Foi recentemente publicada em Itália, pela Libreria Musicale Italiana, uma obra inédita de Niccolò Jommelli (1714-1774), compositor napolitano de reputada importância no barroco europeu. Conhecido principalmente pela sua vasta produção operática, o músico italiano é também autor de algumas obras sacras, notadas habitualmente para um ou dois coros e baixo contínuo. No entanto, a recente descoberta apresenta um extraordinário efectivo de quatro coros (16 vozes) e três órgãos, para já único no catálogo de Jommelli.

 

 

A única fonte conhecida deste raro tesouro está na Biblioteca Nacional de Portugal, catalogada com o n.º 549 do Fundo do Conde de Redondo. O musicólogo António Jorge Marques, que se vem destacando no estudo e divulgação da obra de Marcos Portugal, dedicou desde 2003 o seu olhar a este manuscrito, cuja autoria não estava, à partida, identificada. A perda do primeiro caderno do documento impossibilitava essa tarefa, impedindo o conhecimento do seu título ou do respectivo ano de composição. Foi a análise caligráfica que possibilitou a atribuição da obra a Jommelli, tendo mais tarde sido compreendido que este Laudate Pueri Dominum terá sido estreado durante a cerimónia de Segundas Vésperas da Festa de S. Pedro e S. Paulo, em 1750, na Basílica de São Pedro, em Roma.

 

 

Trata-se, enfim, do único manuscrito autógrafo do compositor italiano na Península Ibérica, revelando uma obra que, além de completamente desconhecida, é inesperada pelas suas dimensões, e em que se destacam as experiências feitas por Jommelli na exploração da relação musical e até espacial entre coros. O Laudate Pueri Dominum foi a primeira obra que o napolitano apresentou no Vaticano, estando ainda por compreender totalmente as razões do seu apagamento do repertório sacro. A este respeito, António Jorge Marques traz-nos alguma luz sobre o assunto no ensaio (que lhe valeu uma menção honrosa no 6.º Concurso Internacional Principe Francesco Maria Ruspoli, 2014, em Vignanello, Itália) que acompanha a edição agora disponível.

Sobre o autor

Duarte Pereira Martins

Licenciado em piano pela Escola Superior de Música de Lisboa, concluiu o curso de piano do Conservatório Nacional com a classificação máxima. Premiado em diversos concursos de piano, apresenta-se regularmente em concerto por todo o país e estrangeiro, em diversas formações, com especial destaque para a divulgação do património musical português. Gravou para a Antena 2 e para a TV Brasil. É o director artístico de duas integrais das sonatas de Carlos Seixas e João Domingos Bomtempo. Frequenta, paralelamente, o curso de Engenharia Física Tecnológica no Instituto Superior Técnico. É membro fundador e Vice-Presidente da Direcção do MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa.

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