Inês Condeço, pianista, iniciou os seus estudos no Orfeão de Leiria e licenciou-se em música clássica (Piano) na Universidade de Évora. No entanto, é na convergência de vários géneros musicais que encontra o seu lugar e a sua verdadeira linguagem.

Artista multifacetada, Inês tem como principais instrumentos o piano, a voz e o sintetizador. Dedicou os últimos anos do seu percurso académico a explorar diferentes sonoridades e ambientes que nos remetem automaticamente para algumas dualidades, como a paz e o caos,

a esperança e o abismo, a luz e a escuridão, sendo esse o mote principal para todo o álbum.  

Lacuna, o primeiro álbum desta artista, foi apresentado no passado dia 23 de dezembro no Teatro Miguel Franco em Leiria e lançado a 1 de janeiro de 2024.  É um marco importante para a carreira de Inês Condeço, pois é a sua afirmação enquanto artista neste meio do que é a experimentação, do que é escutar a música de uma forma bastante peculiar, como nos mostrou o seu espetáculo ao vivo.

Convido então à escuta deste álbum como algo novo, fora da caixa, capaz de criar em nós diferentes emoções, capaz de nos surpreender pela sua irreverência e ousadia. A escuta deste álbum é sem dúvida fundamental para compreender toda a dimensão que esta artista pretende transmitir entre aquilo que pode ser entendido como o caos, a calma do dia a dia, a luz e a escuridão. Diria que este é, sem dúvida, um mar de emoções e de memórias experienciadas ao longo de cada uma das sete faixas.

Iniciamos o álbum com alguma curiosidade e resistência, mas, de repente, somos atravessados por uma sonoridade que nos provoca imediatamente um arrepio na espinha, um arrepio que leva o ouvinte a um estado inquietação, quase queda no abismo. Sentimos que entramos numa espécie de limbo, com o qual nos identificamos imediatamente. As diferentes vozes criadas, o piano e o sintetizador fazem-nos entrar numa espiral de emoções transcendentes, que consegue ao mesmo tempo levar-nos a cair no limbo e no segundo imediato à sensação de que ainda existe uma réstia de esperança e calma que tanto desejamos e precisamos para a nossa vida. Essa é a esperança que nos leva a continuar a jornada da vida e a caminhar calmamente até a um porto seguro, com os pés bem assentes no chão, como é possível escutar ao longo das várias notas do piano e do ambiente criado pelos sintetizadores.

Neste momento chegamos a Calcutá, o ambiente agora leva-nos claramente para à azáfama da cidade, pelo que estranhamente nos provoca uma sensação de regresso ao normal. Inicialmente um regresso aparentemente sereno, mas que muito rapidamente aumenta de intensidade e culmina com a sensação daquele arrepio inicial que o álbum nos provocou. Agora com uma atmosfera mais nostálgica, que nos transporta para memórias inconscientes onde, na verdade, paira uma aparente tranquilidade ao som do maravilhoso piano, que ora parece calmo e melodioso ora parece meio distorcido e confuso. 

Além da escuta deste álbum é importante fazer parte de um concerto desta artista ao vivo, pois é sem dúvida um espetáculo em que o espectador é claramente absorvido por toda a imersão sonora e experiência visual vivida em palco.

Para ouvir e adquirir em: https://inescondeco.bandcamp.com/album/lacuna

https://linktr.ee/ines.condeco

Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/artist/2sZf6btGO5KOkS5YsL8wyX?si=UIeDXHDsQwmWJK_2IrXdBA

Álbum: Lacuna

de Inês Condeço

1.abismo

2.limbo

3.esperança

4.chão

5.calcutá

6.regresso

7.reminiscência

Algumas datas de apresentação: 

24 de Março – BOTA

18 de Abril – Casa do Comum

14 de Março – SMUP – Inês Condeço & Pedro PMDS

Fotografia: @agnes_mactus

Sobre o autor

Avatar photo

Lívia Duque, natural de Leiria, ingressou no Conservatório de Artes — Orfeão de Leiria, estudando saxofone. Prosseguiu os seus estudos musicais em Musicologia Histórica na Universidade de Évora, sendo pós-graduada pela Universidade NOVA. Actualmente exerce vários trabalhos na área de produção, gravação e assistência musical em várias entidades como o Duktus Sound Studio. É assistente de produção do MPMP.