Os Baixos Sumptuosos

[dropcap size=small]S[/dropcap]ob o título Os Baixos Sumptuosos: Música Sacra da Capela Patriarcal no limiar do séc. XIX, o Ensemble Bonne Corde, sob a direcção de Diana Vinagre, apresentou, num dos primeiros momentos – e sem dúvida um dos mais extraordinários – da 26.ª temporada Música em São Roque, um concerto que ficará na memória de quantos tiveram o privilégio de estar a 19 de Outubro no Convento de São Pedro de Alcântara.

Reflexo da constituição instrumental da Capela Patriarcal até ao séc. XIX, este programa inclui música praticamente inédita no seu conjunto, de compositores quer justamente célebres (como Leonardo Leo, François Devienne ou Marcos Portugal), quer desconhecidos em absoluto (como Ignácio António Ferreira de Lima, António da Silva Gomes e Oliveira ou Antonio de Padua Puzzi), em grande parte para uma formação de extrema raridade (solistas acompanhados por duas ou mesmo quatro partes graves – dois fagotes e dois violoncelos – sobre o baixo contínuo).

Foi, assim, dado a ouvir pela primeira vez através de uma interpretação rigorosíssima sob todos os aspectos e, ao mesmo tempo, de grande naturalidade, um conjunto de obras para uma formação que, contrariando a matriz conservadora herdada do início do séc. XVIII, acaba por produzir resultados únicos em virtude da extrema coesão tímbrica que a sobreposição de três ou cinco partes graves possibilita, a que acrescem recursos expressivos que lhe não associaríamos à partida, devedores em grande medida do virtuosismo das partes solísticas confiadas ao primeiro violoncelo.

O impacte da estreia moderna destas obras deve-se, todavia, em primeiro lugar ao extraordinário nível artístico alcançado pelo Ensemble Bonne Corde e pelos dois grandes solistas que com ele se apresentaram. Uma palavra de apreço é devida muito especialmente a Ana Quintans, que engrandeceu este repertório com uma voz plena de matizes tímbricos, servida por uma técnica exemplar, sempre apoiada e evidenciando um pleno domínio do ar na absoluta igualdade de registos.

Um convidado merecedor de reverência particular, o violoncelo histórico construído em Lisboa em 1788 por Joaquim José Galrão e hoje conservado na colecção instrumental do Conservatório Nacional, teve a sorte de se apresentar desta vez em público – o que só muito raramente aconteceu nos últimos decénios – servindo a musicalidade sofisticada, a afinação e fraseado incorruptíveis e tantas outras qualidades da grande violoncelista Diana Vinagre, também responsável pela selecção e, em grande medida, pela transcrição das obras com que compôs o programa deste concerto, que surge no âmbito do seu trabalho de Doutoramento.

E tanto haveria ainda a dizer de todos os que a acompanharam, como do baixo contínuo realizado ao órgão com tanta imaginação como prodigalidade de cores por Miguel Jalôto (a par das intervenções solísticas que abriram as duas partes do programa: a primeira, uma fuga virtuosística de Leonardo Leo, a lembrar o melhor das fugas de Scarlatti; a segunda com a solenidade da escrita acentuadamente arcaizante dos nossos organistas dos primeiros anos de 1800, neste caso Fr. José Marques e Silva).

Merecem-nos Diana Vinagre e o seu Ensemble Bonne Corde, por todo o trabalho de investigação que precede este programa, como pelo extremo cuidado que a sua preparação evidencia, o maior apreço e o desejo de que possamos voltar a ouvir Os Baixos Sumptuosos brevemente.

I Concurso Nacional de Cordas Vasco Barbosa

A 9 e 10 de Maio de 2015 realizar-se-á a primeira edição do Concurso Nacional de Cordas Vasco Barbosa, promovido pela Associação Portuguesa de Artes Musicais (APARM). A fase de eliminatórias, a realizar no dia 9 de Maio, terá lugar na Escola Superior de Música de Lisboa, e a final, dia 10 de Maio, no Teatro Nacional de São Carlos.

