Na próxima terça-feira, dia 20 de junho de 2023, às 20h, no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, o maestro Pedro Neves dirige a Orquestra Gulbenkian num concerto intitulado “Luís de Freitas Branco — Paraísos artificiais”. Trata-se de concerto único, com gravação ao vivo, totalmente dedicado a obras do célebre compositor português.

Como os leitores da Glosas sabem, a produção de Freitas Branco é fundamental no contexto do modernismo em música em Portugal, contemplando as vertentes estéticas ultrar-romântica, impressionista e expressionista e, numa segunda fase, forte influência neoclássica. O programa evoca parte deste recorte, começando com duas obras do início de carreira. Primeiro é apresentado o muito inovador poema sinfónico Paraísos artificiais (1913), a partir de Baudelaire, que serviu de inspiração e cujo tema subjacente é o uso de entorpecentes: o haxixe, o ópio e o vinho.

Num segundo momento é apresentado Vathek (1913-1914), poema sinfónico em forma de variações sobre um tema oriental, considerada uma das suas obras mais arrojadas. A partitura só foi integralmente estreada postumamente, já em 1961, pela Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional. Vathek é um romance gótico escrito em 1782, por  William Beckford; a história gira em torno de um conto provavelmente inspiardo nas Mil e uma nites, a propósito do califa Al-Wathiq, que teria vivido por volta de 842-847. O califa teria abjurado o islamismo, envolvendo-se em atividades deploráveis para adquirir poderes sobrenaturais; no final, Vathek desce ao inferno e é condenado a errar para sempre.

Por último, são apresentadas as duas Suítes alentejanas (1919, 1927), nas quais utiliza temas do folclore alentejano, entre os quais o famoso “Fandango”, terceiro e último andamento da n.º 1, que foi estreada pela Orquestra Sinfónica de Lisboa, a 8 de Fevereiro de 1920, no Teatro Politeama, sob a direcção do pianista e compositor Vianna da Motta, num concerto intitulado “Festival da Música Portuguesa”. Freitas Branco considerava o Alentejo “a sua terra de eleição”.

Com duração prevista de uma hora, a entrada é gratuita mediante levantamento no dia, a partir das 10h.

 

 

Sobre o autor

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Diplomada pela Universidade de São Paulo, onde se licenciou em História, concluindo o mestrado e o doutoramento em Arqueologia e integrando o LARP, Laboratório de Arqueologia Romana Provincial, enquanto Supervisora de Programas e Pesquisas. Foi docente de História da Arte em diversas instituições universitárias e no MASP, Museu de Arte de São Paulo. Realizou o estágio doutoral no Collège de France, Paris, especializando-se depois em Gestão Cultural no SENAC, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, e concluindo o mestrado em Empreendedorismo e Estudos da Cultura — Património no ISCTE, Lisboa, tendo neste âmbito sido distinguida com um Prémio de Excelência Académica.