Começou dia 4 de outubro a temporada 2023/24 do Teatro Nacional de São Carlos com Madama Butterfly. A ópera, um clássico no cânone da música ocidental, conta nesta produção com Zarina Abaeva e Elisa Cho, Carlos Cardoso, Stefan Astakhov, Cátia Moreso, Marco Alves dos Santos, Ana Franco, Leonel Pinheiro, Christian Luján, Costa Campos, João Oliveira, Nuno Dias, Ana Ferro, Sandra Lourenço e Ana Luísa Silva. O figurino da ópera é o de uma produção da década de 70 do TNSC, confecionado no Japão.

Em Novembro, a temporada terá também Maria da Fonte de Augusto Machado, com Cátia Moreso no papel principal, além de Eduarda Melo, Marco Alves dos Santos, Luís Rodrigues, Inês Simões, André Henriques, Tiago Matos e João Merino. Com o Coro do Teatro Nacional de São Carlos (Giampaolo Vessella, maestro titular), a Orquestra Sinfónica Portuguesa (Antonio Pirolli, maestro titular), João Paulo Santos (direção musical e edição moderna da partitura) e Ricardo Neves-Neves (encenação e libreto moderno).

O título remete para a chamada “revolta da Maria da Fonte”, que ocorrera em 1846. A ópera de Augusto Machado foi estreada no Teatro da Trindade em 1879, já que no São Carlos só se podia cantar em italiano. Esta será a primeira audição moderna, dirigida pelo maestro João Paulo Santos. Tendo apenas subsistido a música, o texto original falado (de Gervásio Lobato, Batalha Reis e Eça Leal) foi reconstruído por Ricardo Neves-Neves, que será o encenador.

Depois ainda de produções de Fidélio e de Falstaff, a temporada termina em Junho com a Triologia das barcas (estreada em 1970 no XIV Festival Gulbenkian de Música), a grande promessa do ano, de Joly Braga Santos, que tem como base literária os Autos das barcas (Inferno, Purgatório e Glória) de Gil Vicente. Esta é a mais representada ópera de um compositor português do século XX.

A Triologia das Barcas apresenta-nos uma procissão de figuras que representam grande parte da Humanidade, do Papa ao Sapateiro, com os seus vícios ou virtudes. Após a morte, todos vêm prestar contas ao Diabo e ao Anjo, esperando a decisão deles sobre o destino da sua viagem. A Morte tem também uma poderosa intervenção. O elenco conta com os solistas Carla Caramujo, Luís Rodrigues, Mário Redondo, Susana Gaspar, Maria Luísa de Freitas, Cátia Moreso, Marco Alves dos Santos, Sérgio Martins, João Pedro Cabral, João Merino, Ricardo Panela, Diogo Oliveira, Tiago Matos e André Henriques. A direção musical é de José Eduardo Gomes, a encenação de Luca Aprea.

Sobre o autor

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Diplomada pela Universidade de São Paulo, onde se licenciou em História, concluindo o mestrado e o doutoramento em Arqueologia e integrando o LARP, Laboratório de Arqueologia Romana Provincial, enquanto Supervisora de Programas e Pesquisas. Foi docente de História da Arte em diversas instituições universitárias e no MASP, Museu de Arte de São Paulo. Realizou o estágio doutoral no Collège de France, Paris, especializando-se depois em Gestão Cultural no SENAC, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, e concluindo o mestrado em Empreendedorismo e Estudos da Cultura — Património no ISCTE, Lisboa, tendo neste âmbito sido distinguida com um Prémio de Excelência Académica.