No dia 29 de Abril de 2010 era lançado o primeiro número da revista Glosas no Salão Nobre do Conservatório Nacional. Nascia o MPMP, associação sem fins lucrativos, pela mão de um grupo de alunos daquela instituição, com o intuito geral de divulgação da música de compositores portugueses. Lançou-se então um manifesto e deu-se início a uma série de iniciativas de redescoberta de património musical de outra forma esquecido ou manifestamente sub-representado na programação das tradicionais salas de concerto do país.

A plataforma cresceu muito mais do que alguma vez sonhado por qualquer um dos seus membros fundadores. No ano passado, lançada a revista Glosas n.º 20, dedicada ao décimo aniversário do movimento, um balanço geral da actividade concretizada ao longo deste período de aprendizagem propiciou uma reflexão nunca antes feita sobre o presente e o futuro dos projectos desenvolvidos e por desenvolver.

A escala a que o MPMP chegou permite agora limar arestas, afinar procedimentos, consolidar trabalho feito e melhor preparar os desafios que se avizinham. Permite, sobretudo, encerrar um ciclo que viu publicados mais de cinquenta discos, dezenas de partituras e livros, realizados centenas de espectáculos, muitos deles com estreias modernas e absolutas de tesouros nacionais inestimáveis… Será brevemente publicado um livro digital com o histórico de todos os eventos e sucessos, limitados porém pelas condicionantes próprias do associativismo e do contexto musical em que se estabeleceu. Estamos ainda muito longe, acreditamos, de quanto merece a música portuguesa em representatividade local e em internacionalização. Os recursos são poucos, ainda, para a dimensão avassaladora de quanto aguarda revelação.

 

 

Hoje, 29 de Abril de 2021, começa simbolicamente um novo ciclo, e com ele uma nova imagem e uma nova assinatura: MPMP Património Musical Vivo. Sintetizámos a essência deste movimento patrimonial pela música portuguesa na sigla que acompanhou o nosso crescimento e que já faz parte indelével do imaginário dos músicos (e de tantos públicos) que nos acompanharam. E acrescentámos três palavras que resumem a essência da nossa missão: cuidar do património presente e futuro, especialmente do musical, ainda que tantas vezes multidisciplinarmente articulado, e torná-lo cada vez mais dinâmico, consequente, vivo.

Não poderíamos deixar de agradecer à Brand Practice (www.brandpractice.pt) todo o trabalho de rebranding e criação da nova imagem que ora se lança. Estamos gratos também aos demais colaboradores que, neste momento, preparam já o anúncio da próxima temporada e ultimam os detalhes de todas as novidades refrescantes que se avizinham. O pior terá já passado neste difícil período pandémico com que nos debatemos ainda — escutam-se as vozes de uma feliz e renovada Primavera.

Sobre o autor

Edward Ayres de Abreu

Curso Complementar de Piano no Conservatório Nacional. Licenciatura em Composição pela Escola Superior de Música de Lisboa, onde estudou sob orientação de Sérgio Azevedo e de António Pinho Vargas. Durante um ano, em programa Erasmus, frequentou o Conservatório Nacional Superior de Paris (CNSMDP). Mestre e doutorando em Ciências Musicais pela Universidade NOVA. Membro fundador e Presidente da Direcção do MPMP. Director da revista GLOSAS (números 1-15 e 20-). Distinguido com o 2.º Prémio do Concurso Otto Mayer-Serra (2017) da Universidade da Califórnia, Riverside, e o Prémio Joaquim de Vasconcelos (2019) da Sociedade Portuguesa de Investigação em Música.

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