muito pontuais fragilidades da orquestra, com um efectivo bastante reduzido neste início de alinhamento, não perturbaram uma simpática fruição deste estilo antigo, conduzido de forma clara e deveras expressiva por Rita Castro Blanco. A propósito, a segurança da maestrina ao longo de todo o concerto foi notória, numa semana em que se tornou pública a sua estadia em 2023/2024 como Maestrina Assistente da City of Birmingham Symphony Orchestra. Brava!

Seguiu-se o momento talvez mais aguardado da tarde: a estreia da obra vencedora do Prémio Compositor Francisco de Lacerda Millennium bcp, atribuída este ano a Ecos de Trovas, de Luís Neto da Costa. A obra divide-se em sete pequenos andamentos, cada um inspirado numa (ou, no caso do andamento central, duas) trova(s) de Lacerda, num interessante exercício de paráfrase cujas sobreposições tímbricas e de motivos se tornam um desafio para a escuta do que é parcialmente reconhecível ou de algum modo adivinhável. O compositor, que recebeu o prémio no início do concerto, descreveu este jogo como “(…) se estes acordes, texturas e técnicas instrumentais brotassem dos que foram originalmente compostos, mas evitando qualquer contraste áspero ou satírico que destruam os elementos originais.” Os músicos cumpriram de forma louvável os desafios que uma obra em primeira audição absoluta sempre impõe: destacamos a participação atarefada do timpaneiro Miguel Herrera e, sobretudo, do percussionista Rodrigo Azevedo. Parece-nos que alguns dos andamentos teriam potencial para uma exploração mais longa, facto ao qual não deve ter sido indiferente a necessidade de não submeter a concurso uma obra com duração superior a quinze minutos.

A segunda parte do concerto foi preenchida, antes da conclusão com a sempre desafiante Sinfonieta (Homenagem a Haydn) de Lopes-Graça – interpretada de forma irrepreensível pela OML –, com obras de Francisco de Lacerda. Ouviu-se Dans le clair de lune, Almourol (o momento mais extraordinário do concerto, na nossa opinião, com destaque para a participação etérea do corne-inglês de Carla Pereira), Épitaphe: sur la tombe d’un héros e o segundo número das Imagens, intitulado “Nos minaretes de Soleimão – Djami (Istambul)”, este último num arranjo de Sérgio Azevedo especialmente encomendado pela AFL. Continua a ser impressionante e incompreensível, dada a qualidade musical do que ouvimos (para não referir o valor patrimonial), a falta de comparência destas obras na programação regular das orquestras portuguesas. Nem o ruído constante dos aviões que sobrevoam a Sala de Leitura Geral da BNP foi suficiente para incomodar um público numeroso que aplaudiu todos os momentos do concerto de forma entusiástica.

Por último, um bravíssimo para os Encontros Sonoros Atlânticos como um todo, que se mantêm para mais uma edição de importantes (re)descobertas e de promoção da composição contemporânea (recordamos que este concurso de composição vai já na segunda edição, tendo na primeira, em 2022, premiado Samuel Gapp). Está, portanto, de parabéns o seu director artístico, Vasco Mendonça – compositor que conseguiu, num acto louvável cada vez mais raro no panorama artístico nacional e internacional, não incluir na programação desta edição qualquer obra sua –, que refere, num texto que acompanha a brochura do festival, que é este “mais um passo (…) [n]um apoio sustentado à música e à cultura portuguesas”. Esperamos com muita expectativa pela edição de 2024!

 

Fotografia: Luís Neto da Costa @Associação Francisco de Lacerda

 

 

MPMP volta a São Roque nos seus 35 anos

A 35.ª edição da Temporada Música em São Roque decorre de 13 de outubro a 10 de novembro, em Lisboa. O Festival é organizado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e ocorre na Igreja de São Roque e no Convento de São Pedro de Alcântara, em Lisboa. O Festival prevê dez concertos com entrada gratuita. Um dos princípios basilares da Temporada de Música de São Roque é apoiar a cultura musical de matriz portuguesa.

