Patrick Dickie assumirá doravante a direcção artística do Teatro Nacional de São Carlos, após ter servido como consultor na concepção desta temporada.

A decisão foi revelada pelo Secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado, na primeira audição parlamentar da comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto com a equipa do novo Ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes. Foi Gabriela Canavilhas a abordar a questão: na sua intervenção, a pianista, deputada do PS e ex-ministra da tutela em questão mostrou-se preocupada com um processo de selecção que lhe parecia ter sido “feito à medida”. Em resposta, Miguel Honrado revelou que o despacho com a nomeação de Dickie já havia sido deixado assinado pelo demissionário João Soares. Terão sido cerca de quinze as respostas ao concurso internacional (do qual vos demos conta no início do ano). A auxiliar a decisão da tutela houve ainda um parecer consultivo, elaborado por cinco personalidades ligadas ao Teatro.

Patrick Dickie chegou a Lisboa com mais de vinte anos de experiência na produção de ópera em Londres, com particular incidência na criação contemporânea, como atestam as passagens pelo Festival de Aldeburgh (no programa Jerwood para criação operática), pela English National Opera (onde continua ligado ao programa para ENO’s House Composers) e pela década de ligação ao dinâmico Almeida Theatre. Interpelada pelo Observador aquando da apresentação da temporada que agora finda, Joana Carneiro afirmou que o trabalho com Dickie “correu muito bem”, e voltou a sublinhar a importância de encontrar alguém a título definitivo para um cargo vago desde 2013.

Sobre o autor

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Luís Salgueiro é licenciado em Composição pela Escola Superior de Música de Lisboa. Para além da sua actividade criativa, dedica também a sua energia à preparação de partituras e musicografia, primeiro como 'freelancer' e actualmente como coordenador das actividades editoriais do MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa.