Estará patente na Biblioteca Nacional de Portugal, entre 21 de Julho a 27 de Agosto, a exposição “Ernesto Vieira (1848-1915): um precursor da musicologia portuguesa”, evento comemorativo por ocasião do centenário da morte do músico, articulista, pedagogo, musicólogo e coleccionador.

De acordo com Sílvia Sequeira, responsável pela Área de Música da Biblioteca Nacional, a maior parte dos documentos que serão expostos a partir da próxima terça-feira pertencem à extensa colecção que se encontra na BNP, com mais de cinco mil volumes, fazendo também parte da exposição alguns documentos e um instrumento musical pertencentes ao Museu da Música.

O instrumento em questão trata-se de um flajolé duplo de 1810 e foi oferecido por Ernesto Vieira a Alfredo Keil, constituindo, segundo uma declaração de Keil de 1914 no Eco Musical, o primeiro instrumento da sua colecção, hoje central no acervo do Museu da Música. No entanto, no catálogo manuscrito de Keil elaborado em 1900, “Entradas: Catálogo dos Instrumentos antigos e modernos da Collecção Keil e objectos curiosos musicaes”, a entrada relativa ao flajolé duplo surge com o número 16, sem ser descrito como o instrumento impulsionador da colecção, mas apenas como “offerecido pelo Exmo. Sr. Ernesto Vieira”.

Além de estar representada a faceta de coleccionador de Ernesto Vieira, pretende-se uma exposição que ilustre toda a actividade daquele que também foi um pioneiro na musicologia em Portugal na investigação sistemática e na consulta de fontes.

A exposição terá entrada livre e poderá ser visitada na Sala de Exposições do segundo piso da Biblioteca Nacional de Portugal.

Sobre o autor

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Isabel Pina é doutoranda e bolseira de doutoramento em Ciências Musicais Históricas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, interessando-se principalmente pelo estudo da história da música em Portugal nos séculos XIX e XX, música e ideologia, nacionalismo, análise e semiótica musical, e imprensa e crítica musical. Concluiu o mestrado em Ciências Musicais tendo apresentado a dissertação “Neoclassicismo, nacionalismo e latinidade em Luís de Freitas Branco, entre as décadas de 1910 e 1930”. É actualmente voluntária na Biblioteca Nacional de Portugal, tendo estagiado no Museu da Música. Enquanto colaboradora do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical (CESEM), é membro do Grupo de Teoria Crítica e Comunicação, do SociMus (Grupo de Estudos Avançados em Sociologia da Música), e co-fundadora do Núcleo de Estudos em Música da Imprensa.