O concurso destina-se a instrumentistas de violino, violeta e violoncelo entre os 11 e os 18 anos de idade, e a contrabaixistas entre os 16 e os 22 anos, contando com Vasco Barbosa, Ana Beatriz Manzanilla e Paula Carneiro como membros do júri de violino, e com Pedro Saglimbeni Muñoz, Nuno Abreu e Manuel Rêgo como membros dos restantes instrumentos.

O primeiro prémio consistirá na gravação e transmissão de um concerto co-produzido pela Antena 2, além de um diploma de participação no Concerto de Laureados, a realizar no dia 7 de Junho de 2015, no CCB, com acompanhamento da Camerata Atlântica e direcção musical de Ana Beatriz Manzanilla. Os prémios, incluindo diploma, CD e material didáctico para o segundo classificado, e diploma e material didáctico para o terceiro, serão entregues no dia 10 de Maio de 2015.

Com a realização deste concurso pretende-se uma homenagem ao violinista Vasco Barbosa, filho do também violinista Luís Barbosa. Formado no Conservatório Nacional, Vasco Barbosa foi bolseiro do Instituto para a Alta Cultura e da Fundação Calouste Gulbenkian, apresentando-se em público desde os sete anos de idade. Apresentou-se em Espanha, Itália, Suíça, França, Áustria, Alemanha, Roménia, Grécia, Estados Unidos da América, bem como outros países de África e da Ásia. Condecorado com vários prémios, nomeadamente o Prémio Guilhermina Suggia, Óscar da Imprensa, Prémio Moreira de Sá, Prémio da Secretaria de Estado da Cultura e Prémio Almada, Vasco Barbosa foi distinguido com a Ordem Militar de Santiago de Espada. Tendo sido concertino da Orquestra Sinfónica da RDP, da Orquestra do Teatro Nacional de São Carlos e da Orquestra Sinfónica Portuguesa, fundou em 1986 o Quarteto Atalaya, do qual é membro juntamente com Klara Erdei (violino), Teresa Beatriz (viola) e Kenneth Frazer (violoncelo), e, em 1993, um duo com a violinista Lígia Soares.

Mais informações aqui ou através de [email protected] .

Mais Bomtempo em gravação

[dropcap size=small]O[/dropcap] MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa, está durante esta semana no Pequeno Auditório do CCB, Centro Cultural de Belém, para as gravações do segundo CD da integral das sonatas para piano de João Domingos Bomtempo (1775-1842), projecto iniciado pelo pianista Philippe Marques em 2013.

Seguindo-se a João Domingos Bomtempo | Sonatas I (décimo volume da colecção discográfica melographia portugueza, lançado em Dezembro último), neste CD será gravado pela primeira vez o conjunto das Grandes Sonatas Op. 9, publicadas em Londres, em 1811, tendo como dedicatário Muzio Clementi, incluindo a versão da terceira sonata com o acompanhamento de violino previsto ad libitum (com a interpretação aqui confiada à violinista Tamila Kharambura, vencedora de dois Primeiros Prémios do Concurso Jovens Músicos: Nível Médio, em 2007, e Nível Superior, em 2011, além do Prémio Maestro Silva Pereira/Jovem Músico do Ano, no mesmo ano).

Prevê-se a edição deste CD já neste ano, como próximo volume da colecção melographia portugueza.
À semelhança do primeiro volume da integral das sonatas de Bomtempo, a produção e direcção musical da gravação estão a cargo de Duarte Pereira Martins, com captação e edição da responsabilidade de Filipe Chaves.

 


 

 

Philippe Manuel Vicente Marques nasceu em 1991 em Lausana, Suíça. Iniciou os estudos musicais no Conservatório Regional Silva Marques, na classe de Catherine C. Paiva. Completou o Curso de Piano no Conservatório Nacional, em Lisboa, com a máxima classificação, na classe de Helder Entrudo. Actualmente, é mestrando na Escola Superior de Música de Lisboa, onde estuda com Miguel Henriques. Participou em diversas masterclasses, recebendo orientação de Luiz de Moura Castro, Sequeira Costa e Dmitri Alexeev.

