No próximo sábado, 15 de Julho, sete organistas animarão os Órgãos Históricos de Santarém, um acervo de instrumentos espalhados por locais de culto do centro histórico da cidade portuguesa. Este Périplo de 7 Mini-Recitais integra-se no 3.º Ciclo de Órgão de Santarém e tem início às 15h00, na Igreja da Alcáçova, com um mini-recital a cargo de Daniel Oliveira, prosseguindo, às 15h30, na Igreja de Marvila, com Célia Sousa Tavares; às 16h00, na Igreja da Misericórdia, é a vez de Filipe Veríssimo; às 16h30, na Igreja de São Nicolau, a de Daniela Moreira; pelas 17 horas, na Igreja de Jesus Cristo, Inês Machado; às 17h30, na Catedral, com António Esteireiro. O último dos mini-recitais será às 18 horas, na Igreja de Nossa Senhora da Piedade, por Rafael Reis.

A concentração dos templos no centro histórico de Santarém — localizados a não mais de um quilómetro uns dos outros — permite a realização deste “passeio musical”, numa forma sui generis de fruir estes instrumentos, recuperados entre 2008 e 2015. Outra especificidade deste concerto itinerante é a de contrastar também com as linhas gerais de programação do 3.º Ciclo de Órgão de Santarém (dedicado este ano ao canto gregoriano), complementando essa oferta concentrada com uma outra diversidade de repertório e variedade de intérpretes.

No domingo, 16 de Julho, pelas 18h00, na Igreja da Misericórdia, o agrupamento Capella Patriarchal apresenta um concerto subordinado ao título Classicismo e Pré-Romantismo. Sob a direcção de João Vaz (que se sentará também ao órgão, como habitualmente), serão escutadas obras de Carlos Seixas (a Sonata para órgão em lá menor), Frei Jerónimo da Madre de Deus (Veni Sancte Spiritus e os Versos de 5.º tom, alternados com cantochão), Marcos Portugal (Sonata para órgão em Ré maior), Frei José Marques e Silva (Benedictus Dominus Deus Israel, os hinos Crudelis Herodes, para a festa dos Reis Magos, e Jesu Redemptor omnium, para a festa do Natal, bem como um seu Magnificat, datado de 1834 — estas duas últimas obras em estreia moderna).

Fundado em 2006 e contando com diversas apresentações em Portugal, Espanha e Alemanha, a Capella Patriarchal é um projecto destinado fundamentalmente à divulgação da música sacra portuguesa. Apresenta frequentemente obras inéditas, apoiando-se num cuidadoso trabalho de investigação das fontes musicais, assim como num intenso esforço de observação das práticas interpretativas das diversas épocas. Tendo origem no trabalho de João Vaz com a música de órgão portuguesa dos séculos XVI a XIX, o agrupamento aborda também a música vocal, contando para isso com a colaboração de cantores experientes neste tipo de repertório. A Capella Patriarchal registou já em CD os Responsórios de Quinta-Feira Santa e a Missa Ferial de Frei Fernando de Almeida, bem como os Responsórios de Sexta-Feira Santa de Frei José Marques e Silva, este último no âmbito da colecção discográfica Órgãos Históricos de Santarém, editada com a chancela do movimento patrimonial pela música portuguesa.

O 3.º Ciclo de Órgão de Santarém tem vindo a decorrer desde o dia 3 de Junho e terminará a 30 de Julho. A produção está a cargo dos Órgãos Históricos de Santarém — protocolo entre o Município de Santarém, a Diocese de Santarém e a Santa Casa da Misericórdia de Santarém. Esta terceira edição envolve a participação de onze organistas, quatro coros e uma orquestra (bem como, claro está, dos sete órgãos históricos), em mini-recitais, concertos, missas cantadas e conferências.


Pode obter mais informações sobre a programação do ciclo através desta ligação.

Sobre o autor

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Luís Salgueiro é licenciado em Composição pela Escola Superior de Música de Lisboa. Para além da sua actividade criativa, dedica também a sua energia à preparação de partituras e musicografia, primeiro como 'freelancer' e actualmente como coordenador das actividades editoriais do MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa.