Foi lançado no Palácio Foz, ao final da tarde de 4 de Dezembro, o primeiro livro da investigadora Leonor Losa, Machinas fallantes: A música gravada em Portugal no início do século XX.

A monografia aborda a implantação e a recepção da indústria discográfica em Portugal. Partindo do ano 1878, em que pela primeira vez um periódico português noticiou o fonógrafo Eddison, até meados do século XX, em que a tecnologia da gravação sonora está já largamente difundida, Leonor Losa apresenta-nos um retrato ambicioso e rico do impacto da música gravada sobre a cultura musical e a sociedade portuguesas. O CD nele incluído e as abundantes ilustrações tornam o livro ainda mais cativante.

O lançamento do livro, editado pela Tinta da China, contou com a presença do Professor Doutor Rui Vieira Nery e da Professora Doutora Salwa Castelo-Branco que, para além da apresentação que fizeram do livro, enfatizaram a importância e a urgência em preservar o património fonográfico. O INET-md, com o projecto “A indústria fonográfica em Portugal no século XX”, tem agido nesse sentido e o CD incluído no livro de Losa, sob a direcção técnica de António Tilly, resulta desse trabalho de conservação e digitalização de fonogramas.

A apresentação terminou, muito apropriadamente, com uma demonstração de gramofone, a cargo de Luís Cangueiro. Num velhinho gramofone de 109 anos, Cangueiro deu a ouvir Vasco Santana versar sobre Lisboa, um diálogo entre Duarte Silva e Isabel Costa e música por Alfredo Marceneiro, Corina Freire, Beatriz Costa, Hermínia da Silva e Amália Rodrigues. Este momento musical ilustrou bem o conteúdo do livro de Losa. Antes assistiu-se a excertos do documentário da autoria de Losa e de Susana Belchior, Diálogos sobre discos: o coleccionismo e história da gravação em Portugal.

Leonor Losa (n. 1981) é investigadora em etnomusicologia no INET-md (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa) e interessa-se por estudos de Música Popular e, em particular, por questões relacionadas com a indústria fonográfica. Foi bolseira do projecto “A indústria fonográfica em Portugal no século XX “. De momento dedica-se ao estudo da intersubjectividade, criatividade e memória na produção de world music no contexto do sul da Europa.

Sobre o autor

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Mariana Calado encontra-se a realizar o Doutoramento em Ciências Musicais Históricas focando o projecto de investigação no estudo de aspectos dos discursos e das sociabilidades que caracterizam a crítica musical da imprensa periódica de Lisboa entre os finais da I República e o estabelecimento do Estado Novo (1919-1945). Terminou o Mestrado em Musicologia na FCSH/NOVA em 2011 com a apresentação da dissertação "Francine Benoît e a cultura musical em Portugal: estudo das críticas e crónicas publicadas entre 1920's e 1950". É membro do SociMus – Grupo de Estudos Avançados em Sociologia da Música, NEGEM – Núcleo de Estudos em Género e Música e do NEMI – Núcleo de Estudos em Música na Imprensa, do CESEM. É bolseira de Doutoramento da FCT.