Como solista, interpretou o 1.º Concerto para piano e orquestra de Franz Liszt, em Março de 2011, com a Orquestra Sinfónica da Escola Superior de Música de Lisboa, sob a direcção de Vasco Pearce de Azevedo. Apresentou concertos a solo em Paris (França), na Califórnia (E. U. A.), em Belo Horizonte e São Paulo (Brasil), e em alguns dos mais importantes palcos portugueses, incluindo no seu repertório obras de Fryderyk Chopin, Alexander Scriabin, António Fragoso e Fernando Lopes-Graça, entre outros.

Dedica-se igualmente à música contemporânea, tendo colaborado com o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa e estreado várias obras de jovens compositores. Gravou para a etiqueta melographia portugueza (ed. MPMP) um CD com sonatas para piano de João Domingos Bomtempo.

Integra o Ensemble MPMP desde a sua fundação, tendo participado na digressão ‘Música portuguesa em viagem | Brasil 2014’, no contexto da qual participou, com o pianista Duarte Pereira Martins, num programa da TV Brasil com música portuguesa para piano solo e piano a quatro mãos.

É docente no Conservatório de Música da Metropolitana.

Alfredo Keil na Turquia

 

 

[dropcap size=small]H[/dropcap]á escassos dias, a 22 de Janeiro, a música portuguesa beneficiou uma vez mais da acção divulgadora de Tomohiro Hatta, num recital que teve lugar na Sala de Espectáculos do Lycée Notre Dame de Sion, em Istambul. O grande pianista nipónico, discípulo de Paul Badura-Skoda e Caio Pagano, laureado em numerosos concursos internacionais, levou à sede milenar da cultura bizantina, cidade-símbolo do Oriente da Europa, entre outras obras tão marcadamente ocidentais como as dos gigantes Bach e Chopin, um conjunto de peças para piano solo de Alfredo Keil extraídas das colectâneas Impressions Poétiques e Douze Mélodies, publicadas ainda em vida do eminente polígrafo, persistindo na atenção que há anos vem dedicando à cultura e à música de autores portugueses e do mundo lusófono.

A relação que liga Tomohiro Hatta – radicado em Paris desde 2005 – a Portugal não é evidentemente alheia à importante actividade concertística que desenvolve no âmbito da música para piano a quatro mãos enquanto membro do duo MusicOrba, que mantém com o pianista português Ricardo Vieira e que os tem chamado a ambos para a atenção da crítica especializada internacional, de quem mereceram elogiosas referências.

A par dos grandes nomes da música portuguesa e brasileira que têm ajudado a divulgar em França e noutros países europeus e extra-europeus, a música para piano de Alfredo Keil (1850-1907) suscitou suficiente interesse a Tomohiro Hatta para que tenha dedicado às vinte e quatro peças que constituem os cadernos de Douze Mélodies e Impressions Poétiques o seu disco de estreia enquanto solista, gravado num piano histórico de Grotrian-Steinweg de 1876 e editado em 2014 pelo MPMP , Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa como volume 9 da colecção discográfica melographia portugueza.

 


 a descobrir:

Alfredo Keil | Impressions Poétiques

Música e Cinema no Museu

A juntar à programação regular que o Museu da Música tem vindo a oferecer nos últimos anos, estreiam-se agora dois novos ciclos de concertos: “À tarde no museu” em Janeiro e “Filmes mudos musicados” em Fevereiro.

“À tarde no museu” nasceu por iniciativa da Ana Paula Russo que projectou este ciclo em parceria com a Associação de Amigos do Museu da Música, e tem a primeira sessão já no próximo dia 29 de Janeiro. O ciclo prolonga-se até Julho de 2015, sempre com um recital de canto na última quinta-feira de cada mês, às 18h30. Cada recital tem um título sugestivo dos temas e ambientes que serão interpretados e explorados. Assim, nesta primeira sessão, Ariana Moutinho Russo (soprano) e Tiago Oliveira (piano), sob o signo “Do amor e da cozinha”, irão interpertar La bonne cuisine: four recipes for voice and piano de Leonard Bernstein e Cuatro madrigales amatorios de Joaquín Rodrigo, assim como algumas peças para voz e piano de José Vianna da Motta, Fernando Lopes-Graça e Francis Poulenc. “O corpo é como um rio”, a 30 de Abril, por Pedro Cachado e José Brandão, “A voz envolta em guitarra”, a 28 de Maio, por Ana Paula Russo e Carlos Gutkin ou “O amor antigo e moderno”, a 26 de Junho, por Paula Pires de Matos e Flávia Castro, são algumas sugestões de outros concertos programados para este ciclo.

