Fim-de-semana com Joly

No âmbito do centenário de Joly Braga Santos, a Metropolitana dedica os próximos dias ao compositor com concertos no Museu José Malhoa em Caldas da Rainha, na Sala do Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa, no Espaço Santa Casa e na Casa Fernando Pessoa (Lisboa) e na AMAL (Lourinhã). As apresentações debruçam-se sobre peças para formações instrumentais mais pequenas.

As apresentações do dia 25, no Museu José Malhoa e do dia 26, na Casa Fernando Pessoa, são dedicadas exclusivamente a Braga Santos, com obras de 1942 (Nocturno para violino e piano), 1946 (Sonata para violino e piano) e 1948 (Tema e variações). Por fim, do final da carreira, escuta-se o Trio com piano. O concerto conta com a violinista Ana Pereira, o violoncelista Nuno Abreu e a pianista Anna Tomasik.

As demais apresentações mostram Joly Braga Santos em confronto com outros grandes nomes da música em repertório de quarteto de arcos. No dia 26, Braga Santos & Chostakovich na Sala do Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa, com os violinistas Alexei Tolpygo, Ágnes Sárosi, o violetista Sérgio Sousa e a violoncelista Ana Cláudia Serrão. Serão apresentados o Quarteto n.º 1 de Braga Santos, estreado em fevereiro de 1946 na Academia de Amadores de Música, o âmbito da programação da Sociedade de Concertos «Sonata» (iniciativa promovida por Fernando Lopes-Graça) e o Quarteto n.º 4 de Chostakovich, de 1949, que só foi tocado em público em 1953, depois da morte de Estaline, por medo da censura do Comité Central do Partido Comunista.

Sexta-feira, dia 26, no Espaço Santa Casa, em Lisboa, e sábado, dia 27, na AMAL, Lourinhã, há a apresentação Braga Santos & Bartók, com os violinistas José Pereira, Joana Dias, o violetista Santiago Medina e o violoncelista Hugo Estaca. Datado de 1917, o Quarteto n.º 2 de Bartók principia o programa. Segue-se o Quarteto n.º 2 de Braga Santos, escrito entre 1957 e 1961. Ambas as obras estabelecem uma conversa entre a música popular e erudita, sendo que a obra de Braga Santos sofre influência de Bartók.

Windsor Project

Ricardo Pires, saxofonista português, estudou nos últimos anos no Reino Unido, onde concluiu o seu Artist diploma. Ao longo do seu percurso académico procurou desenvolver um trabalho sobretudo de colaboração criativa com vários compositores, que culminou na criação de obras para saxofone solo e saxofone e eletrónica. 

Lançou o seu primeiro registo fonográfico em 2023, precisamente no ano em que se comemorou os 650 anos da aliança entre Portugal e o Reino Unido. Tratado de Windsor: este foi o principal mote para o início do projeto fonográfico do saxofonista Ricardo Pires, principalmente por ter estudado nos últimos anos no Reino Unido. A Aliança Luso-Britânica, mais tarde reforçada pelo Tratado de Windsor, é a mais antiga aliança diplomática do mundo ainda em vigor, traduzindo-se como uma importante troca comercial, diplomática e cultural entre os dois países.

Assim sendo, Windsor Project tornou-se num projeto focado na criação, gravação e divulgação de obras para saxofone de compositores portugueses dos séculos XX e XXI que desenvolvem ou desenvolveram a sua atividade artística e académica no Reino Unido, e vice-versa.

Este álbum conta com os seguintes compositores e respetivas obras: Ao longe meu pai dizia da compositora Ângela da Ponte; Keep Up! de Jorge Ramos; The Poetry Underground de Pedro Lima; Seek your Way Out de Francisco Fontes; e 7 Miniatures de Daniel Davies. Este álbum conta ainda conta com a obra do compositor Luís Tinoco Verde secreto, para saxofone e piano, com a participação da pianista Iryna Brazhnik; Capriccio de Christopher Bochmann; Wandering de Gonçalo Gato; e Bird in Space, de Ivan Moody.