Criada há 35 anos, a Temporada de Música de São Roque é considerada uma das melhores e mais antigas temporadas de música de Lisboa. Surgiu em 1988 com o objetivo de reforçar a política da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa de apoiar a cultura musical portuguesa, divulgando também o património histórico e artístico em geral.

O Festival terá várias estreias, entre elas as que se escutarão no concerto do Ensemble MPMP, que apresenta em estreia moderna missas românticas de Francisco Xavier Migone e de Francisco Norberto dos Santos Pinto. No mesmo concerto será apresentada, em estreia absoluta, uma obra encomendada ao vencedor do Prémio Musa 2022, Samuel Gapp.

Focando-se no século XIX, o MPMP propõe, de forma complementar e contrastante, a redescoberta de duas figuras proeminentes deste século em Lisboa. Santos Pinto foi professor no Conservatório Nacional e trompista nas Reais Cavalariças e no Teatro Nacional de São Carlos, que dirige. Compôs proficuamente, e com significativa dedicação à música sacra. Já Migone, em quem se nota a influência da música italiana, desempenhou uma série de postos-chave no meio musical ao longo da década em que foi escrita a Missa em fá maior (1847):  sucedeu a João Domingos Bomtempo como diretor do Conservatório Nacional, estreando óperasno São Carlos e dirigindo temporadas. Ambas as partituras das obras apresentadas encontram-se depositadas na Biblioteca Nacional de Portugal, e foram alvo de edição pelo MPMP.

O MPMP irá apresentar também uma estreia absoluta, fruto de uma encomenda ao vencedor do Prémio Musa 2022, Samuel Gapp. Nas palavras do compositor, Tão fundo o íntimo rumor relaciona-se de forma cronológica com a vida de São Roque através da reflexão sobre os seus valores e particularidades. A desconstrução e reformulação destes excertos resultou numa amálgama que serviu de base formal à música. Assim, a composição aborda um contexto religioso e espiritual de forma profundamente pessoal, sem seguir as formalidades estabelecidas da música sacra.

Com a soprano Sofia Marafona, o tenor Marco Alves dos Santos, o baixo André Henrique e o Ensemble MPMP, com direção musical de Jan Wierzba, o programa Missas românticas será apresentado a 20 de outubro, às  21h00, na Igreja de São Roque.

Programa

Norberto Santos Pinto (1815-1860)

Missa pequena a três em lá maior (1844) *

Samuel Gapp (1997-)

Tão fundo o íntimo rumor **

I Dem Heiligen Ziele

II Deitamos flor

III Und seine Lieder rinnen rauschend zurück in ihn

Francisco Xavier Migone (1811-1861)

Missa em fá maior (1847) *

 

* Estreias modernas

** Estreia absoluta do vencedor do Prémio Musa 2022.

Outono 2023

O reinício das actividades regulares do MPMP, com o lançamento de uma pequena temporada de Verão, teve uma repercussão excelente nos nossos amigos e seguidores mais próximos. A aposta em formatos como o ciclo Benjamim — na continuação de uma parceria cada vez mais estabelecida e frutífera com a Biblioteca Nacional de Portugal — ou as sessões de descoberta de pintura e música na Casa-Museu Anastácio Gonçalves (o ciclo Com ouvidos de ver…), bem como a nossa participação já habitual no Operafest e Lisboa e os diversos lançamentos editoriais, passando por música desde o início do séc. XIX até aos dias de hoje, foram um sucesso na afluência de um público cada vez mais diversificado.

A temporada de Outono será então de continuidade para estes formatos. Haverá mais três concertos, mensalmente, na CMAG (sobre a pintura de Domingos Sequeira, Silva Porto e Alfredo Keil), bem como três sessões do ciclo Benjamim, a última das quais será pretexto para a apresentação de uma das novidades editoriais desta estação: a edição do conto musical A Noite de Natal, de Eurico Carrapatoso, encomendado pelo MPMP em 2019 (pelo centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen, autora do texto). Este concerto terá uma repetição no local onde o projecto foi gravado, a Igreja do Hospital de Jesus, em Lisboa.

