Começa no próximo dia 15 e termina no dia 25 de junho a 57.ª edição do Festival de Sintra. São 50 artistas, distribuídos por 35 eventos em 16 locais distintos. Com direção artística de Martim de Sousa Tavares, que sucede no cargo a Gabriela Canavilhas, o programa do festival é um reflexo das ideias e princípios que têm norteado a sua atuação em diferentes meios de comunicação e plataformas: a difusão da música clássica e a preocupação com a inclusão, o humor, a correlação entre a música clássica e outras artes. Por esta razão, o festival inclui na programação atividades variadas como caminhadas, conferências, um ciclo de cinema, um duelo de pianistas, atividades para a infância e para as famílias.

Fundado pela Marquesa de Cadaval, o Festival de Sintra é já sobejamente conhecido, mas o objectivo de Sousa Tavares é torná-lo mais do que isso: uma experiência em que diferentes sentidos são estimulados para tornar a apreciação da música mais profunda e múltipla. Um bom exemplo são as caminhada-concerto, uma maneira de unir a exuberância da paisagem e da natureza sintrense à música clássica — com três concertos: a 17 de Junho, com a pianista Catherine Morisseau; a 24 de Junho, com os Postcard Brass Band; e o mais esperado, o concerto do acordeonista João Barradas, à hora do nascer-do-sol, no dia do solstício de verão (21 de junho).

Outro destaque é o Duelo de Pianistas, no dia 20, no Palácio de Seteais, com dois dos maiores pianistas de uma geração, Raúl da Costa e Vasco Dantas, numa brincadeira que relembra os duelos românticos em busca do virtuoso mais ágil e habilidoso na técnica deste instrumento.

A programação infantil tem como destaque As árvores não têm pernas para andar, pela pianista Joana Gama, no dia 18 de março, no Edifício Multiusos Cultural de Belas; e O anel do unicórnio, uma ópera-miniatura, no dia 23, no Centro Cultural Olga Cadaval.

Os pares de filmes e concertos prometem também diálogos interessantes. Dia 19 há o documentário The Harvest of Sorrow de Tony Palmer, às 18h, seguido de recital do Trio Rachmaninov, às 20h30, ambos no Olga Cadaval. O universo dos castrati é apresentado por meio do filme Farinelli de Corbiau, apresentado no dia 23, no Olga Cadaval, às 18h, seguido pelo programa “Stravaganza: Árias para castrato”, no Palácio Nacional de Queluz, às 21h30. No dia 25, o filme Um americano em Paris é apresentado às 15h30, e às 18h escuta-se o concerto “Viva Gershwin!”, ambos no Olga Cadaval.

A programação ainda tem muitos outros eventos interessantes para vários públicos, indo desde o “Cancioneiro” de Carlos Gardel, a apresentação do Livro dos Sons, de Hans Otte, com Joana Gama no piano, um concerto com Angélica Salvi, dedicado a música contemporânea e eletroacústica, e ainda a presença de António Rosado e da Companhia de Bailado Contemporâneo.

 

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Sobre o autor

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Diplomada pela Universidade de São Paulo, onde se licenciou em História, concluindo o mestrado e o doutoramento em Arqueologia e integrando o LARP, Laboratório de Arqueologia Romana Provincial, enquanto Supervisora de Programas e Pesquisas. Foi docente de História da Arte em diversas instituições universitárias e no MASP, Museu de Arte de São Paulo. Realizou o estágio doutoral no Collège de France, Paris, especializando-se depois em Gestão Cultural no SENAC, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, e concluindo o mestrado em Empreendedorismo e Estudos da Cultura — Património no ISCTE, Lisboa, tendo neste âmbito sido distinguida com um Prémio de Excelência Académica.