Irá realizar-se nos próximos dias 20 e 21 de Setembro a sétima edição da Residência Cisterciense S. Bento de Cástris, no antigo mosteiro cisterciense feminino de São Bento de Cástris, nos arredores de Évora. Para a edição de 2019 foi proposto como tema Conventualidades: representações e vestígios do quotidiano, que pretende congregar olhares que vão da análise laboratorial à prática arqueológica, da pesquisa histórica à investigação em musicologia, das potencialidades digitais para a salvaguarda e valorização do património às paleodietas, passando ainda pela realização de workshops. Orienta-se este tema em duas subtemáticas, focando as possibilidades de trabalho com o património azulejar, nomeadamente do seu uso e riqueza iconográfica, e também o seu restauro, recuperação e divulgação. A outra subtemática centra-se nas dietas conventuais, analisadas “à lupa”, através do registo documental e da análise material.

Este diálogo aposta ainda num caminhar pela cidade e pelas ofertas patrimoniais de que podemos usufruir, com especial ênfase no Museu de Évora (património proveniente do mosteiro de Cástris) e no Colégio do Espírito Santo (património azulejar), sentindo o Alentejo também na gastronomia regional, com os Caminheiros de Évora, e encerrando ao som das flautas, provando a importância dos quotidianos, dos sons e dos sabores, dos vestígios de natureza vária, para a construção da história dos lugares.

A Música ocupará um lugar importante neste evento multidisciplinar, nomeadamente no que diz respeito ao estudo da azulejaria, com a presença da investigadora Luzia Rocha (na sexta-feira, dia 20), que irá apresentar uma comunicação sobre o azulejo e a iconografia musical. A mesma investigadora irá também orientar um workshop sobre a catalogação na Base de Dados de Iconografia Musical – Azulejo Barroco.

No sábado, dia 20, ocorrerá uma visita guiada aos azulejos da Universidade de Évora, orientada pelo investigador Celso Mangucci, onde se encontram também exemplos iconográficos musicais. Após esta visita, encerrará a VII Residência Cisterciense com um habitual concerto no claustro grande, pelo FLAUTÉ Ensemble, grupo coordenado por Monika Streitová, dirigido por Jean-Sébastien Béreau. O grupo irá realizar uma abordagem actual a algumas composições de música vocal sacra da Catedral de Évora dos séculos XVII e XVIII, seleccionadas por Rita Faleiro e Luís Henriques.

A Residência Cisterciense S. Bento de Cástris ocorre anualmente no terceiro fim-de-semana de Setembro, organizada pelo CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora e a Direcção Regional de Cultura do Alentejo, e tem como objectivo primacial reinventar na contemporaneidade a densidade histórica do discurso cisterciense, integrando a geografia do mosteiro eborense numa mais ampla geografia da Ordem de Cister. Inspirada nas questões da História, da Arte, do Património e da Paisagem cistercienses, a Residência, regida pelo ritmo do quotidiano da Regra Beneditina, aposta na vivência dos espaços do mosteiro e no debate de questões actuais ligadas aos espaços monásticos e ao seu futuro, apostando-se no carácter original da iniciativa. A música tem sido uma das artes centrais nestas residências, tendo originado o projecto de investigação ORFEUS, que desenvolveu um estudo extenso sobre as fontes musicais ligadas ao mosteiro, assim como a actividade musical nesta casa monástica eborense.

Sobre o autor

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Musicólogo açoriano, doutorando na Universidade de Évora, é mestre em Ciências Musicais (FCSH NOVA) e licenciado em Música (UÉvora). É investigador em formação no CESEM e membro do MPMP. Catalogou o arquivo musical da Sé de Angra, foi bolseiro no projeto ORFEUS e também investigador no projeto PASEV. Fundou e dirigiu o Ensemble da Sé de Angra e também o Ensemble Eborensis, com concertos nas ilhas dos Açores, Continente português e França. Os seus interesses de investigação centram-se na polifonia portuguesa seiscentista, especialmente no Alentejo, e a música nos Açores do século XV ao final do XIX.