A 2 de Março foi assinado o acordo de constituição do Observatório da Canção de Protesto entre quatro instituições: Câmara Municipal de Grândola, Associação José Afonso, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense.

Este observatório, projectado inicialmente pelo município de Grândola e a Associação José Afonso em 2007, vê-se agora fortalecido com a participação de mais duas instituições. A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas será representada pelos centros de investigação Instituto de História Contemporânea (IHC) e Instituto de Etnomusicologia – Música e Dança (INET-MD), ambos capazes de fornecer perspectivas alargadas sobre o que foi a canção de protesto.

A canção de protesto, ou canção de intervenção, designa um tipo de música popular portuguesa de linha melódica simples acompanhada geralmente por guitarra, por vezes por conjunto instrumental, que serve de suporte rítmico e harmónico. Ligada a movimentos de contestação à situação precária do país, ao regime ditatorial imposto, à guerra colonial e à falta de liberdade, a canção de protesto não se limitou a 1974 nem ao 25 de Abril. Remonta aos anos 40 como crítica às más condições em que vivia a maioria da população portuguesa e estendeu-se até inícios dos anos 80. É este património poético-musical, rico e profundamente relevante da história recente do país, que o Observatório da Canção de Protesto tem por finalidade preservar, estudar e divulgar. O acordo prevê aproximar e revalorizar os núcleos patrimoniais existentes e a realização de iniciativas como colóquios, jornadas de estudo, exposições, publicações e concertos.

A assinatura do Acordo de Constituição do Observatório da Canção de Protesto decorreu às 15h de 2 de Março na Câmara Municipal de Grândola.

Sobre o autor

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Mariana Calado encontra-se a realizar o Doutoramento em Ciências Musicais Históricas focando o projecto de investigação no estudo de aspectos dos discursos e das sociabilidades que caracterizam a crítica musical da imprensa periódica de Lisboa entre os finais da I República e o estabelecimento do Estado Novo (1919-1945). Terminou o Mestrado em Musicologia na FCSH/NOVA em 2011 com a apresentação da dissertação "Francine Benoît e a cultura musical em Portugal: estudo das críticas e crónicas publicadas entre 1920's e 1950". É membro do SociMus – Grupo de Estudos Avançados em Sociologia da Música, NEGEM – Núcleo de Estudos em Género e Música e do NEMI – Núcleo de Estudos em Música na Imprensa, do CESEM. É bolseira de Doutoramento da FCT.