O álbum pode ser escutado nas várias plataformas digitais, e ainda ser adquirido em formato fisico.

Casa da Música é Portugal em 2024

A Casa da Música anunciou a sua temporada de 2024, e Portugal foi o país escolhido como linha condutora de toda a programação. A instituição regularmente escolhe um país como tema anual. A escolha de 2024 deve-se à celebração dos 50 anos do 25 de Abril, que também coincide com a dos 500 anos do nascimento de Camões e a dos 100 anos do nascimento de Joly Braga Santos. Além destes nomes, a temporada também presta homenagem a figuras históricas da música portuguesa como Guilhermina Suggia, Helena Sá e Costa, Amália Rodrigues, Zeca Afonso e Carlos Paredes.

Razões que farão brilhar a interpretação de algumas das melhores partituras portuguesas, criar contextos para que alguns dos melhores intérpretes portugueses se possam evidenciar, no confronto com o mais exigente repertório internacional, como a integral dos concertos para piano de Sergei Prokofief, e colaborando com reputados maestros e solistas. Destaca-se também a evocação de grandes compositores que passaram por Portugal, como Domenico Scarlatti, David Perez, Maurice Ravel, Pedro de Freitas Branco, Franz Schreker; mas também compositores portugueses que foram sucesso no exterior, como Emmanuel Nunes; e ex-”Compositores em Residência” como Magnus Lindberg, Pascal Dusapin, Luca Francesconi, Helmut Lachenmann, Unsuk Chin, Philippe Manoury, Rebecca Saunders e Peter Eötvös, muitos deles com obra composta, iniciada ou terminada durante as suas estadias no Porto.

Efetivamente, é uma satisfação ver uma temporada tão recheada de música e músicos portugueses, um mote que a Glosas e o MPMP levantam há mais de uma década.

Depois de ter sido o primeiro Jovem Compositor em Residência na Casa da Música, no ano de 2007, Vasco Mendonça assumirá agora o papel de Compositor em Residência principal. Espera-se a audição de peças de “repertório” e estreias mundiais, nomeadamente da Jovem Compositora em Residência, Sara Ross, com uma atividade composicional eclética, onde se inclui ópera, música orquestral, coral, de câmara, eletrónica, canções, assim como música para teatro e dança, com obras apresentadas nacional e internacionalmente. Nuno Coelho recebe o título, inédito na Casa da Música, de Maestro Associado da Orquestra Sinfónica. O Artista em Residência, João Barradas, acordeonista,  é um dos solistas portugueses mais internacionais e versáteis da atualidade. 

Outros destaques são o Ciclo de Piano e o Ciclo de Jazz, um com Maria João Pires, outro com Mário Laginha e João Barradas e a Orquestra Jazz de Matosinhos. O Serviço Educativo trabalhará sobre Eça de Queiroz para um espetáculo de teatro musical a estrear na abertura da temporada.

A grande ênfase é a “edição especial” do ciclo “Música & Revolução”, sobre os 50 anos da “revolução dos cravos”, com oito concertos que compõem o festival a remeter-nos para os tempos da ditadura, contando com músicos e compositores que se opuseram ao regime: Lopes-Graça, Jorge Peixinho, Constança Capdeville, Zeca Afonso, Carlos Paredes e Emmanuel Nunes. A nova geração faz-se representar com Vasco Mendonça, Pedro Lima e Daniel Moreira, de quem se estreará uma obra com base nos poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen.

Por fim, “À Volta do Barroco” traz-nos Andreas Staier, à frente da Orquestra Barroca com um concerto para cravo de Carlos Seixas; e de novo Vasco Mendonça, num concerto para violino e ensemble, com Carolin Widmann no papel de solista; e João Barradas deslumbrará com o Concerto para Cravo n.º 1 de J. S. Bach; e o Coro e a Orquestra Sinfónica interpretarão Libera me de João Domingos Bomtempo.

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