Mas as boas notícias não se ficam por aqui! Continuamos a colecção Memória, lançada no mês passado com um CD que celebrou António Victorino d’Almeida. O segundo volume levantará o véu da ainda desconhecida arte de Margarida Magalhães Sousa, pianista açoriana sobre quem editámos um livro biográfico no início deste ano. A melographia portugueza verá também dois números juntarem-se à sua colecção, com o trigésimo volume dedicado à família Avondano, na estreia do Ludovice Ensemble na nossa etiqueta, e com o trigésimo-primeiro a trazer a público a gravação das missas de Francisco de Sá Noronha que o Ensemble MPMP levou ao festival Música em São Roque em 2020.

E por falar em São Roque: o Outono do MPMP já não é o mesmo sem a participação no importante certame organizado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Voltamos, portanto, à Igreja de São Roque, como sempre para apresentar estreias: a primeira apresentação moderna de duas missas de Francisco Norberto dos Santos Pinto e de Francisco Xavier Migone e a primeira audição absoluta de Tão fundo o íntimo rumor, de Samuel Gapp (vencedor do Prémio Musa 2022). Como sempre, estão convidados para este e todos os restantes concertos neste final de 2023 repleto de excelente música portuguesa!

São Carlos: de Puccini a Joly

Começou dia 4 de outubro a temporada 2023/24 do Teatro Nacional de São Carlos com Madama Butterfly. A ópera, um clássico no cânone da música ocidental, conta nesta produção com Zarina Abaeva e Elisa Cho, Carlos Cardoso, Stefan Astakhov, Cátia Moreso, Marco Alves dos Santos, Ana Franco, Leonel Pinheiro, Christian Luján, Costa Campos, João Oliveira, Nuno Dias, Ana Ferro, Sandra Lourenço e Ana Luísa Silva. O figurino da ópera é o de uma produção da década de 70 do TNSC, confecionado no Japão.

Em Novembro, a temporada terá também Maria da Fonte de Augusto Machado, com Cátia Moreso no papel principal, além de Eduarda Melo, Marco Alves dos Santos, Luís Rodrigues, Inês Simões, André Henriques, Tiago Matos e João Merino. Com o Coro do Teatro Nacional de São Carlos (Giampaolo Vessella, maestro titular), a Orquestra Sinfónica Portuguesa (Antonio Pirolli, maestro titular), João Paulo Santos (direção musical e edição moderna da partitura) e Ricardo Neves-Neves (encenação e libreto moderno).

O título remete para a chamada “revolta da Maria da Fonte”, que ocorrera em 1846. A ópera de Augusto Machado foi estreada no Teatro da Trindade em 1879, já que no São Carlos só se podia cantar em italiano. Esta será a primeira audição moderna, dirigida pelo maestro João Paulo Santos. Tendo apenas subsistido a música, o texto original falado (de Gervásio Lobato, Batalha Reis e Eça Leal) foi reconstruído por Ricardo Neves-Neves, que será o encenador.

Depois ainda de produções de Fidélio e de Falstaff, a temporada termina em Junho com a Triologia das barcas (estreada em 1970 no XIV Festival Gulbenkian de Música), a grande promessa do ano, de Joly Braga Santos, que tem como base literária os Autos das barcas (Inferno, Purgatório e Glória) de Gil Vicente. Esta é a mais representada ópera de um compositor português do século XX.

A Triologia das Barcas apresenta-nos uma procissão de figuras que representam grande parte da Humanidade, do Papa ao Sapateiro, com os seus vícios ou virtudes. Após a morte, todos vêm prestar contas ao Diabo e ao Anjo, esperando a decisão deles sobre o destino da sua viagem. A Morte tem também uma poderosa intervenção. O elenco conta com os solistas Carla Caramujo, Luís Rodrigues, Mário Redondo, Susana Gaspar, Maria Luísa de Freitas, Cátia Moreso, Marco Alves dos Santos, Sérgio Martins, João Pedro Cabral, João Merino, Ricardo Panela, Diogo Oliveira, Tiago Matos e André Henriques. A direção musical é de José Eduardo Gomes, a encenação de Luca Aprea.

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