Em Fevereiro, e ao longo de mais cinco sessões, Charlie Mancini, nome artístico do músico e performer Pedro Pereira, leva cinema mudo ao Museu da Música. Na primeira sessão, a 18 de Fevereiro, poder-se-á assistir a The goat, de Buster Keaton (1921) e The immigrant, de Charlie Chaplin (1917). Estas curtas-metragens, bem como as restantes do ciclo, serão acompanhadas musicalmente por Charlie Mancini em piano, sintetizador e guitarra, recuperando a forma de como estes filmes eram vistos na época em que foram produzidos, com os músicos tocando enquanto a película era projectada. A iniciativa não é inédita, mas estas sessões prometem finais de tarde cheios de animação e são uma oportunidade para (re)descobrir o cinema de Keaton, Chaplin, Méliès e outros. Estão já programados Felix the cat (1919), Alice in wonderland (1903) e La voyage dans la lune (1902) a 18 de Março e curtas-metragens de Chaplin a 15 de Abril.

Encontra-se mais informação sobre estes dois ciclos e sobre a restante programação do Museu da Música em www.museudamusica.pt e também na página do museu no Facebook.

A não perder: o QGLx em Almada

N’A Criação de Haydn, a palavra Licht (Luz) assinala o momento criador em que transitamos da escuridão para o brilho orquestral. No disco Prima Luce, que o Quarteto de Guitarras de Lisboa (QGLx) irá apresentar em concerto no próximo dia 30 de Janeiro em Almada, a Luz, elemento primordial criador, é a característica comum a todas obras, de Carlos Marecos, Cláudio Cruz, Francisco Tavares, José Dias, Manuel Durão e André Santos.

Há também memórias, histórias de infância, contrastes de luz e de sombra, de aceleração e de acalmia e uma luminosidade no som das quatro guitarras que tocam numa sintonia bem construída, pontuada por muitos efeitos sonoros.

Um concerto que promete envolver o ouvinte num universo sonoro que poderá quiçá deixá-lo (como diria António Damásio) a “um passo da luz”, como metáfora do advento “simples e esmagador da entrada do Si no mundo da mente.” [1]

 


 30 de Janeiro de 2015, 21h30

Auditório Fernando Lopes-Graça do Fórum Romeu Correia (Almada)


 

O Quarteto de Guitarras de Lisboa (QGLx) formou-se em 2006, tendo realizado, nos primeiros três anos, cerca de cinquenta recitais entre Portugal e Espanha, e estreado diversas obras de compositores portugueses. Em 2011, após uma paragem, o grupo retomou a sua actividade e, desde então, tem-se dedicado a preparar repertório essencialmente composto por obras de compositores portugueses, a par de obras de compositores de referência do universo guitarrístico. Em 2013, o grupo editou um CD com peças de compositores portugueses dedicadas ao QGLx.

QGLx: André Santos, José Dias, Miguel Vieira da Silva, Pedro Luís

 


 

[1] Damásio, A., 2000, O sentimento de si, Edições Europa-América, p. 22

O contributo de João Pedro Delgado para a viola contemporânea

João Pedro Delgado inaugura o novo ano de 2015 com o lançamento do CD Viola Solo e Electrónica  Música de Compositores Portugueses. Quem o quiser procurar nas estantes de uma FNAC ou de qualquer outra loja de discos encontrará um objecto com um grafismo exemplar de Sérgio Currais: um branco cru, qual tela em branco, suporta uma viola em si transfigurada em algo espectral. A metamorfose de um instrumento com a matéria tão orgânica, como a madeira, para um vazio negro quase espacial, sendo verticalmente e horizontalmente cruzado com uma linha espectral sonora, deixa o observador inquieto e desperto para o conteúdo musical do CD.

