Compositor de música dramática e orquestral muito conceituado e até popular no seu tempo, o nome de Francisco António Norberto dos Santos Pinto (1815-1860) é, não obstante, nos dias de hoje, pouco menos do que desconhecido, mesmo de muitos músicos. Apesar de obras de sua autoria terem já recentemente sido objecto de gravações (ainda que escassas), de interpretação em salas de concerto (como na Casa da Música, em 2014) e de mesmo algumas terem sido já modernamente editadas, centenas de manuscritos seus jazem ainda desconhecidos na Biblioteca Nacional, em Lisboa, à espera de tomarem vida.

Santos Pinto foi um músico multifacetado, excelente trompista, violinista e cornetista (dedicando-se especialmente à “corneta de chaves”), além de prolífero compositor. Nasceu em Lisboa, filho de José António dos Santos e de D. Mariana do Carmo Gama Pinto Borralho. Iniciou os estudos musicais sob a orientação de Teotónio Rodrigues, cantor da Capela da Bemposta, estudando violino com José Maria Morte e trompa com Justino José Garcia, mestre de banda das Reais Cavalariças, às quais Francisco Norberto viria mais tarde também a pertencer. Estudou ainda Harmonia com Eleutério Franco Leal e, depois, com Manuel Joaquim Botelho, teórico e flautista da orquestra do Real Teatro de São Carlos. Por sua vez, conta-se entre os seus discípulos Guilherme Cossoul.

 

 

Muito jovem, com apenas quinze anos (em 1830), era já trompista da banda das Reais Cavalariças e, no início das Guerras Civis, em 1832, encontramo-lo como primeiro-corneta na Banda da Guarda Real da Polícia. Pela mesma altura, ainda que um pouco depois, ter-se-á tornado músico, primeiro da banda (trompista) e depois da orquestra do Teatro de São Carlos (inicialmente desempenhando as funções de primeiro clarim e, depois, de terceiro trompa), orquestra onde aproveitaria muito os ensinamentos de Manuel Joaquim Botelho, seu mestre e ali colega. Será, aliás, no Teatro de São Carlos que verá, em 1838, a apresentação da sua primeira obra dramática, Adoração ao Sol.

[…]

De excelente carácter, afável, cordato e prestativo, foi, uma vez mais segundo o testemunho de Vieira, muito estimado pelos colegas e discípulos. Dele disse ainda o grande polígrafo:

Fraco de corpo mas forte de espírito, tranquillo e methodico sem paixões, nem arrebatamentos (…). Assim em todas as suas producções se manifesta um espírito lúcido, (…) dominado por íntimo sentimento que o faz encontrar bellas e espontâneas ideias, technicamente trabalhadas.

 

ARTIGO PUBLICADO NA GLOSAS 13 ( Clique aqui para ler o artigo completo na versão impressa ).

Sobre o autor

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Maria José Borges é professora de História da Música na Escola de Música do Conservatório Nacional. Licenciou-se em História e em Ciências Musicais na Universidade Nova de Lisboa. Tem o Curso Superior de Piano do Conservatório Nacional. Com José Pedrosa Cardoso publicou 'História da Música' (ed. Sebenta, 2008), livro de abordagem prática para "estudantes e amantes" de música.