Entre os dias 11 e 14 de Maio decorre o «In Spiritum», Festival de Música do Porto, com direcção artística do maestro Cesário Costa.

O Festival de Música do Porto cruza a música com o património arquitectónico da cidade. Os concertos decorrem em espaços emblemáticos, como o Salão Árabe do Palácio da Bolsa, as Caves Ferreira ou a Igreja dos Clérigos, e o programa de cada concerto parece entrar em diálogo com o local onde decorre.

Na abertura do festival, na noite de 11 de Maio, Eduardo Paniagua e o agrupamento El Arabi Ensemble levam ao Palácio da Bolsa “Os Poemas de Alhambra”, num concerto dedicado à música árabe. No dia seguinte, “Fulgores sacros do Barroco em Portugal”, pelo Ludovice Ensemble, ocupam a Igreja de São Francisco, ricamente adornada de talha dourada. Do programa fazem parte obras sacras de compositores setecentistas, como Antonio Tedeschi, Manuel de Morais Pedroso, Pietro Avondano ou Carlos Seixas. Algumas das obras que serão interpretadas têm estreia moderna, graças ao trabalho de pesquisa musicológica e edição de Miguel Jalôto.

O programa prossegue com dois recitais de música de câmara do século XIX, contemporânea do escultor Soares dos Reis e de Dona Antónia Adelaide Ferreira: no sábado, dia 13, o Quarteto Rosário toca no Museu Nacional Soares dos Reis, e domingo, dia de encerramento do festival, Ana Maria Pinto (soprano) e David Santos (piano) apresentam-se nas Caves Ferreira. Ainda no sábado, decorrerá o concerto com os órgãos da Sé Catedral, por António Esteireiro e Rui Paiva.

O concerto de encerramento terá lugar na Igreja dos Clérigos, outro símbolo do Barroco português e da cidade do Porto. Pedro Meireles, Gonçalo Pescada e o Ensemble do Festival interpretarão As Quatro Estações de Vivaldi e a obra homónima de Piazzolla, numa fusão de linguagens e tempos distintos.

Para mais informações, consulte Festival In Spiritum

Sobre o autor

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Mariana Calado encontra-se a realizar o Doutoramento em Ciências Musicais Históricas focando o projecto de investigação no estudo de aspectos dos discursos e das sociabilidades que caracterizam a crítica musical da imprensa periódica de Lisboa entre os finais da I República e o estabelecimento do Estado Novo (1919-1945). Terminou o Mestrado em Musicologia na FCSH/NOVA em 2011 com a apresentação da dissertação "Francine Benoît e a cultura musical em Portugal: estudo das críticas e crónicas publicadas entre 1920's e 1950". É membro do SociMus – Grupo de Estudos Avançados em Sociologia da Música, NEGEM – Núcleo de Estudos em Género e Música e do NEMI – Núcleo de Estudos em Música na Imprensa, do CESEM. É bolseira de Doutoramento da FCT.