 

 

Foram escolhidas obras de João Pedro Oliveira (n. 1959), Sérgio Azevedo (n. 1968), José Carlos Sousa (n. 1972), Jaime Reis (n. 1983) e Eduardo Patricarca (n. 1970). A obra de João Pedro Oliveira, Rust, é uma parte de uma obra mais complexa inspirada em elementos da natureza: Magma, Titanium, Burning Silver e Rust (ferrugem). Nas palavras do próprio autor, Rust, a ferrugem, dá a ideia de algo frágil, mas cuja aparência se pode confundir com o ferro. Este pressuposto é transposto para música por elementos melódicos que se quebram, dispersam e são novamente reunidos. Já a obra de Sérgio Azevedo, Sonata para Viola Solo, de contornos bastante diferentes, desenvolve-se à volta de uma ideia cromática que reaparece, um pouco disfarçada, por todos os andamentos. É de destacar na obra o ‘Prestissimo alucinante’. Na obra de José Carlos Sousa, Violeta’s, a música é apenas executada por um único violetista mas assume tal complexidade contrapontística que é sugerida ao ouvinte uma multiplicidade de violas que, na verdade, são uma única só. Em Fluxus, Transitional Flow de Jaime Reis destaca-se a particularidade de terem sido gravados sons de aviões do Aeroclube de Torres Vedras, depois sintetizados com técnicas que remetessem para a ideia de um fluxo musical que parte da viola d’arco e é expandido para a electrónica, isto nas palavras do próprio compositor. Numa homenagem a Gèrard Grisey (o fundador da escola espectral), Eduardo Patriarca constrói uma peça de forma circular com camadas que se vão criando sendo muito interessante o diálogo partilhado de micro-tons.

João Pedro Delgado (n. 1978) tem uma execução excelente, recomendando-se a audição e a compra deste registo em CD. É um contributo deveras interessante para a divulgação da música contemporânea portuguesa, muito particularmente desta selecção de compositores bastante jovens com uma carreira já consagrada no meio musical nacional e internacional.

Para quem desejar ouvir algo mais sobre o CD, pode seguir o programa de rádio da Antena 2, ‘Música Hoje’, no dia 28 de Fevereiro de 2015 à 01:00.


O disco pode ser comprado na Loja MPMP.


Consultar notícia breve.

Histórias da Música em Portugal

Escrever um livro destinado às crianças não é tarefa fácil. Há sempre a tentação de cairmos numa linguagem infantilizada. Não é, porém, o caso de Histórias da Música em Portugal, de Mário João Alves. A escrita límpida, despretensiosa, o sentido de humor e imaginação na escolha dos títulos e contextualização das histórias, o espírito de síntese, a sensibilidade pedagógica e artística, a forma criativa como liga a música a outras artes como a poesia, a pintura, o teatro e a dança, o conhecimento profundo da nossa História e Cultura são qualidades indiscutíveis do autor e reflectem-se , claramente, neste pequeno mas precioso livro.

Pensado para as crianças, destina-se também a todos os que se interessam pela cultura em geral e pela música em particular. Histórias da Música em Portugal é um projecto da iniciativa do MPMP, Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa. Ao ser apresentado à editora Planeta Tangerina e à sua designer Madalena Matoso foi de imediato aceite. Trata-se de treze breves histórias originais que abarcam vários séculos de criação musical erudita em Portugal. As várias épocas da História da Música, desde a Idade Média até ao século XX, estão bem representadas ao longo da obra. Não se pretendeu, contudo, incluir todos os compositores mas apenas alguns dos mais representativos em cada época.

Partindo do princípio humanista de que devemos dar às crianças o que há de melhor, de mais harmonioso e mais belo, princípio que deve nortear uma sã filosofia da educação, houve um extremo cuidado não só na linguagem e ilustração das histórias, mas também na selecção dos excertos musicais compilados no CD que acompanha o livro.

