O Grupo Vocal Olisipo irá apresentar-se em dois concertos de temática natalícia na região de Lisboa agendados para o início de Dezembro. O primeiro destes concertos terá lugar na Igreja paroquial de Nossa Senhora de Fátima (Baixa da Banheira) a 9 de Dezembro, pelas 21h00, estando integrado no Ciclo de Música da Moita. O segundo concerto ocorrerá a 14 de Dezembro, pelas 21h30, na Igreja da Luz (Carnide), numa organização da Junta de Freguesia de Carnide em parceria com a Paróquia de S. Lourenço.

O programa para estes concertos inclui, na primeira parte, os responsórios de Natal de Estêvão Lopes Morago (Hodie nobis caelorum, Hodie nobis de caelo, Quem vidistis Pastores?, O magnum mysterium, Beata Dei genitrix, Sancta et Immaculata, Beata viscera Maria, Verbum caro). Estes oito responsórios, destinados ao ofício de Matinas do Dia de Natal, constituem uma obra de referência para este género na polifonia portuguesa da primeira metade do século XVII, tendo sido incluídos no CD dedicado à obra de Morago gravado pelo Grupo Vocal Olisipo em 1995. A segunda parte do programa é integralmente constituída por canções de temática natalícia. Estas incluem canções de origem inglesa como Children’s song of the Nativity, The Cradle (ambas com arranjo de Christopher Bochmann), Ding Dong merrily on high (com arranjo de Charles Wood) e Away in a manger (com arranjo de David Willcocks), de origem espanhola, como o vilancico quinhentista Riu, riu, chiu e En Belén tocan a fuego (com arranjo de Ernest Cervera), ou ainda canções da tradição portuguesa, como é o caso de Menino Jesus à Lapa, Boas festas, Noite feliz (com arranjo de Christopher Bochmann) ou de Natal de Elvas (com arranjo de Mário de Sampayo Ribeiro). Para estes concertos, o Grupo Vocal Olisipo é composto por Elsa Cortez (soprano), Maria Luísa Tavares (mezzosoprano), João Rodrigues (tenor) e Armando Possante (barítono).

Fundado e dirigido desde 1988 por Armando Possante, o trabalho do Grupo Vocal Olisipo abrange repertórios vastos e eclécticos, estendendo-se desde a Idade Média até à contemporaneidade. Este agrupamento tem estreado obras de compositores como Bob Chilcott, Ivan Moody, Christopher Bochmann, Eurico Carrapatoso, Vasco Mendonça e Luís Tinoco, entre outros. Em Outubro passado estreou em França obras de António Pinho Vargas, Carlos Marecos, Edward Ayres d’Abreu, Nuno Côrte-Real e Sérgio Azevedo, entre outros compositores portugueses, no âmbito do Festival Guitar’Essonne. Tem vindo a trabalhar com grupos de prestígio internacional como o Hilliard Ensemble e The King’s Singers. Conquistou uma menção honrosa no Concurso da Juventude Musical Portuguesa e primeiro prémio nos concursos International May Choir Competition (Varna, Bulgária), Tampere Choir Festival (Finlândia), 36.º Concorso Internazionale C. A. Seguizzi (Gorizia, Itália) e 5.º Concorso Internazionale di Riva del Garda (Itália). O grupo tem-se apresentado por todo o País e colaborado com vários outros grupos de Música Antiga, como também de Música Contemporânea, e as orquestras Sinfónica Juvenil, Filarmonia das Beiras e Metropolitana de Lisboa, entre outros agrupamentos. Tem-se apresentado também em Inglaterra, Canadá e, mais recentemente, em Singapura. Paralelamente à actividade concertística, tem gravado CDs de polifonia vocal sacra portuguesa de compositores como Estêvão de Brito, Estêvão Lopes Morago, Manuel Cardoso e Francisco Martins e de obras mais recentes, como é o caso das Cantatas Maçónicas de Wolfgang A. Mozart e do Magnificat de Eurico Carrapatoso.

Sobre o autor

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Musicólogo açoriano, doutorando na Universidade de Évora, é mestre em Ciências Musicais (FCSH NOVA) e licenciado em Música (UÉvora). É investigador em formação no CESEM e membro do MPMP. Catalogou o arquivo musical da Sé de Angra, foi bolseiro no projeto ORFEUS e também investigador no projeto PASEV. Fundou e dirigiu o Ensemble da Sé de Angra e também o Ensemble Eborensis, com concertos nas ilhas dos Açores, Continente português e França. Os seus interesses de investigação centram-se na polifonia portuguesa seiscentista, especialmente no Alentejo, e a música nos Açores do século XV ao final do XIX.