Utilizando um estilo que lhe é peculiar, Madalena Matoso ilustrou, com grande criatividade e sensibilidade artística, toda a obra. As ilustrações adaptam-se perfeitamente a cada uma das histórias e apelam também para a imaginação criadora das crianças. Falam por si.

No fim do livro é apresentada uma cronologia cuidadosamente elaborada que vai do século XII ao século XX, englobando não só os compositores mas também factos coevos da nossa História e Cultura ligados ao universo da Música.

Histórias da Música em Portugal é uma obra inédita, única no género e que veio contribuir, sem dúvida, para o conhecimento do nosso rico património musical junto das crianças. Merece ser continuada. Outros livros vão certamente nascer e desabrochar num futuro próximo.


 Livro-CD à venda na Loja MPMP


Viola Solo e Electrónica — novo CD de João Pedro Delgado

O violetista João Pedro Delgado inaugura da melhor forma o ano de 2015 com o lançamento do disco Viola Solo e Electrónica — Música de Compositores Portugueses, sob a estampa do Síntese  Grupo de Música Contemporânea.

O trabalho reúne encomendas endereçadas a cinco compositores: João Pedro Oliveira (Rust), Sérgio Azevedo (Sonata para viola solo), José Carlos Sousa (Violeta’s), Jaime Reis (Fluxus — transitional flow) e  Eduardo Luís Patriarca (A Propos d’un Son — Grisey in memoriam).

As peças de Jaime Reis e de José Carlos Sousa respondem a encomendas do Festival de Música da Primavera (Viseu) e do Festival Dias da Música Electrónica (Seia) do ano de 2013, onde foram estreadas; as restantes três foram encomendadas expressamente para o disco. A apresentação em recital deste programa ocorreu no final do ano transacto, com concertos em Outubro — ainda numa versão parcial, no âmbito do Festival Síntese da cidade da Guarda — e em Dezembro — contando já com todas as obras presentes no trabalho discográfico.



O disco pode ser comprado na Loja MPMP.


Consultar a crítica ao CD.

 

Início de novo ano com música contemporânea portuguesa

Para o início de um novo ano, a Orquestra de Sopros da Universidade de Aveiro propõe um programa inteiramente dedicado a música de autores portugueses contemporâneos, composta especificamente para agrupamento de sopros. Os dois concertos decorrem no Auditório do Conservatório de Música de Coimbra, às 18h do dia 7 de Janeiro, e no Departamento de Comunicação e Arte da Universidade de Aveiro, à mesma hora do dia 8 de Janeiro.

Sob a direcção de Luís Carvalho, a orquestra interpretará A vida é nossa, de Gonçalo Gato (n. 1979), Sofomania in Senatus (para saxofone tenor, Akai e orquestra de sopros) de Hugo Correia (n. 1977), Sinfonieta n.º 1 de Alexandre Almeida (n. 1985) e Fantastic Variations, do próprio maestro Luís Carvalho (n. 1974), que aqui revela também o seu trabalho de compositor.

Sofomania in Senatus conta com a participação do saxofonista Henrique Portovedo e será estreada mundialmente no concerto de 7 de Janeiro. As restantes peças já foram anteriormente interpretadas ao vivo. A vida é nossa foi estreada a Fevereiro de 2014 na Casa da Música, no Porto, no âmbito do II Concurso Nacional de Composição da Banda Sinfónica Portuguesa. Em Julho passado a obra Sinfonieta n.º 1 foi executada no concerto da Orquestra de Sopros do Conservatório de Música de Jobra, em Albergaria-a-Velha, e também no concerto de encerramento do I Estágio “Músicos da nossa terra” em Estarreja. Fantastic Variations, gravada pela Banda Sinfónica Portuguesa para a etiqueta Afinaudi e regularmente tocada em concertos em Portugal e em Espanha, será executada em breve num outro concerto, desta vez em Caracas, na Venezuela, pela Banda Sinfónica Juvenil Simón Bolivar, dirigida por António Saiote.

Os concertos da Orquestra de Sopros da Universidade de Aveiro constituem, assim, uma oportunidade para conhecer um pouco do panorama da música nacional que se produz actualmente.

 

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